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Detritos Tóxicos

Passos Coelho não é racista, o seu preconceito é outro

http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/pedro-tadeu/interior/passos-coelho-nao-e-racista-o-seu-preconceito-e-outro-8706053.html

 

Pedro Passos Coelho disse num comício do seu partido que Portugal não é lugar para “qualquer um viver”. Não, não vou acusá-lo de ser racista ou de ter um discurso xenófobo, apesar de a frase ter sido dita num contexto de crítica a uma nova lei sobre imigração e, por isso, poder soar a um insulto contra estrangeiros. Essas acusações contra Passos são bem capazes de ser injustas (ou pelo menos eu quero crer que sim) e a minha pergunta, neste momento, é outra: para além dos portugueses que já vivem em Portugal (presumo que o líder do PSD não pense em excluir algum, independentemente da ascendência, sexo, raça, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual), quem são as outras pessoas que Passos Coelho acha que têm direito a viver no nosso país?

Temos uma resposta nuns novos imigrantes criados pelo seu governo, pelo executivo do seu partido coligado com o CDS: os imigrantes beneficiários dos chamados vistos gold, pessoas que investem pelo menos meio milhão de euros a comprar uma casa (mesmo que ela valha, na realidade, metade desse valor) ou transfiram para o país pelo menos um milhão de euros (mesmo que não se conheça claramente a origem desse dinheiro), criando com esse investimento um mínimo de dez postos de trabalho (cuja qualidade e perenidade não é, sejamos francos, seriamente avaliada).

Este sistema já criou processos judiciais, ainda em curso, com antigos governantes e autoridades nacionais, em vários níveis de responsabilidade, a serem suspeitos de corrupção por concessão, fora da lei, dessas licenças de imigração.

A probabilidade, entretanto, de vários dos quase (estimo com base nas notícias de jornais) dez mil licenciados com uma autorização de residência em Portugal e de circulação livre pela União Europeia terem comprado, graças àquela lei, esses direitos para praticarem crimes é quase inevitável. As possibilidades são imensas e vão desde o óbvio “lavar” de dinheiro “sujo” até ao acesso a um área gigantesca, sem fronteiras e com dinheiro, para traficar, com maior facilidade, todo o género de coisas ilegais, dando espaço para o crime sofisticado e organizado (e até, eventualmente, cúmplice do terrorismo) explorar um novo filão.

Dir-se-á que não há medida de abertura à imigração que não traga o perigo da criminalidade, que os justos não devem pagar pelos pecadores e que os benefícios para o país de medidas como a dos vistos gold ultrapassam largamente os prejuízos que estes “efeitos colaterais” que descrevo possam trazer… Sou capaz de estar de acordo com tudo isso mas, se olhar para o que Passos Coelho disse no Pontal, no último fim de semana, o criador, com Paulo Portas, da lei dos vistos gold em Portugal não pode subscrever essas teses. Porquê?…

Vamos ler o que ele disse: “Porque é que não discutem na sociedade portuguesa as implicações que para a segurança do país a médio e longo prazo isso pode trazer? Da mesma maneira pergunto: o que é que vai acontecer ao país seguro que temos sido se esta nova forma de ver, a possibilidade de qualquer um residir em Portugal, se mantiver?”

Na altura da entrada em vigor da lei dos vistos gold, no início de 2013, não faltou gente a alertar Passos Coelho para o problema de criminalidade que este tipo de imigração certamente atrairia: além de muitos políticos, vários colunistas escreveram sobre o assunto. Pois nessa altura o então primeiro-ministro não quis “discutir na sociedade portuguesa as implicações que para a segurança do país a médio e longo prazo isso pode trazer?”. E muito menos se perguntou sobre o que pode acontecer ao nosso “país seguro”.

