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Richard Stallman não tem Facebook nem telemóvel. Em nome da democracia – Renascença

ENTREVISTARichard Stallman não tem Facebook nem telemóvel. Em nome da democracia21 dez, 2016 – 06:00 • Elsa Araújo RodriguesUm dos maiores programadores de todos os tempos, Richard Stallman é activista do software livre, contra os programas de código fechado “tipicamente desnonestos” e com “funções maliciosas que são desenhadas para maltratar o utilizador”.Stallman diz que vivemos “o sonho de Estaline”. Foto: WikipediaImagine viver sem conta no Facebook ou no Instagram. Agora imagine que também não tem telemóvel, não utiliza programas de computador tão comuns como o Word ou o Excel. Para a maioria das pessoas, as coisas acabaram de ficar um pouco mais difíceis.Este é o estilo de vida de Richard Stallman, um norte-americano de 63 anos reconhecido como um dos maiores programadores de todos os tempos. Há quem lhe chame o evangelizador do software livre, pela forma como manifesta as suas opiniões: chegou a caracterizar os dois sistemas operativos mais utilizados no mundo – Windows e OS X – como malware.A Renascença falou com Richard Stallman entre duas palestas em Lisboa, uma no ISCTE e outra na Web Summit. Esteve em Portugal a promover uma fundação em prol de programas de computador “verdadeiramente livres” e pediu à audiência que não coloque fotografias dele no Facebook, porque é “má ideia”. Define-se como um “resistente à vigilância”, porque a vigilância constante está a pôr a democracia em risco.Há mais de 30 anos iniciou o projecto de criar um sistema operativo complemente livre, sem qualquer tipo de custo para o utilizador. É programador informático e defensor do software livre. Que causa é esta a que se dedica de forma tão ferrenha?O software livre respeita a liberdade dos utilizadores. É software que não maltrata os utilizadores, do ponto de vista ético. Um programa oferece sempre duas possibilidades: ou os utilizadores controlam o programa ou o programa controla os utilizadores. Não há nenhuma outra possibilidade. Quando um programa é livre, significa que os utilizadores têm o controlo total sobre o programa. Em geral, são programas que fazem aquilo que os utilizadores querem que eles façam e respeitam a liberdade dos utilizadores.Concretamente, o que significa esta liberdade?Significa que o programa concede ao utilizador quatro liberdades essenciais: a liberdade de correr o programa da forma que entender e com objectivo que quiser. A liberdade de poder estudar o código-fonte do programa, ou seja, os planos que o programador utilizou para o criar e poder alterá-lo. Assim, cada utilizador pode definir livremente o que cada uma das suas cópias do programa pode fazer. Claro que a maioria dos utilizadores comuns não são programadores, por isso é preciso que o programa dê a liberdade aos utilizadores de trabalharem juntos para alterar o programa. Um programa realmente livre também permite fazer cópias quer dos originais, quer dos programas alterados. Só assim é que se pode trabalhar em conjunto nos programas.A maioria dos programas que conhecemos e usamos todos os dias não permite cópias legais.Exacto, não são realmente livres. Quando um programa não fornece estas liberdades, o utilizador não o controla, o programa controla o utilizador, e o proprietário controla o programa. O proprietário é normalmente uma empresa e essa entidade é que controla o programa, que, por sua, vez controla os utilizadores. Os programas que não são livres dão às empresas um poder injusto sobre os utilizadores. O software que não é livre é uma injustiça e, por isso, livrei-me dele na minha vida. E aconselho a todos que o façam.Para um utilizador comum de computadores é viável utilizar apenas software livre devido aos maiores conhecimentos informáticos que é preciso ter?Isso não é verdade. O software livre não é difícil de usar. Os utilizadores não precisam de ser programadores para o usar, mas é preciso que quem queira alterá-lo o possa fazer. O software livre não é mais difícil de utilizar que o software proprietário, mas como é controlado pelos utilizadores, os utilizadores podem ter a certeza que é honesto. O software proprietário é tipicamente desonesto, tem funções maliciosas que são desenhadas para maltratar o utilizador. Podem espiar e impedir o utilizador de fazer coisas. Coisas que, se calhar, o programa até tem capacidade para fazer, mas que a empresa não quer que ele faça. E muitos destes programas têm uma porta das traseiras (“backdoor”). Isto significa que a empresa pode decidir enviar um comando ao programa e ele executa uma acção que pode prejudicar o utilizador.Este tipo de prática é frequente? Pode dar um exemplo?Já vimos isto acontecer várias vezes. Por exemplo, a Amazon colocou uma porta das traseiras no seu leitor de livros electrónicos que lhe permitia apagar os livros dos leitores de forma remota. Sabemos disto porque, em 2009, muitas pessoas viram a Amazon a apagar remotamente milhares de cópias de um livro em particular. Foi um acto “orwelliano”. E sabe que livro foi? Foi o “1984”, de George Orwell. Foi de u

