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Mês

Junho 2016

Professora dá lição sobre bullying com a ajuda de maçãs | SAPO Lifestyle

Rosie Dutton, que dá aulas em Birmingham, no Reino Unido, resolveu abordar o tema do bullying durante uma das suas aulas. Para explicar os efeitos devastadores que esta prática tem na vida de terceiros, a professora recorreu ao auxílio de duas maçãs.créditos: Facebook/RelaxkidstamworthConsciente da importância de explicar o bullying aos mais pequenos, Rosie Dutton procurou abordar o tema de uma forma simples e eficaz: usando duas maçãs.Ao entrar na sala de aula, a professora pediu às crianças que apontassem as semelhanças entre as duas peças de fruta, sendo que todos realçaram o facto de ambas serem vermelhas, do mesmo tamanho e com um aspeto sumarento.O que os alunos não sabiam é que momentos antes, Rosie tinha atirado – de forma propositada – uma das maçãs ao chão fazendo com que o seu interior ficasse danificado mas o exterior permanecesse imaculado. Com isto em mente, Rosie pegou no fruto em questão e começou a pôr-lhe defeitos.“Comecei a dizer às crianças como não gostava nada daquela maçã, que a achava nojenta, com uma cor horrível e com o pedúnculo pequeno. Disse-lhes que por eu não gostar dela não queria que mais ninguém gostasse, por isso também deviam chamar-lhes nomes”, escreveu no post que colocou na rede social Facebook a contar o sucedido.“És uma maçã mal cheirosa”, “Não sei porque é que existes” ou “Tens minhocas dentro de ti” foram alguns dos comentários feitos pelas crianças sem consciência do aspeto interior da maçã. Em seguida repetiram o mesmo exercício mas proferindo comentários positivos sobre a maçã que estava intacta. Em seguida Rosie cortou as duas maçãs ao meio e mostrou-as aos alunos.“A maçã a quem tínhamos proferido comentários positivos estava fresca e sumarenta por dentro. A maçã que tinha levado com palavras más estava desfeita e mole. Acho que, de imediato, se fez luz na cabeça das crianças,” explicou. “Eles perceberam que aquilo que vemos dentro da maçã danificada é aquilo que acontece dentro de cada um de nós quando alguém nos maltrata com palavras ou ações.”Com este exercício, integrado na aula “Relax Kids” que tem como objetivo fornecer aos mais pequenos ferramentas e técnicas para gerir sentimentos e emoções, Rosie pretende criar uma geração de crianças mais carinhosa e preocupada com os outros. “Ao contrário de uma maçã, nós temos o poder de impedir que isto aconteça. Podemos ensinar às crianças que não está certo sermos maus para os outros e devemos perceber como os outros se sentem. Devemos ensiná-las a defenderem-se umas às outras e parar com o bullying”, escreve no post que já ultrapassou as 193 mil partilhas.“A língua não tem ossos, mas é forte o suficiente para partir um coração. Portanto sejam cuidadosos com as vossas palavras”, remata.

Fonte: Professora dá lição sobre bullying com a ajuda de maçãs | SAPO Lifestyle

Visão | Profissões com futuro

derá até continuar a ser uma vida de trabalho, mas dificilmente será sempre o mesmo. Esta é uma das tendências identificadas pela consultora Jason Associates: “Há hoje uma grande intensidade profissional, que acaba por criar a necessidade de uma segunda carreira quando a primeira cria uma sensação de esgotamento, o que acontece cada vez mais cedo”, disse à VISÃO a responsável pelo recrutamento de executivos da Jason, Filipa Leite Castro.O mercado laboral será de contrastes – e até surpresas. “Liga-se muito o futuro à tecnologia, mas há uma carência enorme de profissionais de relação. O digital trouxe muita informação, mas ficou a faltar a proximidade. Tudo o que envolva relação será necessário, porque o que conta é criar valor acrescentado.” Algumas áreas vão criar mais emprego. Desde que se adaptem.VENDAS E MARKETINGAté aqui a área comercial era garantida, tendencialmente, por profissionais não licenciados. A função, como explica Filipa Leite Castro, exigia “muita negociação e relação, mas pouca análise”. Quem vendia, vendia de tudo. Hoje já não é assim. “Mudou radicalmente. Pede-se aos profissionais que tenham capacidades de gestão.” Com isso, a função “ganhou prestígio”.E exigência: “Antes os vendedores negociavam com merceeiros, hoje tem de ser com grandes grupos.” O marketing está também em plena revolução. Na área digital vai criar mais empregos.“Especialistas que comuniquem através das redes sociais passaram a ser uma necessidade. O marketing digital pode valer um salário superior a mil euros em início de carreira”, disse à VISÃO Sandrine Veríssimo, da consultora Hays.HOTELARIA E TURISMOO turismo continua em níveis de confiança máximos. Só em 2015, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), os hóspedes na hotelaria cresceram 8 por cento. O setor é dos mais tradicionais, continuará a criar empregos, mas será cada vez mais exigente devido à crescente competitividade. Os clientes passaram a marcar online. Mas no contacto com os serviços valorizam a qualidade. Por isso, os profissionais têm de garantir “outras valências, como capacidade para trabalhar com ferramentas online”, exemplifica Filipa Leite Castro. A agressividade comercial vai crescer: “O cliente utiliza todos os meios digitais se valer a pena, mas quando chega ao hotel vai valorizar a atenção e o relacionamento.”Outra tendência – a contrabalançar a massificação – é a busca de serviços únicos, adaptados a cada cliente.RECURSOS HUMANOSHá menos de uma década esperava-se destes profissionais o processamento de salários e pouco mais. “Os cursos de gestão nem sequer tinham cadeiras de recursos humanos. Hoje há executivos de grandes empresas a formarem os alunos nessa área”, lembra Filipa Leite Castro. Mais próximos do negócio, deles é esperado que “pensem a estratégia da empresa e o que se pretende dos funcionários”. Para isso, exige-se aos profissionais de recursos humanos que criem “cultura de organização e espírito de equipa”. Com a eficiência e produtividade na mira das empresas, a boa gestão de recursos humanos é agora mais valorizada e a procura de profissionais tenderá a crescer.SAÚDEO envelhecimento da população, mas também a preocupação com a qualidade de vida, vão continuar a criar empregos na área da Saúde. Mais uma vez, vencerá quem oferecer cuidados que vão para lá das competências técnicas. Os próprios médicos e enfermeiros recebem cada vez mais formação comportamental. As residências seniores têm vindo a ocupar espaço, e, com elas, a exigência de pessoal qualificado tenderá a crescer.ENGENHARIA DE SOFTWARE E DE TELECOMUNICAÇÕESA procura de especialistas nestas áreas quadruplicou nas bases de dados de empresas de recrutamento como a Hays. As funções nas engenharias e telecomunicações vão manter a dinâmica devido à constante inovação tecnológica. Informação e tecnologia tem 100% de emprego à saída da universidade.PEQUENOS NEGÓCIOS DE PROXIMIDADEPerto da vista, mas também perto do coração. Assim se pode resumir a tendência que leva os consumidores a usarem mais o comércio de bairro, os negócios de nicho, altamente especializados, mas também os politicamente corretos. São exemplo disso, os produtos biológicos. Mas também mindfulness, ioga ou caminhadas. “Procura-se proximidade, comodidade e melhores produtos.A exploração de nichos criará negócios que podem ganhar escala com pouco investimento”, conclui Filipa Leite Castro. Aqui se incluem os empregos que prometem diminuir o stresse aos outros. Há cada vez mais oferta para satisfação dos interesses de cada cliente, e aí haverá também mais empregos.SETORES DE PONTA COM APOSTA NA INVESTIGAÇÃOA investigação é ainda um setor curto em Portugal, o que torna difícil a retenção de talentos. Mas áreas como a sustentabilidade e o ambiente tenderão a crescer. As engenharias ambientais e alimentares estão aí bem posicionadas.