Passos Coelho não esteve preocupado com os criminosos que viriam viver para Portugal quando aprovou a lei dos vistos gold. Agora diz estar em causa a segurança do país com as novas regras para a imigração. Na primeira lei ignorou os efeitos colaterais. Na segunda lei só vê efeitos colaterais.

Se o que diferencia os imigrantes dos vistos gold dos imigrantes da nova lei da imigração, que transpõe uma diretiva comunitária, não é a raça ou local de origem (vêm, em ambos os casos, pessoas de todo o lado) nem o serem ou não criminosos (como já se viu), o que é que leva Passos Coelho a aceitar facilmente os primeiros e a ter receio do que possa acontecer com os segundos?

Para Passos Coelho a diferença entre a lei dos vistos gold e a nova lei da imigração, como é óbvio, não é a raça, é o dinheiro.

O líder do PSD não se importou de liberalizar a imigração de ricos, mesmo se isso facilitasse a vida a alguns criminosos, mas a imigração de pobres é coisa que o aborrece, e aí a questão da segurança já lhe serve de pretexto para a tentar impedir. Isto não é mesmo racismo nem é xenofobia, isto é preconceito contra os pobres.

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Astor Piazzolla – Libertango

Viral Photo Confirms Nutella Is Really Bad, But We Have a Healthy Solution

http://www.health.com/food/nutella-ingredients?xid=socialflow_facebook_health

No matter how much we hope and pray that Nutella has some hidden health benefit, the reality is, the delicious chocolate-hazelnut spread is simply not that great for us (sigh). Now a new viral photo has made that fact inescapably clear.

Reddit user MrFlow posted the image below with the caption “What Nutella is actually made of.” It shows Nutella’s top five ingredients layered in the jar.

Sugar takes up nearly half(!) the container. Palm oil, which is high in saturated fat, is the second most abundant ingredient. Skim milk powder, cocoa, and hazelnuts fill up the rest of the jar. (Missing are the emulsifier lecithin and the artificial flavor vanillin.)

We know this image is unverified, but it’s likely not far from the truth. There’s no question the spread is loaded with sugar and fat. And the striking visual is a good reminder to enjoy the beloved treat in moderation.

To satisfy your Nutella cravings, try whipping up our yummy Nutella alternative instead: The recipe calls for one avocado, raw cacao powder, maple syrup, vanilla extract, a pinch of salt—and that’s it. See how it’s made in the video below.

//players.brightcove.net/1125866826/default_default/index.html?videoId=5367080652001

You can smear this low-sugar spread on toast or apple slices; or use it as the filling in whoopie pies or s’mores. With nutritious, fiber-rich avocado as the main ingredient, the fudgy frosting is a treat you can feel good about.

http://www.health.com/food/nutella-ingredients?xid=socialflow_facebook_health

O primeiro dia do resto da vida do DN

“Jornalismo independente, mais essencial do que nunca” é o novo slogan do The New York Times.

Fonte: http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/pedro-marques-lopes/interior/o-primeiro-dia-do-resto-da-vida-do-dn-5580251.html

01 DE JANEIRO DE 201700:00

A frase diz muito sobre os tempos que atravessamos. Naquilo que diz respeito ao tipo de informação que está a moldar as opiniões e as condutas dos cidadãos, mas também sobre como o jornalismo olha para si mesmo.

O que salta logo à vista é a qualificação do jornalismo que o NYT vê como essencial: o independente. Há uns anos, não tantos como isso, a ninguém ocorreria a necessidade de dizer que o jornalismo devia ser independente. Era e é da própria essência do jornalismo sê-lo. Marcado, claro está, sempre pelos olhos de quem o faz, mas sem faltar à verdade, aos factos, à realidade.

