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Agosto 2016

O Porto é Portugal e o resto é paisagem – Observador

 

Fonte: O Porto é Portugal e o resto é paisagem – Observador

 

O Porto é Portugal e o resto é paisagem

28/8/2016, 0:04665

Há uma história magnífica no Portugal dos últimos anos. Além de Lisboa, há outra grande cidade europeia em Portugal, cheia de interesse, de encantos e de charme. Chama-se Porto. Merece ser apreciada.

Não nasci em Lisboa, mas sou lisboeta. Cresci, estudei e vivi quase toda a minha vida em Lisboa. Durante o tempo que tenho trabalhado fora de Portugal, mantenho uma casa em Cascais e a minha família mora em Lisboa. Mas, como muitos lisboetas, parte da minha família é do norte de Portugal (da Beira Alta, Castro Daire). Uma daquelas famílias orgulhosa das suas raízes e habituada a contestar o “domínio de Lisboa.” Desde pequeno ouvia dizer frequentemente que “a melhor coisa de Lisboa era a autoestrada para o norte” (na altura uns míseros 30 km). Havia claramente uma profunda irritação com o “centralismo da capital”. Cresci com essa influência. Gosto muito de Lisboa mas também aprecio muito o norte de Portugal e tenho consciência do modo indiferente, e por vezes injusto, como Lisboa (sobretudo as elites alfacinhas) trata o resto do país (com a excepção do Algarve em Agosto).

Além desta consciência nortenha, e certamente relacionada com ela, tornei-me adepto do Futebol Clube do Porto por volta dos 8 anos de idade. A educação contra o “poder de Lisboa” transformou-se numa grande antipatia contra o Benfica e o Sporting e num enorme apego ao F.C. Porto. A filiação clubística deu-me um carinho especial pela cidade do Porto. É a cidade do meu clube. O crescimento do F.C. Porto desde o final da década de 1970 foi fundamental para a afirmação da cidade do Porto. Não há uma única grande cidade europeia que não tenha também um grande clube de futebol. Hoje, o grande clube europeu, F.C. Porto, é de uma grande cidade europeia, o Porto.

O crescimento do clube e da cidade constitui uma das grandes conquistas da democracia portuguesa. Não é necessário ser um sociólogo para entender a relação entre os regimes autoritários e o poder da capital em relação ao resto do país, do qual faz parte o domínio futebolístico dos clubes da capital. Veja-se o exemplo da Europa desde o final da Guerra. Nas democracias europeias, Alemanha, Inglaterra, França, Itália, Holanda, Bélgica e outras, os clubes de futebol da capital competiram sempre com clubes de outras cidades pelos títulos nacionais e europeus. Nos dois países onde existiam ditaduras nacionalistas, Portugal e Espanha, os clubes das respectivas capitais dominavam os campeonatos de futebol. O poder de Salazar e de Franco e o domínio do Benfica e do Real de Madrid faziam parte da mesma ordem nacional. O Porto e o Barcelona tiveram que esperar pela democracia para atingir a grandeza. A história mostra que os clubes de Lisboa se tornaram grandes no Portugal do Estado Novo e do Império. O Porto fez-se enorme no Portugal democrático e europeu.

A cidade do Porto conheceu uma trajectória semelhante e inseparável do seu maior clube, beneficiando da abertura e da internacionalização do nosso país durante as últimas três décadas. O Porto já não precisa da capital para chegar à Europa e ao mundo e, mais importante, para o mundo e a Europa virem ao Porto. O aeroporto Sá Carneiro tem qualidade mundial e da cidade vai-se por autoestrada até às capitais europeias. A rede de transportes da cidade é de alta qualidade, com o metro aberto 24 horas durante o fim de semana.

A oferta cultural, concertos, exposições e teatro, está ao nível de outras cidades europeias. No Porto come-se e bebe-se muito bem. Uma cerveja ao fim da tarde no Napoleão ou na Praia da Luz, seguida de um jantar no Cafeína, na Cooperativa dos Pedreiros ou no Tapabento constitui um programa memorável. Os arredores do Porto, sobretudo a região do Douro, são de uma beleza extraordinária. Em 2014, a cidade ganhou um prémio importante do turismo europeu, “The best European destination”. Nos últimos anos, as publicações de língua inglesa têm considerado a cidade como um dos melhores destinos para férias na Europa. Em Londres, pelo menos, o Porto está na moda.

A região do Porto constitui igualmente um exemplo nalguns sectores da vida económica e empresarial. Por exemplo, os mercados olham para a indústria de calçado como um caso europeu de sucesso perante a concorrência barata da China e da Ásia. Muitas das pequenas e médias empresas nacionais que sobreviveram à crise económica, reinventando-se através das exportações, estão no chamado grande Porto. A distância do poder central estimula a iniciativa privada, e os portuenses aprenderam a não esperar pelo Estado para andarem para a frente.