Fonte: Visão | Profissões com futuro

 

derá até continuar a ser uma vida de trabalho, mas dificilmente será sempre o mesmo. Esta é uma das tendências identificadas pela consultora Jason Associates: “Há hoje uma grande intensidade profissional, que acaba por criar a necessidade de uma segunda carreira quando a primeira cria uma sensação de esgotamento, o que acontece cada vez mais cedo”, disse à VISÃO a responsável pelo recrutamento de executivos da Jason, Filipa Leite Castro.

O mercado laboral será de contrastes – e até surpresas. “Liga-se muito o futuro à tecnologia, mas há uma carência enorme de profissionais de relação. O digital trouxe muita informação, mas ficou a faltar a proximidade. Tudo o que envolva relação será necessário, porque o que conta é criar valor acrescentado.” Algumas áreas vão criar mais emprego. Desde que se adaptem.

VENDAS E MARKETING

Até aqui a área comercial era garantida, tendencialmente, por profissionais não licenciados. A função, como explica Filipa Leite Castro, exigia “muita negociação e relação, mas pouca análise”. Quem vendia, vendia de tudo. Hoje já não é assim. “Mudou radicalmente. Pede-se aos profissionais que tenham capacidades de gestão.” Com isso, a função “ganhou prestígio”.

E exigência: “Antes os vendedores negociavam com merceeiros, hoje tem de ser com grandes grupos.” O marketing está também em plena revolução. Na área digital vai criar mais empregos.

“Especialistas que comuniquem através das redes sociais passaram a ser uma necessidade. O marketing digital pode valer um salário superior a mil euros em início de carreira”, disse à VISÃO Sandrine Veríssimo, da consultora Hays.

HOTELARIA E TURISMO

O turismo continua em níveis de confiança máximos. Só em 2015, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), os hóspedes na hotelaria cresceram 8 por cento. O setor é dos mais tradicionais, continuará a criar empregos, mas será cada vez mais exigente devido à crescente competitividade. Os clientes passaram a marcar online. Mas no contacto com os serviços valorizam a qualidade. Por isso, os profissionais têm de garantir “outras valências, como capacidade para trabalhar com ferramentas online”, exemplifica Filipa Leite Castro. A agressividade comercial vai crescer: “O cliente utiliza todos os meios digitais se valer a pena, mas quando chega ao hotel vai valorizar a atenção e o relacionamento.”

Outra tendência – a contrabalançar a massificação – é a busca de serviços únicos, adaptados a cada cliente.

RECURSOS HUMANOS

Há menos de uma década esperava-se destes profissionais o processamento de salários e pouco mais. “Os cursos de gestão nem sequer tinham cadeiras de recursos humanos. Hoje há executivos de grandes empresas a formarem os alunos nessa área”, lembra Filipa Leite Castro. Mais próximos do negócio, deles é esperado que “pensem a estratégia da empresa e o que se pretende dos funcionários”. Para isso, exige-se aos profissionais de recursos humanos que criem “cultura de organização e espírito de equipa”. Com a eficiência e produtividade na mira das empresas, a boa gestão de recursos humanos é agora mais valorizada e a procura de profissionais tenderá a crescer.

SAÚDE

O envelhecimento da população, mas também a preocupação com a qualidade de vida, vão continuar a criar empregos na área da Saúde. Mais uma vez, vencerá quem oferecer cuidados que vão para lá das competências técnicas. Os próprios médicos e enfermeiros recebem cada vez mais formação comportamental. As residências seniores têm vindo a ocupar espaço, e, com elas, a exigência de pessoal qualificado tenderá a crescer.

ENGENHARIA DE SOFTWARE E DE TELECOMUNICAÇÕES

A procura de especialistas nestas áreas quadruplicou nas bases de dados de empresas de recrutamento como a Hays. As funções nas engenharias e telecomunicações vão manter a dinâmica devido à constante inovação tecnológica. Informação e tecnologia tem 100% de emprego à saída da universidade.