O slogan do NYT parece conceder que há outro tipo de informação e que, de forma indireta, define como jornalismo. Não faltam textos, teses universitárias, ensaios de autores mais ou menos conceituados a discorrer sobre a essência do jornalismo e sobre se novas formas de comunicar cabem ou não no conceito. Não percebo a confusão entre meio e mensagem. Também é possível que se refira à opinião. Não na forma como nos habituamos a vê-la – como uma leitura sobre factos – mas naquilo em que se está a transformar: uma construção da realidade, como se fosse aceitável alguém dizer que uma parede é branca quando é preta, como se fosse legítimo chamar a um calhau um livro.

Li um comentário que perguntava como era possível o NYT pedir para que se apoiasse o jornalismo independente quando o jornal tinha abertamente declarado o apoio a um candidato nas eleições americanas. Claro que é possível a um jornal declarar o seu apoio a um candidato e não transigir com as normas do jornalismo, mas, mais uma vez, há nesse comentário um sinal dos tempos. Os cidadãos parecem olhar para toda a atividade, seja política, económica ou jornalística, como um campo de batalha em que cada qual escolhe a sua trincheira. Nessa luta, a verdade é meramente instrumental, os factos pouco importam. Este tipo de visão da comunidade não é novo, era e é bastante comum nos movimentos radicais. O que é recente é ter-se alargado a tantos cidadãos e à forma como eles veem o mundo: a verdade não existe e a opinião transforma-se num facto ao serviço dum dado objetivo.

Há outra forma de ler o slogan do NYT – a correta, acredito. Uma maneira de chamar à atenção do leitor da premência da independência no financiamento dos órgãos de comunicação social. Só os cidadãos de forma individual, através da compra do jornal, podem assegurar o verdadeiro jornalismo. Não há independência quando um meio de comunicação social não garante a sua sobrevivência através das vendas – que, depois, criam as receitas publicitárias. Um jornal ou uma televisão que dão sistematicamente prejuízo serão sempre vistos, justa ou injustamente, como ao serviço de causas que não o jornalismo.

Numa época em que não falta informação, o paradoxo é a ausência de informação de qualidade. Melhor, o desprezo por marcas que historicamente são garante de seriedade, de análise fundamentada, de compromisso com a verdade. Não espanta que a crise dos mediadores de informação – e o jornalismo está longe de ser caso único, basta ver a sanha com que os populistas atacam as chamadas elites intelectuais – coincida com a crise que a democracia vive. Estão profundamente ligadas. Os fenómenos populistas não florescem apenas por a democracia tardar em encontrar soluções para a falta de expectativas, por existir o sentimento de que falta democracia económica. As respostas simplistas que gente como Trump, Farage, Le Pen e outros têm para as populações partem duma sementeira de mentira. Quem tem, em primeiro lugar, de os denunciar é quem tem um compromisso com a verdade: o jornalismo. A questão está num nível superior ao da política, tem que ver com valores essenciais numa comunidade que vão para além de opções ideológicas, de direita ou de esquerda. Não é por acaso que as campanhas dos populistas combatem com mais tenacidade os media do que os seus opositores políticos, como não espanta que gastem muito dinheiro em propagar falsidades através das redes sociais e de canais de televisão e jornais que a decência não permite chamar órgãos de comunicação social. O objetivo é muito menos difundir mentiras e muito mais desacreditar o jornalismo.

O fim do jornalismo como guardião da verdade, da busca dos factos, liberto das amarras do poder político ou económico será o fim da democracia. Somos nós que temos de decidir que informação e que mediação. Se nos achamos capazes de entender todos os fenómenos e as suas implicações. Estamos em tempos de escolhas como há muito tempo não estávamos, e que não existam dúvidas: é só nossa a decisão de querermos ou não quem nos ajude a ler o mundo, jornais e gente a quem reconhecemos estudo e dedicação a assuntos a que não queremos ou não podemos dedicar tempo. Se continuarmos pelo caminho que estamos a seguir, serão outros a decidir por nós, populistas, empresários pouco escrupulosos e, no fim, ditadores.