Fonte: Richard Stallman não tem Facebook nem telemóvel. Em nome da democracia – Renascença

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Kaspersky avisa para comportamentos online que devem ser interrompidos – B!t Magazine

e-MarketingRedes SociaisSegurança
 

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Com todas as vantagens do atual mundo conectado vêm também os desafios: a internet está cheia de cibercriminosos e os utilizadores precisam de alterar os comportamentos que criaram numa altura menos perigosa.

Há mais informações pessoais nas redes do que nunca, e por isso a Kaspersky Lab preparou uma lista com 7 comportamentos comuns e perigosos aos quais os utilizadores estão suscetíveis todos os dias. Estas ações, diz a especialista em segurança, devem ser “interrompidas imediatamente.”

1. Confiar demasiadamente no Wi-Fi aberto
Redes de Wi-Fi de uma maneira geral representam risco, começando com a confiança depositada na legitimidade dela. Por exemplo, criminosos podem criar um ponto de acesso Wi-Fi e nomeá-lo de maneira plausível como “Wi-Fi aberto McDonalds” ou “Hotel Guest 3”.

Caso tenha garantido que uma rede aberta de WiFi é o que parece, não significa que os criminosos não estejam a espiar a rede. Utilize as redes suspeitas da maneira mais segura possível: evite aceder a sites que requeiram inserção de informações de login, assim como não faça qualquer transação financeira. Nada de banco, ou compras. Se possível, use VPN.

2. Escolher senhas simples
Nomes de animais de estimação, aniversários, nomes de familiares, e coisa do género caracterizam as piores senhas possíveis. Em vez disso, tente usar opções difíceis de adivinhar (tanto a Kaspersky Lab como outras empresas têm um password checker para verificar se a senha escolhida é segura).

A boa notícia é que uma senha confiável não precisa de ser algo como ilegível como ML)k[V/u,p%mA+5m – algo completamente aleatório do qual numa se vai lembrar. Experimente técnicas de criação de senhas fortes e fáceis de memorizar.

3. Reutilizar as senhas
Finalmente encontrou uma senha incrível. Forte como um touro. Fácil de lembrar, difícil de descobrir. Adivinhe? Não pare por aí, vai precisar de mais senhas. Porque mesmo que diminua a chance de um hacker adivinhar a sua senha, a chance das suas informações serem comprometidas num hack de base de dados ainda existe, por isso não utilize a mesma senha para todos seus registos.

4. Clicar em links recebidos por e-mail
Quem imaginou que enviar links por e-mails era uma boa ideia? Bem, muita gente – incluindo criminosos. Clicar num link de spam ou phishing pode levá-lo automaticamente para um site que baixará um malware para seu computador ou para um site que pode até parecer familiar, mas que vai roubar a sua senha.

Também não clique em links que servem apenas para atrair likes. Como posts com mensagens como “goste e partilhe para ganhar um smartphone!” No melhor dos casos não ganhará nada, mas é possível que esteja a ajudar criminosos a validarem as suas práticas.