PEQUENOS NEGÓCIOS DE PROXIMIDADE

Perto da vista, mas também perto do coração. Assim se pode resumir a tendência que leva os consumidores a usarem mais o comércio de bairro, os negócios de nicho, altamente especializados, mas também os politicamente corretos. São exemplo disso, os produtos biológicos. Mas também mindfulness, ioga ou caminhadas. “Procura-se proximidade, comodidade e melhores produtos.

A exploração de nichos criará negócios que podem ganhar escala com pouco investimento”, conclui Filipa Leite Castro. Aqui se incluem os empregos que prometem diminuir o stresse aos outros. Há cada vez mais oferta para satisfação dos interesses de cada cliente, e aí haverá também mais empregos.

SETORES DE PONTA COM APOSTA NA INVESTIGAÇÃO

A investigação é ainda um setor curto em Portugal, o que torna difícil a retenção de talentos. Mas áreas como a sustentabilidade e o ambiente tenderão a crescer. As engenharias ambientais e alimentares estão aí bem posicionadas.

Visão | TTIP: O que é nosso é nosso

O Tratado Transatlântico entre UE e EUA interessa-nos: só Portugal tem 20 produtos emblemáticos para proteger. Não está a ser fácil

Fonte: Visão | TTIP: O que é nosso é nosso

 

IP (sigla para o Tratado Transatlântico para o Comércio e Investimento) vai para a 14ª ronda negocial. Começa em Bruxelas, em julho, e promete ser dura, depois de alguns países, como França, terem ameaçado romper as negociações. Indicações geográficas

Os europeus impõem uma lista de produtos a proteger nos EUA que cobre as 10 maiores áreas de exportação dos seus mercados.

POLÉMICA

Os EUA fazem testes em animais para produtos que, no seu território, são considerados farmacêuticos, enquanto 
na Europa, identificados como cosméticos, não podem incluir experimentação animal. Nada mudará.

20 dos 150 produtos que estão na lista europeia são de origem portuguesa. A ideia é, por exemplo, evitar que o tão mundialmente reconhecido Vinho do Porto não possa ser copiado e vendido como original quando é produzido na Califórnia em vez de no Douro. É um dos pontos de maior divergência com os EUA.

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Com o TTIP pretende-se acabar com as tarifas aduaneiras entre UE e EUA no que toca os produtos têxteis e de calçado.

OS INTOCÁVEIS

Portugal tenta proteger 20 dos seus produtos mais emblemáticos:

Vinho do Porto • Vinho da Madeira • Ameixa d’Elvas • Ananás dos Açores • Azeite de Moura • Azeite do Alentejo Interior • Azeites da Beira Baixa • Azeites de Trás-os-Montes • Azeites 
do Ribatejo • Chouriça de Carne de Vinhais 
• Linguiça de Vinhais • Chouriço de Portalegre 
• Pera Rocha do Oeste • Presunto de Barrancos • Queijo de Nisa • Queijo de S. Jorge • Queijo 
de Serpa • Queijo da Serra da Estrela • Queijos da Beira Baixa (Castelo Branco • Amarelo 
e Picante) • Salpicão de Vinhais.

POUPANÇAS

Com a redução das tarifas, as equipas negociais estimam que a UE obtenha ganhos na ordem dos 450 milhões de euros por ano no têxtil e 180 milhões de euros/ano no calçado.

MEDICAMENTOS PARA CRIANÇAS

Hoje, os medicamentos para crianças têm que ser submetidos a ensaios nos EUA e na UE, para poderem ser comercializados nos dois lados do Atlântico. O que o TTIP pretende é que um só ensaio seja reconhecido nos dois mercados.

ETIQUETAS

Quando compramos uma camisola nos EUA, a etiqueta dá-nos informação distinta de uma camisola comprada na UE. O objetivo é harmonizar, poupando custos aos produtores.

“ESTAS SÃO AS NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS MAIS TRANSPARENTES ALGUMA VEZ REALIZADAS”

Daniel Rosário, porta-voz da Comissão Europeia para assuntos de comércio, sobre a ideia 
de que a UE e EUA estão a negociar nas costas das populações.

Um dia de praia com betos ou mitras? Venha o diabo e escolha

 

Fonte: Visão | Um dia de praia com betos ou mitras? Venha o diabo e escolha

 

Publicamos duas crónica do livro Somos Todos Idiotas, do humorista Diogo Faro, e propomos-lhe um desafio: identifica-se com alguma destas famílias?

O comediante Diogo Faro acaba de lançar o livro “Somos Todos Idiotas” (Esfera dos Livro) no qual publica 40 crónicas que, segundo próprio, “retratam a sociedade portuguesa ao pontapé, sem direito a caixa de comentários”.

Numa altura em que o verão chegou, ao que parece, para ficar, resolvemos juntar duas crónicas do autor de Sensivelmente Idiota que retraram dois tipos de famílias que qualquer um dos nós pode perfeitamente encontrar na próxima ida à praia. Diogo Faro relata como é um dia de praia de uma família de “betos” e numa família de “mitras”. O que lhe propomos é que leia as duas crónicas e que escolha aquela com quem preferia partilhar o areal. Ou será que o seu sentido crítico lhe permite identificar-se com alguma delas?

UM DIA DE PRAIA, NUMA FAMÍLIA DE BETOS

Para começar, o beto não é um veranista que vá a qualquer praia. Vai apenas a praias selecionadas, quais artigos gourmet de uma mercearia gourmet de um bairro gourmet.

Mas como seleccionar estas praias? Simples. Há muitas que já vêm de tradição. As famílias com mais de 17 apelidos, todos eles separados por hífenes, há séculos que para lá vão.

Depois é também preciso garantir que a plebe não vai para estas praias, porque já se sabe que pobres é pior que pombos cheios de doenças. E por isso mesmo, têm de ser praias cujo acesso não possa ser feito por transportes públicos e cujo preço da garrafa de água no bar não seja inferior a 10€. E assim sendo, salva-se a Comporta, São Martinho do Porto e mais meia dúzia delas no Algarve e no Porto.