Hoje, é o primeiro dia do resto da vida do Diário de Notícias. Mais do que os profissionais deste jornal que falharão e acertarão, mas que são gente com um compromisso com o verdadeiro jornalismo. É você, caro leitor, que decidirá o nosso futuro. Mas não se esqueça, estamos juntos neste caminho.

O MIRANTE | AIP promove workshop para ajudar PME com os seus problemas

O elearning como solução para as PMEs…

A Associação Industrial Portuguesa (AIP) desenvolveu uma ferramenta inovadora para a resolução dos problemas nas PME (Pequenas e Médias Empresas). Essa ferramenta foi criada através da implementação de uma metodologia de Aprendizagem Baseada em Problemas (Problem Based Learning – PBL), assente na utilização das TIC e em contexto e-learning. Essa ferramenta inovadora foi desenvolvida com base no levantamento efectuado junto de 120 PME’s de todo o país.Essa metodologia formativa inovadora vai ser apresentada esta quinta-feira, 24 de Novembro, entre as 15h00 e as 17h00, na sede da AIP, na Praça das Indústrias, em Lisboa.Durante a sessão vai ser feita uma reflexão sobre os desafios que se colocam às PME’s, tais como as exigências da conjuntura económica nacional e internacional e da competitividade e globalização, entre outros. Vai também ser dada a conhecer a metodologia PBL, assim como a forma de a operacionalizar em contexto presencial ou à distância.Outro dos objectivos desta sessão é destacar como os problemas podem ser usados como ferramenta de aprendizagem no local de trabalho e ilustrar a forma como os colaboradores podem reflectir sobre os problemas que enfrentam, utilizando uma abordagem estruturada; e ainda como colaborar, interna e externamente, de modo a que os problemas de organização possam ser usados como vantagem e não como barreira ao negócio.A AIP reconhece a importância e a utilidade desta metodologia nas PME’s, designadamente no que concerne à resolução dos problemas concretos da empresa, bem como em termos de economia de custos e tempos despendidos pelos colaboradores em formação, quer ainda em termos de sucesso alcançado ao nível da efectiva qualificação dos seus quadros.Com o apoio da Comissão Europeia e no âmbito do Programa Erasmus+, a AIP desenvolveu, em parceria com instituições congéneres da Irlanda, Alemanha, Lituânia e Roménia, este projecto na área do ensino à distância, denominado Aprendizagem Baseada em Problemas.“Pretendeu-se desenvolver e testar uma metodologia formativa inovadora (PBL) em contexto e-learning, não obstante ser igualmente reconhecida a sua validade em contexto presencial, nomeadamente no âmbito das PME’s”, refere a AIP em comunicado.

Fonte: O MIRANTE | AIP promove workshop para ajudar PME com os seus problemas

Há uma pen que destrói um PC ou um telemóvel em menos de um segundo

Uma empresa chinesa vende uma pen que destrói computadores assim que se liga a uma porta USB. Há também uma “anti-pen”, criada pela mesma companhia.

Fonte: Há uma pen que destrói um PC ou um telemóvel em menos de um segundo

Oito anos de prisão por tentar matar mulher que conheceu no Facebook

O Tribunal Judicial de Guimarães condenou hoje a oito anos de prisão um homem que esfaqueou e tentou violar uma mulher que conheceu no Facebook e com quem marcou um encontro em novembro de 2015, naquela cidade.

Fonte: Oito anos de prisão por tentar matar mulher que conheceu no Facebook

Usaram fotos íntimas para extorquir funcionário público

A Polícia Judiciária de Braga deteve duas mulheres indiciadas por crimes de extorsão e tentativa de roubo a um funcionário público de Guimarães, usando fotos “comprometedoras”.

Fonte: Usaram fotos íntimas para extorquir funcionário público

Internet: até onde deve ir a vigilância dos pais?

Internet: até onde deve ir a vigilância dos pais?

Um pai ou uma mãe devem bisbilhotar emails e caixas de mensagens dos filhos menores nas redes sociais para acautelarem a sua segurança? A solução está na infância. E na confiança, respondem os especialistas.