Deixo para o fim a hospitalidade das gentes do Porto. Recebem com gosto e partilham o melhor que a cidade tem para oferecer. No Porto não há visitantes. Somos todos hóspedes. O meu portismo dá-me uma sensibilidade especial para a cidade do Porto. Mas um lisboeta não precisa de ser um adepto portista para apreciar a cidade do Porto e tudo o que de bom ela tem para oferecer.

Há uma história magnífica no Portugal dos últimos anos. Além de Lisboa, há outra grande cidade europeia em Portugal, cheia de interesse, de encantos e de charme. Chama-se Porto. Merece ser visitada e apreciada.

Bifanas a Moda do Porto | SaborIntenso.com

Fonte: Bifanas a Moda do Porto | SaborIntenso.com

 

Receita de Bifanas a Moda do Porto

Ingredientes:

  • 3 kg de bifanas cortadas finas e pequenas
  • 0,5 l de vinho branco
  • 1 cerveja
  • 0,5 dl de molho inglês ou mais consoante gostar
  • 4 ou 5 dentes de alho
  • Colorau q.b.
  • Pimenta branca q.b
  • Azeite q.b
  • Óleo q.b
  • 1 folha de louro
  • Sal q.b
  • 2 cálices de Whisky
  • 1 cálice de Vinho do Porto
  • 1 Limão pequeno

Preparação:

1. Num tacho colocar o azeite e o óleo em partes equivalentes até cobrir o fundo ligeiramente.
2. Deitar alho ás lâminas ou em pó (como quiser) , o louro, a pimenta, colorau e vai-se mexendo sempre e em lume brando.
Junta-se o vinho, a cerveja, o molho inglês, whisky, o vinho do Porto e só um bocadinho de sal.
3. Deixa-se levantar fervura, e deita-se a carne lá dentro (a carne não está temperada com nada).
Mexe-se, rega-se com o sumo de meio limão e coloca-se a outra metade lá dentro a ferver junto com a carne, só se retira no final.
Deixa-se ferver 15 ou 20m até estarem bem tenrrinhas.
4. Prova-se de sal e rectifica-se, picante a gosto de cada um, se gostar do paladar do molho inglês mais forte pode acrescentar.
5. O molho normalmente chega para a cozedura da carne, se precisar aumentar um pouquinho junta cerveja, pois não leva água nenhuma.
Quando a carne estiver cozida está pronta para servir.

Colocadas no pão e bem regadas com o molho são de comer e chorar por mais.

Bom Apetite!
Estas são aquelas bifaninhas que comemos no pão com mt molhinho, nos snacks do Porto, uma delicia.


FOTO: SarinhaT

Como os gatos veem o mundo | Superinteressante

 

Fonte: Como os gatos veem o mundo | Superinteressante

 

gato cinzaCarlos Cubi

OS HOMENS PENSARAM que haviam domesticado os gatos.Como eles mantinham os ratos longe, nós lhes demos rações. E depois lares. Nomes. Camas. Banhos. Tosas. Brinquedos. Arranhadores. Colos. Cafunés. Capas siliconadas para unhas. Estima-se que hoje existam 600 milhões de gatos vivendo com humanos, contra 800 milhões de cachorros – mas a distância do campeão para o vice vem diminuindo. Desde 1985, os felinos são os animais mais numerosos dos EUA, e o Brasil segue o mesmo rumo. Na internet, então, eles são os reis, seja ilustrando frases bizarras ou protagonizando vídeos fofos.

Diante de tanto investimento financeiro e emocional, muitos veem em seus bichanos características humanas. Pois se enganam. Diferente dos cachorros, que querem ser gente, os gatos não querem ser outra coisa. E acham que a gente é que é gato: aos olhos felinos, seus donos são gigantes amáveis da mesma espécie, responsáveis por sustentá-los e protegê-los.

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Protegê-los do quê? Para o gato, cada sala é uma selva – que ele só é capaz de enxergar em dois tons: amarelo e azul. Por trás de cada cortina e por baixo de cada almofada pode haver uma ameaça. Nascem, morrem e geram predadores. “Ele descende de um felino territorial e solitário que aceitou a coexistência com outros gatos e ainda está se adaptando à vida de animal de estimação”, diz John Bradshaw, autor de Catsense – The Feline Enigma Revealed (“Sentido de gato, o enigma felino revelado”), best-seller de 2013 sem edição brasileira.