O dia começa cedo. A mãe Tété vai acordar o Tomás Maria (Tommy), o Afonso Salvador (Fonfas), o Lourenço Sebastião (Sebas), a Constança Matilde (Coca) e a Carlota Benedita (Bé). As ninhadas de betos são sempre muito grandes e, mesmo que muitas vezes saia uma cria com trissomia 21 por causa da consanguinidade (os betos têm muito a mania de se comerem entre primos direitos), é muito raro as mães afogarem-nos à nascença. Aliás, nestes meios até fica bem. Ficam ótimos nas fotos e dão imenso jeito para a autopromoção da família nas revistas sociais.

Preparam pequenos lanches e guardam-nos nuns tupperwares lindíssimos, cheios de flores e com alarme anti-pobre incorporado para afastar sem-abrigo, que a tia Kiki faz agora no novo negócio de beta empreendedora. Atenção para não confundir com as marmitas com frango assado e pastéis de bacalhau com feijão-frade que se podem avistar na Costa da Caparica. Como as idades variam, os lanches vão desde pequenos retângulos de pão integral sem glúten que amortecem dois a dois suaves fatias de fiambre de peru que cumprimenta só com um glu, com uma folha de alface-roxa e tomate querido, até umas deliciosas quiches de salmão pedante fumado em fumo de chá preto com cogumelos das Maurícias salteados em azeite e presunção em abundância, passando claro por suculentas tarteletes de Cerelac gourmet com frutos silvestres da Floresta Negra e pitadas de futuros cargos nas Jotas.

Lá chegam à praia. Quer dizer, chegam à entrada da praia e depois demoram mais meia hora até se instalarem tal é a quantidade de amigos e primos que têm de cumprimentar – Olá, querida! ‘Ta boa? Que fato de banho giríssimo! Adoro os folhos! Foi a tia Ká que fez? – Foi! Não está o máximo? Ela abriu agora uma loja de biquínis com o dinheiro do marido, “supê” empreendedora! – E por aí fora.

Finalmente, encontram uma clareira na areia entre Bettencourt-Mello-dos-Santos-e-Silva e os Couttinho-Roquette-Relvas-Cunha-Vaz para instalar a sua sombrinha. Isso mesmo, adivinharam. E óbvio que a sombrinha foi feita pela tia Bábá que também tem uma marca e já não há paciência para falar disto e vocês já perceberam onde é que quero chegar.

A criançada, já só de fato-de-banho e crucifixo, vai a correr para a água. – Fonfas, venha cá à mãe que a mãe esqueceu-se de lhe pôr as braçadeiras e o Fonfas ainda morre para aí afogado, e depois é uma chatice porque as pessoas vão achar que foi de propósito por ser meio atrasado!

A mãe aproveita esta ocasião para carregar no protetor solar em todas as criancinhas, e sempre com o fator máximo. Até era preferível nem terem tirado as t-shirts, a bem da verdade. É que cancro da pele é chato, mas ficarem da cor das crianças romenas dos semáforos da Praça de Espanha é bem pior, um vexame completo.

Mergulhos mais tarde, as crianças vão brincar para a areia molhada. Enquanto uma delas vai chamar amiguinhos e lhes ordena que construam um castelo, outra trata dos processos burocráticos do registo predial, uma delas fica como administradora financeira do empreendimento, ainda outra implementa uma criação de cavalos e escola equestre, e a última, que quer ser atriz, faz de princesa. Claro que os seus trabalhos como engenheiro, advogado, gestor e agrónoma estão assegurados à nascença mas, ainda assim, é preciso começar já a praticar. A última é que virá a entrar no Chapitô e acabará deserdada.

Enquanto os mini-betos brincam, a betalhada já consagrada conversa (os jovens adultos desta sub-espécie não são aqui mencionados porque passam férias juntos, sem os pais, e nesta altura estão a ressacar da sua noite belíssima).

São bons momentos de conversa. Riem-se muito dos lesados do BES, choram de saudades e nostalgia dos tempos de Salazar quando tinham ainda mais terrenos e ficam perplexos quando ouvem falar das greves do Metro, porque nem sabiam que havia Metro.

O dia vai-se passando e o fim da tarde pede sangria de champanhe e frutos silvestres e canapés de lagosta no lounge chiq nice sunset amazing bar da praia. Os mini-betos são chamados para volta da mesa, não porque as mães tenham receio que se afoguem mas porque a conversa chegou à parte de exibicionismo das respectivas crias. E sempre com aquele ar de quem não dá muita importância, mas sem conseguir disfarçar bem o orgulho parental, começa o rol de “Ai, o meu Fonfas com 3 anos já fala mandarim, toca piano e dá aulas de catequese”, “Ai, a minha Coca de 16 anos já fuma, já sabe sacar gajos no Main com apelidos decentes e já sabe que antes do casamento só vale anal porque não é pecado.” Se calhar esta última parte eles não admitem em voz alta, mas sabem-no.

Enfim, o crepúsculo chega e a betalhada tem de recolher aos seus castelos. Há banhos a tomar para tirar a areia, o sal e aquela camadinha de hipocrisia depois de um dia inteiro a fingir que se gosta de toda a gente.

Amanhã há mais praia

UM DIA DE PRAIA, NUMA FAMÍLIA DE MITRAS

O mitra é uma espécie completamente diferente do beto. O mitra não vai a qualquer praia, essencialmente porque não pode e não por falta de vontade, e depois acaba por mascarar a inveja que tem dos betos com um falso orgulho nas praias que frequenta.

Assim sendo, a selecção de praias fica limitada àquelas com acesso por transportes públicos ou por carro próprio mas sem estradas de terra batida para não estragar os para-choques dos carros rebaixados. Portanto, ficam a sobrar Carcavelos, aquelas do início da Costa da Caparica, aquela do jardim do Torel no meio de Lisboa e algumas caixas de areia dos jardins infantis.