5. Fornecer informações de login a qualquer um
A única forma de ter a certeza de que ninguém mal-intencionado tenha as suas informações é mantê-las para si.

6. Avisar a Internet inteira que vai viajar
“Na praia por duas semanas – inveja?”; “A caminho do México de mañana!”; “Alguém pode cuidar do Rex enquanto fico fora por duas semanas?”; E fotos com geolocalização que mostrem o local onde foram tiradas? Mantenha essa informação apenas para os amigos confiáveis – especialmente, em meios como o Facebook que mostram a sua cidade de residência.

7. Aceitar as configurações de privacidade padrão de redes sociais
Os medias sociais fornecem grande controlo sobre o volume de informações que transmite – para o público e para suas conexões; para terceiros, entre outros. Mas talvez queira investigar melhor e acabe por descobrir que essas configurações podem mudar (como o Facebook) com certa frequência. Antes de registar uma nova conta, tire cinco minutos para ver bem as suas configurações de privacidade. Para contas já existentes, deixe de lado alguns minutos para confirmar se está a partilhar as suas informações apenas com quem quer.

“Então, antes de publicar algo para os seus amigos no Facebook, os seus seguidores no Twitter, as suas conexões no LinkedIn, ou seja, lá para quem mais queira transmitir, pense um pouco só para ter certeza de que não está a enviar a estranhos informações que possam ajudá-los a passarem-se por si ou prejudicá-lo de alguma forma”, dizem os especialistas da Kaspersky.

Na maioria das vezes vale a pena se manter alerta – e desconfiado – com a sua vida virtual, aconselha a empresa. Serviços online de provedores de Wi-Fi até bancos e redes sociais procuram fazer com que o utilizador se sinta confortável, mas para criminosos online, esta inércia é uma oportunidade de fazer dinheiro.

Lea más en http://www.bit.pt/kaspersky-avisa-comportamentos-online-devem-interrompidos/#HKSGvJZGkShY8OXC.99

Fonte: Kaspersky avisa para comportamentos online que devem ser interrompidos – B!t Magazine

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Condenado por publicar fotos íntimas da ex-namorada na Internet

O Tribunal da Relação de Guimarães confirmou a condenação de um homem que publicou fotos da ex-namorada na rede social Facebook, em perfis falsos que criou com o nome dela.

O arguido foi condenado em 350 euros de multa, pelo crime de gravações e fotografias ilícitas.

Segundo o acórdão, o arguido, após o termo da relação, criou perfis falsos com o nome da ex-namorada, acrescentando-lhe a palavra “nua”.

Nos perfis, publicou duas fotos, uma em que se veem as pernas da ex-namorada e outra que mostra parcialmente o corpo dela, numa altura em que estava a tomar banho.

Depois de condenado em primeira instância, o arguido recorreu, alegando que as fotos em questão não dão para identificar a pessoa e que não se provou que elas tivessem sido tiradas contra a vontade da ex-namorada. Estes argumentos foram refutados pela Relação, que destacou que as fotos foram publicadas no Facebook “contra a vontade” da pessoa retratada.

“Uma coisa é a obtenção das imagens, que pode ser lícita, nomeadamente por ter o consentimento da pessoa retratada, outra, bem diferente, é a sua posterior utilização contra a vontade do retratado”, refere o acórdão.

Acrescenta que o direito à imagem abrange “qualquer parte do corpo”.

“Ora, no caso, sabe-se, não só, que as imagens pelo arguido divulgadas são do corpo da assistente, como, também, que o mesmo se encarregou de ampliar os efeitos da publicitação de tal identificabilidade, colocando no ‘perfil’ o nome da assistente, acrescido, inclusivamente, da menção ‘nua’, com o que, à luz da normal experiência, potenciou o apelo ao visionamento de tais imagens”, refere ainda o acórdão.

Sublinha que o direito à imagem abrange dois direitos autónomos: o direito a não ser fotografado e o direito a não ver divulgada a fotografia.