Às polícias chegam cada vez mais queixas de pais de crianças e jovens vítimas de abusos na Internet Maria João Gala (arquivo)

Um pai ou uma mãe têm o direito de invadir a intimidade dos filhos para garantirem que estes não se expõem a riscos desnecessários na Internet? Devem, porque lhes compete zelar pela segurança dos filhos, aceder a passwords para vasculharem o que andam a fazer e com quem falam os menores no Facebook, WhatsApp, Instagram ou Snapchat? A questão extravasa cada vez mais as fronteiras domésticas e familiares para invadir os consultórios dos psiquiatras, chegando nos casos mais graves até à Polícia Judiciária (PJ), onde são crescentes os pedidos de ajuda de pais cujos filhos foram vítimas de abusos, chantagem ou extorsão na Internet.

“Quando trabalhei na divisão de Sintra da PSP, recordo-me de vários casos de menores assediados via Internet. E os casos chegaram-nos porque houve mães que acederam ao espaço das mensagens privadas das filhas nas redes sociais e descobriram lá mensagens de teor sexual”, relata Hugo Palma, actualmente director do gabinete de comunicação da PSP e responsável pela gestão das páginas oficiais da polícia nas redes sociais.

Uma fonte da PJ confirma que “há um número crescente de queixas e, em dois terços dos casos, são os pais que denunciam a situação, já no limite, depois de os seus filhos terem sido vitimizados”. E aqui é escusado, como alerta Rute Agulhas, psicóloga clínica e forense e perita no Instituto Nacional de Medicina Legal, os pais agarrarem-se a uma “visão cor-de-rosa das coisas” e considerarem que episódios destes só acontecem aos outros.

“Não há muito tempo, chegou-me o caso de uma miúda depois de uma tentativa de suicídio grave porque alguém tinha publicado uma fotomontagem em que ela aparecia com o corpo de uma vaca, fazendo a metáfora com a miúda que vai com todos. Ela andava no 7.º ano de escolaridade e isso tornou-se viral. E lembro-me de outro caso, de uma miúda com 13 ou 14 anos — carente e que ficava muito tempo sozinha em casa —, que acabou por se encontrar presencialmente com alguém que se apresentou na Internet como tendo 17 anos e com quem estabeleceu uma relação virtual. O indivíduo, afinal, tinha 35 anos, mas quando ela o viu e sentiu esse choque já estava criada uma relação afectiva e de confiança e ele lá lhe explicou que tinha mentido por sentir medo de ser rejeitado. Acabou por coagi-la a ter relações sexuais”, relata Rute Agulhas, que é também professora no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa e autora de um jogo para prevenir abusos sexuais em crianças onde decidiu incluir a problemática da Internet depois de ter percebido que “há crianças com seis e sete anos de idade com acesso à Internet”.

Espaço cinzento

Numa altura em que os miúdos se inscrevem nas redes sociais com oito e nove anos de idade, até onde deve chegar a vigilância dos pais? E aos 15 ou 16 anos? Justifica-se que os progenitores sacrifiquem o direito de reserva da vida privada dos filhos para lhes garantir segurança? “Há um espaço cinzento muito complicado e difícil de definir”, hesita Hugo Palma. Para o intendente da PSP, “as mensagens privadas são, em princípio, espaços onde os pais não devem entrar, mas aí coloca-se a questão ética de saber se os pais não têm o dever de fazer esse controlo para salvaguarda da protecção da criança”.