O dia começa cedo. A mãe Sheila vai acordar o Rúben Tiago, o Wilson Gerson, o Fábio Mikael, a Soraya Vanessa e a Rute Miriam. As ninhadas de mitras são sempre muito grandes porque como orgulhosos desinformados nem sabem o que é um preservativo.

Preparam pequenos lanches e embrulham à balda em guardanapos meio sujos que sobraram do jantar do dia anterior na casa dos vizinhos. Aproveitam que lá foram e roubaram uma geleira que a deles é pequena e dá mais jeito para levar a erva e conservá-la fresca, nunca se sabe quando é que vão aparecer clientes sedentos por um charrinho na praia.

Apesar de as idades dos mitrinhas variarem, os lanches são iguais para todos e vai tudo corrido à clássica “sande” mista com queijo e fiambre, cujas embalagens só não foram roubadas por eles porque a mãe dos putos os apanhou a roubar mal. Portanto, começou aos berros para toda a gente no Minipreço achar que ela estava a educar os miúdos e depois acabou por ter de ser ela a roubar os pacotes e mais uns iogurtes com aroma a labrego. Se queres as coisas bem feitas, fá-las tu. Já dizia o Al Capone, ou o Escobar, ou o Ricardo Salgado. Já não sei bem quem disse isso mas foi um bandido do género.

Lá chegaram à praia. Quer dizer, chegam à entrada da praia e demoram mais meia hora até se instalarem. Não que cumprimentem muita gente, mas os cumprimentos demoram muito tempo porque são sempre um “combo” de gestos que inclui “high 5”, choque de punhos e mais uma série de sinaléticas manuais de fazer inveja a qualquer surdo. Portanto, depois de falarem a colegas do arrastão de 2005, a grandes companheiros dos “meets” de 2014 no Vasco da Gama e ainda a alguns irmãos de armas da claque do Olivais e Moscavide, lá acham um lugar para se sentar. De mencionar que também demoraram mais a escolher o lugar porque tem sempre de ser de difícil acesso para os polícias de bicicleta.

A criançada, já só de sunga e crucifixo de plástico, vai a correr para a água. – FÁBIO MIKAAAEEEEELLLLL! Anda cá, car*lho! Ca gente esqueceu-se-nos de te enfiar nos braços estas medras e tu ainda vais de focinho à água e ficas lá a afogar-te. Olha, também digo-te já Fábio Mikael, era um descanso! Que isto de alimentar tantos bezerros, f*da-se! Vai lá, vai…

A mãe aproveita esta ocasião para voltar a não pôr protetor no Fábio Mikael. “Pode ser que o puto apanhe um “cancarozinho” na pele e a gente consiga mais um subsídio qualquer do Estado” – pensa ela.

Arrastões mais tarde, as crianças sossegam e ficam a brincar na areia molhada. Não sabem o que é um castelo, por isso fazem antes um cartel de areia. Dividem entre elas as tarefas de líder do cartel, controlador de logística no tráfico de conchas e pedrinhas, chefe de segurança (bater noutros meninos), responsável de recrutamento de mitrinhas para o gangue e a última, que não se revia nesta família, era a polícia. Anos mais tarde foi para a PJ e não verteu uma única lágrima quando prendeu o pai, os irmãos, a mãe e até a avó, que aquela velha era danada.

Enquanto os mitrinhas brincam, a mitralhada já cadastrada conversa (os jovens adultos desta sub-espécie não são aqui mencionados porque ficaram à janela do seu «cubico» a ver quem pára lá no bairro, ou foram dar giros nos seus “botes” para roubarem estações de serviço, ou quaisquer outras actividades tão divertidas quanto ilegais).

São bons momentos de conversa. Razoáveis, admitamos, porque eles não conseguem muito bem articular frases num discurso coerente, e às vezes nem sequer palavras suficientes conseguem articular para fazer uma frase. Mas lá falaram dos corruptos dos banqueiros e dos políticos, que conseguem roubar ainda mais que eles, falaram do seu Benfas e do filha de uma “ganda” p*ta que lhes roubou um penalty e cuspiram no aumento do passe do Metro e nesses gajos que lá fingem que trabalham e só querem é estar de greve.

O dia vai-se passando e o fim da tarde pede sangria de pacote do LIDL e umas pevides, para se fazer uma competição de quem consegue cuspir a casca para mais longe enquanto se apoia só na perna direita e aperta os testículos com a mão esquerda. Bom jogo.

Os mitrinhas são chamados para se juntarem ali à volta do porta-bagagens aberto onde se sentam os mitras, no seu “bote” no parque de estacionamento da praia. Os vários mitras amigos ali reunidos exibem as suas crias com um orgulho visceral. “Pá, este cabrãozinho aqui já bate nos colegas todos da turma. Mas também era o que faltava não bater, tem 10 anos e ainda está na primeira classe”, “E a minha mai nova? F*da-se c’orgulho! 14 aninhos e já está grávida. Sai mesmo à mãe!” e tantas outras semelhantes proezas embandeiradas em arco (agora é que lixei os mitras que estavam a ler esta crónica porque eles não sabem o que quer dizer esta expressão).

Enfim, o crepúsculo (outra) chega e a mitralhada tem de recolher aos seus bairros. Não há banhos para tomar, porque aquela camadinha de areia, sal e surro, se for bem grossa, os protege de facadas dos gangues rivais. Sempre são menos hipócritas no que diz respeito a fingir que gostam uns dos outros.