“Esta segunda faceta do direito à imagem exige a especial proteção jurídico-penal, cuja necessidade, aliás, cada vez mais se acentua perante a enorme danosidade gerada pela potencial utilização das novas tecnologias na sua afronta, como no caso concreto sucedeu”, refere a decisão dos juízes desembargadores.

A pena foi fixada em 70 dias de multa, à taxa diária de cinco euros.

O tribunal deu como provado que o arguido não tem rendimentos pessoais e que está integrado numa família de condição socioeconómica “bastante carenciada, que sobrevive em condições limite e com recurso a apoios sociais”.

Leia mais: Condenado por publicar fotos íntimas da ex-namorada na Internethttp://www.jn.pt/justica/interior/condenado-por-publicar-fotos-intimas-da-ex-namorada-na-internet-5535224.html#ixzz4S3AmygRb
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Fonte: Condenado por publicar fotos íntimas da ex-namorada na Internet

Contrataram hacker para violar contas bancárias

Um total de 24 indivíduos vão ser levados a tribunal, acusados dos crimes de associação criminosa, falsidade informática, burla informática, acesso ilegítimo, falsificação de documentos e branqueamento, num sistema criminoso que tinha por base a violação de contas bancárias. No núcleo do caso estava um hacker.

De acordo com a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa, os crimes ocorreram, entre janeiro e novembro de 2015 e no centro da atividade criminosa estava um grupo de quatro indivíduos com contas numa determinada instituição bancária.Com base nesse facto, os quatro arguidos conseguindo aceder a muitas outras contas bancárias de outros clientes do banco, contratando para tal um hacker, que através da pirataria informática conseguiu ter acesso aos elementos de segurança das contas bancárias.As vítimas foram às dezenas, que se viram assim despojadas dos dinheiros das contas, que eram enviados para o Brasil, onde se encontrava o patamar de lavagem de dinheiro.Os valores eram convertidos depois em dólares e a seguir entravam no circuito financeiro, para esconder a real proveniência criminosa.No total, os prejuízos ultrapassaram os 266 mil euros, tendo sido recuperados cerca de 12 mil euros.

Fonte: Contrataram hacker para violar contas bancárias

Mulher raptada aparece com mensagem gravada no corpo 

Após três semanas em cativeiro, Sherri Papini foi encontrada com vida mas com uma mensagem dos raptores gravada na pele.A mulher, natural da Califórnia e mãe de duas crianças, desapareceu durante uma corrida matinal em Redding, no norte da California, e apareceu à beira de uma estrada, no condado de Yolo, a 240 quilómetros de onde tinha sido vista pela última vez. Esteve desaparecida durante 22 dias e foi encontrada na manha do Dia de Ação de Graças.As autoridades não conseguiram ainda perceber quem a raptou nem os motivos que levaram a fazê-lo. A mensagem cravada no corpo da mulher ainda não foi revelada.”Penso que foi uma forma de assumirem o seu poder e controlo ou de transmitir alguma mensagem associada a um grupo. Não é um simbolo, mas uma mensagem”, disse o Xerife Tom Bosenko.O The Sun revela que a polícia à procura de duas mulheres de nacionalidade hispânica que foram vistas numa carrinha escura, armadas e Sherri garante que são as autoras do sequestro.Acredita-se que o rapto terá sido motivado por um comentário racista, escrito por Sherri num blog. As autoridades continuam a investigar o caso.

Fonte: Mulher raptada aparece com mensagem gravada no corpo – Mundo – Correio da Manhã