Sem respostas prontas, a investigadora na área do Direito da Informação, Maria Eduarda Gonçalves, posiciona a questão do ponto de vista jurídico: “Aqui joga-se o dever legal e o direito da família a proteger os filhos que ainda não atingiram a maioridade legal face aos riscos potencialmente gravosos que as redes sociais comportam. A questão coloca-se quando esse dever entra em tensão com o direito constitucionalmente garantido de protecção de reserva da vida privada, que todos têm, nomeadamente as crianças. Portanto, trata-se de saber a que ponto se justifica que, face a determinados riscos, os pais interfiram nessa liberdade e autonomia individuais dos filhos, consultando-lhes o email, os espaços de mensagens”, cogita a jurista. E o mais próximo que chega de uma conclusão é isto: “Diria que nenhum direito é absoluto. Em abstracto, não se pode ir muito mais longe do que admitir que há limites a esse direito e que os pais não podem descurar essa questão, desresponsabilizando-se e deixando as crianças menores sozinhas no exercício desse direito à privacidade.”

Na cabeça — e no consultório — de Daniel Sampaio, psiquiatra e terapeuta com mais de 30 anos de experiência com adolescentes e famílias, a equação coloca-se a outros níveis. “Sou contra o conhecimento de passwords e contra a invasão de privacidade por parte dos pais”, introduz. E sustenta: “Não é através de uma vigilância do tipo policial que se resolvem os problemas entre pais e filhos e a quebra da confiança na relação entre uns e outros é um ingrediente decisivo para o conflito.” Porque “o clima entre pais e filhos tem de ser de confiança e partilha e a vigilância policial degrada as relações e leva ao conflito”, o psiquiatra mostra-se também avesso ao recurso às aplicações que permitem vigiar a actividade dos filhos na Internet sem o seu consentimento, a não ser “como medida extrema”. Não se trata de ignorar os riscos. “Em primeiro lugar, é importante que os pais utilizem bem as redes sociais eles próprios e que falem disso com os filhos. Se uma criança perceber o que está certo e errado terá menos possibilidades de errar”, preconiza.

Em casa, não na escola

Imagine-se então uma criança de dez anos que insista em criar uma conta no Facebook. “Os pais devem acompanhar a inscrição e a publicação dos primeiros conteúdos e têm que ter uma dimensão ética, explicando-lhe o que deve e o que não deve fazer. Têm que lhe explicar que não deve comentar as imagens dos outros, que não deve fazer comentários sobre os corpos dos amigos, que pode comunicar e trocar determinadas imagens dos sites que encontra mas que não deve publicar imagens de pessoas”, aconselha Daniel Sampaio. O psiquiatra insiste que a chave está na confiança e que esta se ganha na infância. “É aí que se estabelece a possibilidade de um filho que tem um problema desabafar com os pais. Feito isso, será mais fácil que, perante uma situação de maior risco, os filhos recorram aos pais e desabafem com eles.”

E não, não compete às escolas fazer esse trabalho de sensibilização. “Os miúdos na escola aprendem os riscos associados às redes sociais no 8.º ano, em que já têm mais de 13 anos e podem legalmente aceder às redes sociais. Mas basta ir a um auditório de uma escola do 1.º ciclo para perceber que 80% dos miúdos com oito ou nove anos já têm contas nas redes sociais”, relata Tito de Morais, fundador do MiudosSegurosNa.Net, um projecto dedicado a promover a utilização segura das novas tecnologias por crianças e jovens.

“A situação em que os pais se encontram perante um filho de oito ou dez anos que queira abrir uma conta numa rede social não é fácil e coloca-lhes um dilema: ou respeitam as regras e recusam abrir a conta porque isso implica mentir — no Facebook, por exemplo, a idade mínima são os 13 anos —, e aí correm o risco de o miúdo abrir a conta sozinho, ou aceitam abrir a conta mas ficam com a password e o username para poderem fazer algum acompanhamento.”

Claro que o que é válido para um miúdo de dez anos dificilmente o é para um de 16. “Aqui, o controlo parental, mesmo que pareça consentido, pode funcionar ao contrário, ou seja, os miúdos vão esconder a verdadeira conta que usam e os pais ficam com acesso a uma conta fictícia onde não publicam nada, porque a tendência nesta idade será para ver a supervisão dos pais como uma intrusão e uma bisbilhotice”, aponta Tito de Morais.