Expresso | Estudo mostra que colégios inflacionam notas

Investigadores da Universidade Porto analisaram mais de três milhões de classificações em exames e notas internas

Fonte: Expresso | Estudo mostra que colégios inflacionam notas

 

Desde que existem exames no ensino secundário, o padrão repete-se: a esmagadora maioria dos alunos tem notas mais altas na escola, dadas pelos seus professores, do que nas avaliações nacionais. Nada de estranho, se se pensar que as classificações internas refletem muito mais do que um desempenho num teste de duas horas. A questão é saber se há estabelecimentos de ensino mais ‘generosos’ do que outros. Uma equipa de investigadores da Universidade do Porto analisou mais de três milhões de classificações de exames e as respetivas notas internas, ao longo de 11 anos, e chegou à conclusão que os privados são os que mais “inflacionam” os resultados, em comparação com as escolas públicas e mesmo com os colégios que têm contrato de associação (particulares mas financiados pelo Estado).

A investigação foi agora publicada na revista “Higher Education”, com o título “Injustiça no acesso ao ensino superior: uma comparação de 11 anos sobre a inflação de notas nas escolas secundárias públicas e privadas em Portugal”. Os autores, do Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE) da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação do Porto, analisaram os desvios entre notas internas e de exame e concluíram mesmo que as discrepâncias podem ser determinantes para entrar ou ficar de fora de um determinado curso.

“Os estudantes dos colégios independentes, geralmente de classes socioeconómicas mais altas, beneficiam de uma vantagem injusta na competição pelas limitadas vagas no ensino superior público”, lê-se no sumário da investigação de Gil Nata (da Universidade Portucalense), Maria João Pereira e Tiago Neves. Além disso, acrescentam, esta inflação de notas nos colégios tem sido uma constante ao longo do período analisado (de 2001/02 a 2011/12). “Quando vemos os gráficos ano a ano é incrível a regularidade com que o fenómeno se repete”, sublinha ao Expresso Tiago Neves.

Há anos que existe a ideia de que, regra geral, é mais fácil ter notas mais altas nos colégios pagos do que na escola pública – em cada cidade é conhecida a fama de uns e outros. E foi este o ponto de partida para a investigação. “Se esta suposição for verdadeira, isso significa que as possibilidades de aceder ao ensino superior estão a ser injustamente aumentadas, com o processo de acesso à universidade a reproduzir e consolidar as desigualdades socioeconómicas”, justificam os autores. O problema será ainda mais grave num país em que, apesar da abertura da Universidade, continua a haver uma sobrerrepresentação das famílias com mais habilitações, sobretudo nos cursos que exigem notas de ingresso mais elevadas.

Para analisar a hipótese, os investigadores começaram por calcular a diferença média, a nível nacional, entre as classificações nos exames e as notas dadas nas escolas. Por exemplo, os alunos que têm média de dez nas provas nacionais, que média têm na escola? E quando têm um 12? De seguida foram ver para cada tipo de escola (privada independente, com contrato de associação e pública) se se afastava ou aproximava daquela diferença média, ou seja, se se comportava como o padrão normal ou não. Se um certo afastamento entre classificações de escola e de exame é natural, já não há razão para que as escolas se comportem de forma diferente consoante o seu estatuto, explica-se na investigação. Mas é o que acontece. Os colégios independentes afastam-se sempre mais do desvio médio (ver gráfico), sobretudo ao nível das notas entre os 12 e os 15 valores nos exames – o desvio face à diferença média nacional chega a atingir um valor.

A IMPORTÂNCIA DE UM VALOR A MAIS

Para Rodrigo Queiroz e Melo, da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo, os dados mostram como o ensino secundário “está contaminado pelo acesso ao superior” e como as notas internas são pensadas em função de uma média de candidatura. O facto de o ingresso na universidade estar dependente das médias faz com que haja um “incentivo à subida das notas internas”, admite, ressalvando que os maiores desvios só acontecem “em determinado grupo de escolas privadas e a partir de determinado valor no exame”.

“Se o estudo separasse as secundárias das grandes cidades, que têm um tipo de aluno semelhante ao dos colégios e que são muito competitivas no acesso ao superior, os resultados não seriam os mesmos?”, interroga. As conclusões não surpreendem Filinto Lima, da Associação Nacional de Diretores e Agrupamentos e Escolas Públicas: “Há muitos alunos que frequentam a escola pública e no 11º ano mudam para um colégio, porque percebem que não vão ter a avaliação de que precisam para entrar no curso que querem e sabem que no privado mais facilmente conseguirão notas altas.”

O “enviesamento existe” e resolvia-se se a avaliação do secundário deixasse de ser a base de acesso ao superior, defende o presidente da Confederação das Associações de Pais, Jorge Ascenção. “O secundário deveria ser terminal e certificante, sendo o acesso ao ensino superior feito pelas universidades, que definiriam os critérios de entrada, fariam os exames…”

A verdade é que um valor a mais pode mudar a sorte de um aluno. Na investigação mede-se esse impacto e conclui-se que, nos dez cursos com médias mais elevadas (onde se integra Medicina, por exemplo), meio valor corresponde a uma subida de 60% na posição na lista de acesso e um valor a uma subida de 90%. Perante estas conclusões, que “levantam sérias e muito concretas dúvidas sobre a justiça do acesso ao ensino superior”, a equipa da Universidade do Porto considera que é “essencial debater soluções que ajudem a resolver este aspeto tão importante na sociedade”.

Expresso | Público e privado: quem se sai melhor?

“Muito provavelmente é a franja de jovens mais desfavorecidos, que estão apenas nas escolas públicas e que normalmente têm resultados muito fracos que puxa os resultados médios para baixo.

Fonte: Expresso | Público e privado: quem se sai melhor?

 

números, já se sabe, podem sempre ser puxados para o lado que mais interessa. E se o tema é sensível, como aquele que tem marcado a agenda da Educação nos últimos meses, a tentação será ainda maior. Feita a introdução, apresentem-se os dados do estudo mais recente no âmbito projeto Aqeduto, uma parceria entre o Conselho Nacional de Educação e a Fundação Francisco Manuel dos Santos, desta vez dedicado à questão “Público ou privado: há um modelo perfeito?”