Comete suicídio em frente à familia devido a bullying – Mundo – Correio da Manhã

A família de Brandy Vela tem sido acompanhada diariamente por psicólogos e pode nunca recuperar da experiência traumática. A jovem, de 18 anos, natural da cidade do Texas, nos EUA, cometeu suicídio em frente à família, após meses e meses de sofrimento com bullying nas redes sociais.Esta terça-feira, Brandy Vela chegou ao seu limite psicológico e enviou um email de despedida aos pais e avós. Explicou que estava pronta a morrer. Imediatamente os familiares correram para casa e encontraram a jovem com uma pistola apontada ao peito.O pai de Brandy, Raul Vela, contou ao canal KHOU os últimos momentos da filha e não conteve as lágrimas. “Tentámos demovê-la, pedimos-lhe para baixar a arma  mas ela estava determinada. Disse que já tinha ido demasiado longe para voltar atrás. Foi horrível ter que viver aquilo, foi um pesadelo. É muito difícil quando a tua filha te diz ‘vira-te de costas’. Senti-me incapaz.Raul Vela contou o que levou a filha a fazer um ato tão deseperado. A jovem confidenciava-lhe regularmente que era vítima de bullying. Os colegas chamavam-lhe gorda e gozavam com o peso de Grandy e, há cerca de seis meses, criaram contas falsas nas redes sociais em que se faziam passar por ela.”Chegaram a criar uma conta em que dizia que ela oferecia sexo. Foi muito assediada por causa disso”, conta entre soluços o pai de Brandy.”Apesar de ter sido feita queixa na polícia, as autoridades nada fizeram porque os suspeitos usaram uma aplicação que não permitia que fossem identificados”, conta a irmã de Grandy, Jackie Vera à CNN.Na última mensagem que enviou à irmã, logo depois de ter enviado o email aos outros familiares, pode ler-se: “Amo-te tanto. Lembra-te sempre disso. Peço desculpa por tudo”.A polícia do Texas está a investigar a morte de Brandy Vera e dos suspeitos do crime de ciber bullying.

Fonte: Comete suicídio em frente à familia devido a bullying – Mundo – Correio da Manhã

This Tool Can Help You Disappear from the Internet

Deseat.me will remind you of everything you can unplug.

Getty Images/iStockphoto

Between election bile, fake news, and just plain exhaustion, we may be entering a down cycle for social media. If you’re interested in downsizing your online footprint, a tool called Deseat.me could be a huge help – though it’s not quite a one-shot “unplug me” app.

It works best (and maybe only) if you use Gmail as your primary email account. Log in to Deseat.me through Google, and the service will do a deep dive into your records and pull up every social media site, mailing list, and online store you’ve ever signed up for. You can quickly tag the services you’d like to delete or unsubscribe from.

For a portion of them, Deseat.me will offer you direct links to the service’s unsubscribe page, though that functionality seems limited at this point.

But the exercise alone is edifying. Do you remember Klout? How about Hype Machine? Instapaper? I do, vaguely, because I used them all, once, years ago. But ever since those brief dalliances, my email address, and maybe more, have remained in those company’s databases. Then there are the mailing lists—oh, the endless, vaguely embarrassing mailing lists that I signed up for in exchange for some 20-page ebook on Twitter etiquette.

For more social media contrarianism, watch our video.

Now I can scrub them all. Which I probably should have done a long time ago.

But of course, some users may be looking for the real nuclear option—goodbye Facebook, goodbye Twitter, goodbye Linkedin and Instagram and Tumblr and Pinterest and Soundcloud. If so, you’re a stronger person than me, but you’ll probably end up happier for it. 

Fonte: https://flipboard.com/@flipboard/flip.it%2Fggqb2v-this-tool-can-help-you-disappear-from-t/f-8ee7efefc2%2Ffortune.com

 

 

“As redes sociais não elegem presidentes” – PÚBLICO

ENTREVISTA

“As redes sociais não elegem presidentes”

Anita Gohdes é cientista política e estuda a forma como alguns estados reprimem os cidadãos com a ajuda das “tecnologias da libertação”. É o lado negro das redes sociais.

Körber-Stiftung/David Ausserhofer

Foto
KÖRBER-STIFTUNG/DAVID AUSSERHOFER

Com a eleição de Donald Trump para a Casa Branca, ficámos todos a discutir o papel que as redes sociais tiveram na vitória de um homem que nenhuma sondagem ou analista mainstream previu.