E voltamos aqui à questão da confiança. “Os pais não podem deixar os filhos com rédea solta na Internet mas têm que ter noção que, se eles quiserem esconder a sua actividade na Internet, não lhes faltam formas de o fazer. Por isso é que é tão importante que os pais consigam criar uma relação de confiança com os filhos e mantenham as linhas de comunicação abertas para que estes se sintam à-vontade para pedir ajuda no dia em que fizerem uma asneira ou forem vítimas de uma situação na Internet”, sugere, dizendo-se seguro de que esse dia chegará, mais cedo ou mais tarde: “Não há anjinhos, todos fazemos asneiras. A diferença é que hoje essas asneiras tendem a chegar ao conhecimento de todos e a ficar registadas para a posteridade.”

Quebrar tabus

Ao longo das suas inúmeras incursões pelas escolas, Tito de Morais ouviu muitas histórias. “Cada vez mais os jovens usam estas tecnologias como forma de expressar a sua sexualidade e partilham fotos e vídeos com as pessoas com quem mantêm relações amorosas. Mas as relações tendem a ser menos duradouras que as fotografias e os vídeos. E aquilo que foi partilhado com a intenção de ser visto pelo namorado ou pela namorada acaba muitas vezes disseminado pela Internet.”

Cabe aqui aos pais explicar o risco de registar a intimidade em formato digital. E, no equilíbrio necessário entre o dever de supervisão e o respeito pela privacidade dos filhos, quando estes se mostrem menos receptivos à ingerência parental, Tito de Morais aponta como exemplo o amigo que estabeleceu um pacto com os filhos: “Ele não sabe a password dos filhos mas combinaram mantê-la num envelope fechado que o pai pode abrir caso suspeite de alguma coisa. Mas também conheço pais que não hesitam em sacrificar a privacidade dos filhos e outros que recusam assumir o papel de polícias na vida deles. Tudo depende da postura e dos valores.”

Claro que, como lembra Rute Agulhas, “aos 15 anos ninguém quer os pais a invadir-lhes a privacidade, a entrar no quarto sem bater ou a inspeccionar as mochilas”. Mas, se esse dever de supervisão e os cuidados que é preciso ter forem devidamente explicados desde a infância, já será mais fácil na adolescência equilibrar o controlo parental com o respeito pela privacidade. “Se este trabalho começar na infância — e tenderia a defender que, mais do que bisbilhotar sem os filhos saberem, os pais devem exigir ter conhecimento das passwords até aos 14 ou 15 anos, porque a supervisão faz parte das suas responsabilidades parentais —, o resto surge naturalmente.”

Tudo depende da capacidade — “que muitos pais não têm”, como lembra Rute Agulhas — de quebrar os tabus e começar a falar de sexualidade com os filhos. “Muitos pais ou cuidadores dizem-nos que até querem falar mas que não conseguem arranjar um canal de comunicação. Mas têm mesmo de o fazer. De serem capazes de explicar que uma câmara num computador, mesmo desligada, pode ser accionada remotamente e que o melhor é tapá-la com fita-cola. E têm de ser capazes de o fazer sem provocar alarmismos, com a mesma naturalidade com que alertam os miúdos para os cuidados que estes têm de ter quando atravessam a rua numa passadeira.”

O que é proibido, isso sim, é continuar a confiar na aparente segurança que lhes confere o facto de a criança ou o jovem estarem em casa, sentados no sofá, entretidos com o tablet, o telemóvel ou o computador. E “infelizmente”, conclui Rute Agulhas, “muitos pais continuam a preferir ignorar que os perigos a que os filhos estão expostos na Internet, mesmo as crianças de seis anos que acebem ao YouTube, são muito maiores do que se estivessem na rua a brincar em frente ao prédio”.

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