Olhando apenas para os resultados obtidos no PISA de 2012 (o enorme estudo internacional da OCDE), fica evidente que os alunos das escolas privadas independentes, que cobram propinas e podem escolher os alunos, saíram-se muito melhor do que todos os outros. E que inclusivamente a diferença se acentuou comparando com a edição de 2003 do mesmo estudo. Depois aparecem os estudantes do chamado ensino “privado dependente do Estado” que, no caso de Portugal, corresponde aos colégios com contrato de associação. Conseguiram uma média de 515 pontos na escala utilizada no PISA e que fica acima da média de 494 registada nesse ano. E abaixo, com 480 pontos, surgem os da escola pública.

Temos portanto resposta à pergunta? Os colégios com contrato de associação são melhores do que o público? Retiramos desde já da equação o ensino privado que só as famílias de maiores rendimentos podem pagar. Porque neste caso não é preciso investigações e análises estatísticas para perceber que as amostras não são comparáveis. Por exemplo, na percentagem de pais licenciados, que apresenta uma diferença “abismal” face ao ensino estatal. Os investigadores notam até que Portugal é o país, entre 11 comparados, onde esta separação é mais visível. “A escola privada independente é exclusivamente frequentada por alunos de classes sociais elevadas.”

Mas olhando para a composição dos colégios com contrato de associação, Portugal também é o país onde existe uma “maior heterogeneidade de classes sociais”. Ainda que, ressalve-se, a “franja mais desfavorecida frequente exclusivamente a escola pública”.

ESCOLA PÚBLICA DE TODOS

E é neste pormenor que estará a explicação para um segundo dado, que neste caso pode ser invocado pelo outro lado da contenda. Os autores do estudo foram ver como se saíram os estudantes que frequentam os três tipos de escolas e que apresentam características semelhantes: de chumbos, de estatuto socioeconómico e de localidades de dimensão semelhantes. Fazendo isso, a diferença média que foi encontrada entre ensino público e privado dependente do Estado (em favor deste último) esbate-se quase por completo e não é estatisticamente relevante. Nesta amostra homogeneizada, a média dos alunos das públicas foi de 517 pontos a e dos colégios com contrato de associação chegou aos 519.

“Muito provavelmente é a franja de jovens mais desfavorecidos, que estão apenas nas escolas públicas e que normalmente têm resultados muito fracos que puxa os resultados médios para baixo. Ao retirarmos esse extremo, as médias aproximam-se. A propriedade da escola não parece afetar o desempenho da maioria dos alunos portugueses que frequenta estabelecimentos públicos ou do ensino privado independente do Estado”, diz Ana Sousa Guerreiro, uma das investigadoras do Aqeduto.

O estudo não se fica pela análise do que acontece em Portugal e demonstra que o padrão da distribuição dos resultados por natureza de escola, regra geral, repete-se. Mas em 2003, em Portugal as classificações no PISA nos colégios com contrato e as públicas tinha sido semelhante.

“Os resultados mostram uma tendência para as escolas privadas dependentes do Estado puxarem os resultados mais para cima. Mas também é a pública que recebe todos os alunos. Os que não gostam da escola, os que não estudam, os que não têm apoio em casa. E isso, obviamente, torna mais difícil a subida. Ainda que esteja a fazer um caminho importante”, explica Ana Sousa Guerreiro. “Sabemos que as mudanças têm muito a ver com as direções dos agrupamentos, com as dinâmicas criadas. O que importava era que o Ministério avaliasse porque é que escolas em contextos difíceis conseguem superar as dificuldades e outras na mesma situação continuam muito mal”.

O estudo mostra ainda que o modelo das escolas públicas é claramente maioritário. Mas que isso não diz nada sobre os resultados. Finlândia e Polónia têm quase 100% dos seus alunos de 15 anos em escolas públicas e apresentaram dos resultados mais altos no PISA. Já em Portugal, a percentagem também é elevada (90%) e os desempenhos ficaram aquém da média da OCDE. Holanda e Irlanda funcionam sobretudo com escolas privadas financiadas pelo Estado e os resultados são igualmente bons.

Brexit – E depois do adeus?

O brexit venceu com 51,7%. Mais de um milhão de votos de diferença. Quais serão as consequências para a União Europeia do resultado do referendo britânico? Quão perigoso poderá ser o efeito dominó? Pode o Reino Unido correr risco de desagregação? E David Cameron, até quando será primeiro-ministro?

Fonte: Brexit – E depois do adeus?

 

“O que está feito está feito”, diz Lady Macbeth, na peça de Shakespeare, depois de o marido matar o rei Duncan. E sim, agora sim, está feito. Os britânicos votaram para abandonar a UE. Deram uma facada na Europa. Resta saber quais serão as consequências dos ferimentos para a união e para o próprio Reino Unido.

Nos últimos dias de campanha as sondagens apontavam para uma vitória do bremain, as que foram divulgadas logo após o fecho das urnas indicavam o mesmo caminho, mas tudo começou a inverter-se durante a contagem. Passava pouco das 04:30 quando as principais estações televisivas britânicas baixaram as armas e assumiram que o brexit sairia vencedor da longa contagem de votos.

Assim foi: 51,7% dos britânicos votaram a favor da saída. Só a Escócia (61,9% contra 38,1%) e a Irlanda do Norte (55,8% contra 44,2%) votaram pela permanência.

E agora, David Cameron? Durante a campanha, o primeiro-ministro britânico garantiu que se o brexit vencesse ele invocaria imediatamente o artigo 50 do Tratado de Lisboa. A partir desse momento começa a contagem decrescente de dois anos para o Reino Unido abandonar completa e definitivamente a União Europeia.

Manterá David Cameron a promessa? Foi por cumprir promessas que o Reino Unido chegou até aqui. Pressionado pela ala mais eurocética do Partido Conservador e perante o crescimento nas sondagens dos independentistas do Ukip, Cameron garantiu que se fosse reeleito nas legislativas de 2015 convocaria um referendo sobre a permanência na UE. Sim, cumpriu a promessa. O Reino Unido está fora da Europa.