Sem qualquer nuance, Paul Horner, o agora célebre autor de “notícias” falsas no Facebook, disse uma frase que vai fazer parte da história destas eleições: “Penso que Donald Trump está na Casa Branca por minha causa”. Se uns acharam que o humorista americano estava a exagerar ligeiramente, outros acreditam que as redes sociais vão destruir a democracia ocidental.

A cientista política alemã Anita Gohdes, professora de Relações Internacionais no departamento de Ciências Políticas da Universidade de Zurique e membro do Center for Comparative and International Studies, é taxativa: “As redes sociais não elegem Presidentes”. Mas também diz que, finalmente, estamos a perceber que “não são a ferramenta mágica que vai tornar o mundo melhor” e que “a lua-de-mel das redes sociais acabou”.

Há anos que estuda e documenta a repressão estatal e a violência política à escala global, ao mesmo tempo que investiu muitas horas a pensar como quantificar as violações de direitos humanos. O seu ensaio sobre como os governos usam a tecnologia das comunicações digitais para definir estratégias de repressão foi premiado e tornou-se uma referência. A linha de investigação de Gohdes expõe um aparente paradoxo num planeta onde há cada vez mais democracias: “A censura é uma indústria em crescimento”.

E revela outra coisa: o lado escuro das redes sociais.

Donald Trump foi eleito por causa do Facebook e do Twitter? As redes sociais têm o poder de eleger Presidentes?Não. As pessoas votam nos candidatos de que mais gostam. As redes sociais não elegem presidentes. Dito isso, o papel das empresas que têm redes sociais, os algoritmos que elas usam, e o poder que têm para criar e dar corpo ao discurso político, tem uma importância vital. E por isso é encorajador ver os políticos e os cidadãos envolvidos nesta discussão. De uma vez por todas, as empresas das redes sociais, como o Facebook, têm de assumir a sua responsabilidade — e levar esta questão muito a sério. Hoje, uma enorme fatia da população mundial recebe a maior parte das notícias que lê através do Facebook. E o Facebook vir dizer que não é uma empresa de media não muda o facto de o Facebook ter uma influência gigantesca sobre o que as pessoas lêem — e sobre o que é mantido longe da sua vista.

Estamos a acordar para o “lado escuro” das redes sociais?
Estamos seguramente a constatar que a euforia inicial em torno da ideia de as redes sociais serem forças de libertação já foi substituída por uma aceitação muito mais sóbria da ideia de que as redes sociais não são uma ferramenta mágica que fará o mundo melhor.

Em vez disso — e tal como acontece com todas as tecnologias — as redes sociais são ferramentas que podem enriquecer os processos democráticos, pois ajudam a dar voz aos que não a têm, mas que, por outro, são uma plataforma excelente para os populistas disseminarem a sua mensagem de forma muito eficaz. A lua-de-mel das redes sociais acabou.

A chanceler alemã Angela Merkel acaba de dizer que a distribuição de “notícias” falsas nas redes sociais está a contribuir para o aumento do populismo e dos extremos políticos nas democracias ocidentais. Concorda?
Devemos ter cuidado e não estabelecer relações de causa-efeito. Os estudos mostram que o que mais influencia as preferências das pessoas ainda é o que elas retiram da rede social da sua “vida real” — os que estão à nossa volta no nosso quotidiano.

Por isso, se é natural que as “notícias” falsas incitem e provoquem sentimentos populistas, essas notícias alimentam-se de descontentamento e de medo que já existe. Para além disso, se as plataformas que divulgam “notícias” falsas são um problema sério, muitas dessas histórias não são necessariamente falsas ou fabricadas. O que fazem é apresentar um ponto de vista extremamente parcial ou exclusivamente um dos lados. E é muito mais difícil lidar com estas histórias. Podemos tentar usar filtros de modo a excluir histórias falsas, mas no momento em que começarmos a apagar histórias parciais ou enviesadas, entramos no território da censura política, uma coisa que as democracias ocidentais têm orgulho em não fazer.

