via Alto dirigente das Finanças acusado de “auto plágio descarado” – Politica – DN.

Jaime Quesado, presidente da ESPAP (Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública)
Jaime Quesado, presidente da ESPAP (Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública)Fotografia © Amin Chaar/Global Imagens

Jaime Quesado, presidente da Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública, tem ao longo dos anos publicados textos seus copiados uns dos outros nos mais diversos órgãos de comunicação.

O caso foi denunciado como um “um auto-plágio descarado” por António Araújo, um jurista e historiador consultor político do Presidente da República e ainda administrador da Fundação Francisco Manuel dos Santos, no blogue Malomil.

Interpelado pelo DN, Quesado justificou-se: “Acabei ao longo dos anos por ter publicado textos com mensagens e alguns conteúdos idênticos em periódicos distintos, o que foi feito com o objetivo de manter a coerência e o sentido da minha mensagem e sem qualquer outro intuito.”

Araújo comprovou no seu blogue, entre vários exemplos e comlinks para os sites em causa, que um texto publicado por Quesado no Público de segunda-feira passada continha longas repetições ipsis verbis de um outro texto do mesmo autorpublicado em outubro de 2007 no Jornal de Negócios.

“A isto chama-se “empreendedorismo”. Ou, se preferirmos, “inovação”. Inovação tecnológica, mais precisamente. É só ir à pasta de arquivo do laptop, encontrar um texto com uns cinco ou seis anitos, e num ápice voltar a carregá-lo, revigorado e fresquíssimo, para as páginas de um jornal”, escreveu Araújo.

Isto foi no primeiro post dedicado ao caso, terça-feira. Nosegundo, de hoje, retrata – mais uma vez com links para os textos em causa – uma outra situação: Jaime Quesado não só se auto-copia em textos com o mesmo tema como também em textos com temas diferentes.

Em julho de 2013 assinou em inglês numa newsletter europeia (New Europe) um texto intitulado “O desafio português” que começava assim: “Portugal é um exemplo de auto-capacidade de enfrentar os desafios mais complicados.”

Em maio deste ano assinou outro texto, no mesmo boletim, intitulado “O desafio de Singapura”, que começava assim: “Singapura é um exemplo de auto-capacidade para enfrentar os desafios mais complicados.”

No ano passado, em setembro, o New Europe também lhepublicara um texto sobre o Japão. Título: “O caso japonês”. Primeira frase: “O Japão é um exemplo de auto-capacidade para enfrentar os desafios mais complicados.”

Às vezes o processo não correu muito bem: no texto sobre Singapura os naturais desta cidade-Estado são qualificados de “japoneses”. Há parágrafos inteiros copiados de um texto para os outros.

Num comentário escrito hoje enviado ao DN, Jaime Quesado – que chegou a presidente da ESPAP depois de ter passado o criso da CRESAP – afirma que “não houve aqui qualquer atitude de autoplágio em termos processuais”.

Contudo, acrescentou: “Admito, dado o empenho que ponho nestas questões, que posso em alguns casos ter exagerado no processo”. E além do mais, “errar é humano”.

“Reforço que mantenho há mais de 25 anos intervenção profissional nestas áreas, quer em termos privados quer públicos, às quais tenho dado o melhor de mim, do ponto de vista dos resultados pretendidos e da mobilização das pessoas com quem trabalho para a missão a que nos propomos.”

No seu primeiro post, Araújo deixou uma dúvida no ar: “Saber como é que uma pessoa que assim procede, copiando-se vezes sem conta, ludibriando os seus leitores, tem condições para presidir a um alto cargo da Administração Pública… isso é outra conversa, ainda mais séria e mais grave.”

O DN endossou esta dúvida ao gabinete da ministra das Finanças. Sem resposta, até agora.

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