via Procrasti…quê? 5 técnicas para não adiar mais nada – Dinheiro Vivo.

Procrastinação, ato de deixar para depois ou adiar a resolução de um assunto ou tarefa, é um dos principais problemas no planeamento. Nas empresas, pode surgir quando se perde a motivação numa determinada tarefa ou quando se sobrepõe uma situação mais urgente para resolver.

Mas a procrastinação é também uma das principais causas para nunca conseguirmos poupar para a reforma ou de não aderirmos a um tratamento médico, aponta como exemplos Daniel Fernandes, membro da Unidade de Investigação da Católica Lisbon School of Business and Economics (Católica Lisbon Reseach Unit in Business and Economics).

Doutoradao em Marketing pela Erasmus University, Daniel Fernandes apontou, ao Dinheiro Vivo, as principais causas da procrastinação e indicou 5 formas de contorná-las.

1. A teoria dos objetivos gradientes. É uma teoria lançada pelo investigador Clark Hull em 1932. Hull observou que ratos de laboratório ficavam mais motivados a perseguir uma recompensa quando próximos da recompensa. Esse resultado foi diagnosticado varias vezes em humanos. Recentemente, uma equipa encabeçada pelo investigador Andrea Bonezzi, que publicou artigo “Stuck in the middle” (“Parado na metade”) na revista Psychological Science, mostra que as pessoas começam a tarefa bem motivadas, entretanto, logo após um pequeno progresso na tarefa, perdem a motivação, e só vão recuperar a motivação se chegarem próximas a terminar a tarefa. Muitas vezes, quando começamos uma tarefa, pensamos que já fizemos o suficiente e que podemos fazer outra coisa. Uma forma de evitar esse viés é dividir a tarefa em passos. Dessa forma, permanecemos motivados do início ao fim da tarefa até completar todos os passos.

2. Deadlines. Em 2002, os investigadores Dan Ariely e Klaus Wertenbroch encontraram que os seus alunos de licenciatura faziam trabalhos melhores quando eram impostos deadlines fixo do que quando os alunos era autorizados a entregar tudo no final do curso. Ou seja, quanto mais prazo temos para fazer alguma coisa, mais deixamos para depois. A recomendação dessa pesquisa é estabelecer prazos e sempre que possível não deixar para depois.

3. Implementação de intenções. Esta teoria foi desenvolvida pelo investigador Peter Gollwitzer, que observou que as pessoas alcançam muito mais provavelmente os seus objetivos quando formulam planos do tipo “Se a situação X acontecer, então eu vou realizar tal ação Y” do que simplesmente do tipo “Eu pretendo alcançar tal objetivo Z”. Estabelecer apenas um objetivo ou resultado futuro desejado não serve. É necessário ter em mente as condições em que tal objetivo será perseguido. Ou seja, o componente “Se” estabelece quando e onde agir para determinada meta. Em seguida, o componente “então” estabelece como isso será feito. Por exemplo, uma pessoa com o objetivo de ingerir menos álcool pode formar o seguinte plano: “Se o garçom sugerir uma segunda bebida, então eu vou pedir água mineral”. Esse plano será muito mais eficaz do que simplesmente estabelecer o plano “eu vou beber menos álcool no restaurante”.

4. Efeito Zeigarnik. Em 1927, Bluma Zeigarnik observou que os empregados de um restaurante em Berlim tinham memória bastante acurada para pedidos não pagos pelos clientes. Mas assim que o pedido era pago, a memória simplesmente se extinguia. Esse efeito foi nomeado efeito Zeigarnik. Refere-se à tendência de mantermos em mente as tarefas não completadas. Recentemente, os pesquisadores E. J. Masicampo e Roy Baumesiter mostraram que o efeito Zeigarnik faz com que tenhamos menos atenção para outras tarefas. Ou seja, tarefas não completadas tomam recursos cognitivos. A recomendação portanto é novamente sempre que possível terminar objetivos não completados.

5. Efeito “Sim, Que droga”. Esse efeito foi encontrado recentemente pelos investigadores Gal Zauberman e John Lynch. Eles observaram que as pessoas tendem a dizer “Sim” a compromissos futuros e apenas ficarem arrependidas logo antes do compromisso “Que droga”. Ou seja, somos excessivamente otimistas quanto ao futuro. “Na semana que vem, vou terminar o artigo”; “No final do ano, vou dar uma palestra numa universidade no exterior”; “Amanhã vou acordar as 6h para fazer ginástica”; “Na segunda-feira, começo a dieta”. No futuro teremos tempo para todas essas atividades e seremos perfeitos, mas agora não parece uma boa hora. O problema é que esse otimismo excessivo gera frustração. Para evitar isso, precisamos fazer planos mais realistas. Além disso, a recomendação de agir e não deixar para depois também serve aqui.

O trabalho do investigador Daniel Fernandes visa identificar os fatores psicológicos que levam a determinados comportamentos de escolha, compra e consumo de bens e serviços. Neste sentido, procura encontrar formas de motivar as pessoas a realizar determinadas tarefas. “Esta questão é de extrema importância para as empresas que procuram motivar os consumidores a comprar seus produtos”, defende.

Daniel Fernandes acredita que são vários os fatores de personalidade e de contexto que influenciam a motivação. E para os estudar, recorre a experiências realizadas no LERNE, o laboratório de investigação experimental em Economia e Gestão do CUBE, ou a estudos de campo.

Anúncios