Qual dos lados é o mais eficaz a usar as redes sociais, o “benigno”, usado pelo cidadão comum para mobilizar a sociedade contra regimes repressivos, ou o “maligno”, usado por ditadores e governantes opressivos para esmagarem revoltas pró-democracia?
As redes sociais estão a evoluir de forma constante e nesse processo assistimos a uma luta permanente entre os que lutam para que a sua voz marginalizada seja ouvida, e os que representam interesses não-democráticos ou autocráticos.

A vontade de os governos manterem o seu poder político a todo o preço traz-lhes uma vantagem: a tendência é esses líderes controlarem o acesso à Internet nos seus países. A censura e a tecnologia de vigilância é uma indústria em expansão — uma indústria que está a ajudar os que estão no poder a espiarem os seus cidadãos e a censurar conteúdos dentro das suas fronteiras. Por outro lado, desde que os ficheiros de Edward Snowden foram tornados públicos, os cidadãos e os activistas passaram a estar muito mais atentos a este tipo de questões.

Nos últimos anos, o número de pessoas que usam ferramentas para enganar a censura explodiu. Do mesmo modo que explodiu o número de pessoas que trabalha activamente para manter as suas comunicações seguras e encriptadas.

As redes sociais estão a ajudar mais os ditadores ou os movimentos pró-democracia?
A investigação mostra-nos que, em termos globais, o aparecimento da Internet levou à consolidação do poder autocrático — o oposto do que estaríamos à espera. O que vemos é os governos não-democráticos a movimentarem-se na Internet com cada vez mais conhecimento e agilidade, ao mesmo tempo que o mercado de dispositivos para controlar a Internet vive um boom. Os movimentos sociais que lutam contra este tipo de regimes estão a adaptar-se a este novo ambiente de informação, mas os movimentos de cidadãos que têm mais sucesso são aqueles que investem em estratégias de protestos de tipos muito diversificados — usar apenas as redes sociais não muda sistemas políticos.

Vivemos a “ilusão da informação perfeita”

Governos autocráticos em todo o mundo têm sido extremamente activos a desenvolver e a afinar novas ferramentas de vigilância, manipulação e censura do fluxo digital de informação. Qual foi a ferramenta mais cruel e terrível que descobriu na sua pesquisa?
Apesar de hoje existirem formas muito mais sofisticadas de fazer censura, muitos governos já fecharam de forma absoluta o acesso à Internet dentro das suas fronteiras. Fazem-no quando sentem que a segurança nacional está em perigo. Há exemplos recentes disso no Gabão, Sudão, Síria, República Democrática do Congo, Índia, Paquistão, e muitos outros. Este tipo de censura não só é extremamente assustador — imagine não poder contactar ninguém durante dias e dias seguidos — como tem custos económicos muito elevados. A vida, os negócios e tudo à nossa volta pára se não tivermos acesso à rede global.

Ao analisar os governos que usam redes sociais para exercer violência de Estado contra os cidadãos, que país mais a chocou?
Há muitos exemplos de países que usam métodos brutais contra os seus cidadãos com base em informação recolhida nas redes sociais. Apenas alguns: o Bahrain, a Etiópia, o Vietname e, claro, a Síria.

Ao tentar medir o volume de violações dos direitos humanos, o que concluiu — as redes sociais ajudaram ou pioraram os direitos humanos no mundo?
As redes sociais aumentaram de forma radical a quantidade de informação em tempo real que hoje temos sobre os conflitos no mundo. Isso é um avanço importantíssimo.

O lado negativo é aquilo a que eu chamo a “ilusão da informação perfeita”, que é acharmos que, por causa das redes sociais, sabemos rigorosamente tudo o que se está a passar no mundo.

No trabalho que fiz para tentar quantificar as violações de direitos humanos em conflitos, percebi que, apesar de sabermos hoje muito mais sobre o que está a acontecer nos conflitos no mundo, continua a haver enormes pontos cegos sobre os quais pouco ou nada é reportado. E negligenciar esses pontos cegos é tão perigoso hoje como era há 50 anos.

 

Fonte: “As redes sociais não elegem presidentes” – PÚBLICO

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