Ou seja, o que ratos sabiam e pufes suspeitavam, a ciência agora confirma: o gato doméstico ainda é selvagem. Essa é uma descoberta fundamental para começar a decifrar o seu comportamento, sua personalidade e sua complexa relação com o homem – um relacionamento que começou por interesse.

DOMÉSTICO NAQUELAS

O gato foi o primeiro vigia de estoque. Foi assim: há 10 mil anos, as primeiras colheitas atraíram ratos pela primeira vez. Para sorte dos primeiros agricultores, no rastro dos roedores veio seu predador, o Felis silvestris. O gato selvagem era um bicho meio arisco, mas mantinha os ratos longe dos celeiros, e o contrato foi fechado. Aos poucos, a relação deixou de ser somente profissional: em 9500 a.C., um homem e seu gato foram enterrados juntos no Chipre. E, após milênios de bem-bom, criamos uma subespécie, Felis silvestris catus, o chamado gato doméstico. Que não é tão doméstico assim. O autor de Catsense explica: “Para ser eficaz contra os ratos, os gatos precisaram manter muitos de seus instintos selvagens.”

Caçar ainda é parte fundamental da vida de qualquer gato, mesmo os de apartamento. Quando filhotes, as brincadeiras, além de engraçadinhas, estão ligadas ao desenvolvimento de habilidades de caça, como velocidade e precisão do golpe. Seus cinco sentidos [ver quadro na página 51] evoluíram para torná-los uma peluda maquininha de matar. Tão eficiente que alguns até acusam os felinos pelo desaparecimento de pássaros e roedores. (Calma, gatófilos: a maioria dos ambientalistas diz que mudanças no clima estão por trás dessas extinções.)

O encontro com outros gatos e o acesso à rua contribuem para que os gatos continuem meio ferozes. Mas o fator mais importante para a manutenção da selvageria é justamente uma prática para deixar gatos mais calmos: a castração. Quando castramos os gatos domésticos antes que eles se reproduzam, estamos tirando do jogo justamente os exemplares mais dóceis e amigáveis. Resultado: 85% dos acasalamentos são organizados pelos próprios felinos, entre gatas domésticas e gatos selvagens. Nossa seleção artificial parcial perpetua as características mais agressivas da espécie. No mínimo, perpetua fotos compartilhadas por amigos com a mensagem “gatinhos lindos precisando de um lar”.

como o gato vê a casaCarlos Cubi

MANHAS E MIADOS

Qualquer um acostumado a observar gatos diariamente sabe: eles são metódicos. Tomam banho da mesma maneira, escolhem o mesmo lugar para dormir e desenvolvem hábitos repetitivos. Um dos meus gatos, Olavo, um persa de 4 anos, só participa de brincadeiras de briga depois de correr por toda a casa, se refugiar no sofá e então ir até o canto oposto, onde é atacado. Julieta, uma vira-lata peluda de 9 anos, só sobe no colo pelo lado esquerdo. Mesmo que o lado direito esteja livre, ela saltará para a minha esquerda e então se acomodará. Santino, um dos gatos mais marcantes que tive, era um poço de manias.

Não podia ver um copo ou balde com água que o derrubava, e transformava pias em camas. Nenhuma surpresa de acordo com pesquisas recentes: gatos têm personalidades definidas.

Um estudo de 2008 da Universidade de Central Missouri, realizado com 196 donos de gatos, apontou quatro grandes perfis: sociáveis, afetuosos, mal-humorados e tímidos. O gênero não se associa a nenhum componente: machos e fêmeas podem entrar em qualquer categoria. A idade sim: gatos idosos são mais introvertidos e menos curiosos.

Mas também pode ser porque gatos e humanos influenciem uns aos outros. Contra o estereótipo que mostra os felinos desinteressados por seus donos, um grupo de veterinários mexicanos mostrou, em 2007, que o apego entre humanos e seus bichanos é parecido com o que se vê com crianças pequenas. Na companhia de um estranho, miam menos e passam mais tempo em alerta, próximos da porta e prontos para uma fuga. E ficam mais relaxados, passeadores e brincalhões com seus donos.

Gatos aprendem até a sincronizar seus hábitos com os dos humanos. Um estudo da Universidade de Messina, na Itália, mostrou que, com o tempo, os padrões de alimentação, atividade e sono ficam parecidos com os dos donos. Até mesmo a hora de ir ao banheiro se tornou a mesma para os dois. Já os gatos criados livres mantêm os hábitos noturnos. “Há gatos extremamente apegados aos seus donos, que passam o tempo todo ao seu lado, como uma sombra felina”, diz Daniela Ramos, especialista em comportamento animal da USP. “Depois de um período de convivência intensa, a ausência do dono pode trazer sintomas de ansiedade.”

Isso, claro, sem nunca atender quando é chamado. O curioso é que uma pesquisa da Universidade de Tóquio constatou que eles reconhecem a voz do dono, mesmo quando está misturada à de outras pessoas. Mas poucos obedecem. “Gatos, diferentemente de cães, não foram domesticados para obedecer ordens”, explica Atsuko Saito, um dos autores do estudo. “Eles preferem ter a iniciativa no relacionamento com humanos.” O que eles ganham com isso? Não sabemos. Mas, se a relação com o homem ainda é nebulosa, entre eles é que a coisa complica. Em grupo, todos os gatos são pardos.

Como o gato vê a casaCarlos Cubi

SEM MANDA-CHUVA

Nenhum estudo se aprofundou ainda na dinâmica social entre gatos domésticos. Ainda que os donos falem em líder do grupo ou macho alfa, entre os felinos não há hierarquia rígida. Não há papéis definidos. Gatos dominantes em um contexto são submissos em outros. Enquanto um gato tem privilégios sobre a comida, outro pode ter preferência por um canto do sofá – canto que pode ter outro dono, dependendo do horário. Em outras vezes, parece não haver acordo claro: ganha preferência quem chega primeiro – ou quem vence a briga.

Essa interação negociada é novidade na evolução desses caçadores solitários, e costuma deixá-los estressados e doentes. “Os donos acham que quanto mais gatos, melhor. Mas não”, diz Daniela, a veterinária da USP. “Um macho até é capaz de formar uma aliança com uma parente próxima. Mas, quando um grande número de gatos vive junto, todos se tornam mais agressivos.” Ausência de líderes não significa ausência de grupos: o dono pode achar que tem dez gatos, quando na verdade possui quatro de uma facção e seis de outra.

Apesar das descobertas recentes, o que não falta é coisa para aprender. Ainda não se sabe por que são loucos por catnip, aquela ervinha aromática e medicinal que os faz entrar em transe. Nem porque a fêmea move seus recém-nascidos um a um, com todo o zelo, mesmo prestes a abandoná-los. O ronronar, vibração sonora produzida na laringe, é outro mistério desses felinos. Também não há resposta definitiva para a mania de querer abrir portas. Nem para o código presente na maneira como movimentam suas caudas – sabe-se, no entanto, que mantê-las erguidas costuma ser um sinal amistoso.
Será que no futuro nossa relação será mais próxima? “Até agora, eles evoluíram apenas o suficiente para a amistosidade. São capazes de viver conosco”, diz Bradshaw. “Nas próximas décadas, provavelmente chegarão à amizade.” Importante: não é verdade uma notícia que correu o mundo ano passado, dizendo que gatos não gostam de contato físico. Daniela participou da pesquisa comandada pelo veterinário inglês David Mills e esclarece: a maioria dos gatos gosta de carinho do dono. Abrace o seu para comemorar. Mas com cuidado. 

 

Sete vidas

[10.000 a.C.]

Empregam gatos para proteger seus estoques contra ratos.

[3.500 a.C.]

Trabalho reconhecido: gatos são adorados no Antigo Egito.

[200]

O Império Romano espalha gatos pela Europa.

[1200]

Considerados satânicos, são perseguidos. População de ratos explode e vem a peste negra.

[1850]

Após séculos demonizados, começam a se popularizar como animais de estimação.

[1950]

Criação de novas raças.

[1985] 

Superam a população de cães nos EUA. Em 2022, eles devem superar cães no Brasil.
Sentidos felinos

1. Sua AUDIÇÃO é muito mais ampla que a nossa. O gato escuta o que, por estar além da capacidade humana, denominamos infra e ultrassom.

2. Graças a uma superfície reflexiva atrás da retina, têm VISÃO excelente no escuro. Mas só enxergam tons de duas cores: azul e amarelo.

3. O TATO dos gatos é tão poderoso que aciona um sentido adicional: a vibração de seus bigodes gera um radar de curto alcance.

4. Seu OLFATO é hiperdesenvolvido: são capazes de identificar a distância uma série de cheiros que surjam simultaneamente.

5. Os gatos não precisam nem gostam de vegetais: seu PALADAR evoluiu para ser 100% carnívoro.

Língua Portuguesa: 5 palavras que quase todos pronunciam de forma errada | ncultura

Porque o saber nunca ocupa lugar: 5 palavras que quase todos pronunciam de forma errada.

Fonte: Língua Portuguesa: 5 palavras que quase todos pronunciam de forma errada | ncultura

 

 

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