Quando invocará David Cameron o artigo 50? Os partidários do brexit tentarão adiar esse momento para ganhar tempo de negociação. A UE poderá fazer pressão no sentido contrário, para mostrar aos outros estados-membros que “o que está feito está feito” e assim tentar travar um possível efeito dominó.

David Cameron apresentou a demissão. O líder do Partido Conservador sempre disse que não o faria mesmo perdendo o referendo, mas esta sexta-feira admitiu que o Reino Unido precisa de outra liderança para negociar a saída da UE. Quem será o senhor (ou a senhora) que se segue? Os analistas avançam dois nomes para a sucessão: Boris Johnson, ex-presidente da câmara de Londres e o principal rosto da campanha pelo Brexit, e Theresa May, a atual ministra da Administração Interna. Michael Gove, ministro da Justiça e outro defensor da saída, também poderá entrar na corrida.

E agora, Europa? O referendo no Reino Unido, ainda antes de o resultado ser conhecido, mostrou-se uma fonte de inspiração para os políticos eurocéticos europeus. Em Itália, Beppe Grillo, líder do Movimento 5 Estrelas – que nas eleições municipais conquistou as autarquias de Roma e Turim -, já disse que quer um referendo sobre o euro e outro sobre a UE. Em França, Marine Le Pen da Frente Nacional, que lidera as sondagens para a primeira volta das presidenciais do próximo ano, já garantiu que se for eleita chamará os franceses a referendar a Europa. Em Holanda e na Dinamarca também há movimentações no mesmo sentido. E agora, Europa? Será possível travar o contágio? Será a União Europeia capaz de estancar o sangue, de fechar a ferida aberta pela facada desferida pelo Reino Unido?

E agora, Reino Unido? Há dois anos, 55,3% dos escoceses votaram contra a independência. Em grande parte o resultado justificou-se pela vontade de continuar na União Europeia. Agora tudo indica que poderá voltar a haver um referendo na Escócia, que ontem votou 62% a favor do bremain. Também a Irlanda do Norte sentir-se-á tentada a fazer o mesmo. Durante a madrugada de contagem dos votos, Declan Kearney, membro do Sinn Féin, diz que o partido poderá promover um referendo sobre a permanência no Reino Unido ou uma eventual união com a República da Irlanda.

Sim, o que está feito está feito. Nigel Farage, do Ukip, diz que hoje é “o dia da independência”. E agora? O que irá acontecer a seguir? O que fará um Reino Unido independente da Europa? O que será uma UE sem o Reino Unido?

Opinião – Ao lodo o que é lodo

Texto de Fernanda Câncio

Cristiano Ronaldo agarrou num microfone do canal de TV do Correio da Manhã e mandou-o para o fundo de um lago. Crime, gritaram o presidente da Comissão da Carteira de Jornalistas e o CM. Este último vai também, fomos ontem informados, processar, por boatos e difamação, “as redes sociais”.Para a empresa que passa a vida a cometer crimes à vista de toda a gente, a difamar e publicar boatos e defende isso como “liberdade de expressão e informação”, acusando de tentativa de “pressão”, “censura” e “mordaça” quem a critique ou processe, pode afinal haver limites à liberdade de expressão. Ou se calhar acha que calúnia é produto da sua região demarcada. Quanto ao presidente da instância de auto-regulação dos jornalistas, a única com poder para punir quem atenta contra os respetivos deveres, deve ter acordado de coma profundo. Haver pessoas com carteira de jornalista a fotografar e filmar às escondidas, constituindo-se como assistentes em processos para poderem violar o segredo de justiça, a acusar disto e daquilo sem sequer tentar ouvir os acusados, a fazer imputações falsas e devassa da vida íntima, a pedir a constituição de arguidos, a passar áudios de escutas e vídeos de interrogatórios na TV; haver publicações que se especializam na violação de todos os preceitos deontológicos estatuídos na lei do Estatuto de Jornalista, que tem a Comissão da Carteira como instância fiscalizadora; tal nunca suscitou ao seu presidente um ai ou lhe deu motivos para instaurar processos. Arremessar um microfone é que não pode ser: essa parte do Estatuto, a que prevê como crime de “atentado à liberdade de informação”, com prisão até dois anos, a apreensão ou dano de “quaisquer materiais necessários ao exercício da atividade jornalística”, parece ser a única que a pessoa em causa, de nome Henrique Pires Teixeira, jurista e diretor do jornal regional A Comarca, conhece e valoriza.Sim, é e deve ser crime atentar à liberdade de informar. O jornalismo é fundamental e deve ser protegido. O jornalismo. É em nome desse princípio, e das normas que regem uma sociedade civilizada, que há pessoas de bem a condenar o que Ronaldo fez. Têm toda a razão: numa sociedade civilizada, os conflitos resolvem-se “nas instâncias próprias”. Mas numa sociedade civilizada os tribunais não estão mancomunados com os tablóides ou reféns deles (sabe-se o que sucede a juízes quando decidem em seu desfavor) e as indemnizações não fazem o crime compensar. Numa sociedade civilizada as instâncias de regulação não permitem que uma carteira profissional seja salvo-conduto para cometer crimes. Numa sociedade civilizada os jornalistas demarcam-se da contrafação jornalística. Numa sociedade civilizada, as pessoas de bem unem-se contra o mal.Não vivemos numa sociedade assim. É isso que o espantosamente sereno gesto de Cristiano Ronaldo, devolvendo o logo da CMTV ao seu habitat natural, nos diz. E que, se nós nos conformamos, ele não. Valente.(A autora tem um conflito judicial com a empresa do Correio da Manhã)

Fonte: Opinião – Ao lodo o que é lodo

E a União Europeia é um projecto falhado – PÚBLICO

Texto de Francisco Louçã

Enganei-me na previsão sobre o resultado do referendo, pois admiti que a morte de Jo Cox tinha invertido as emoções que concluiriam uma campanha povoada de demagogia contra os imigrantes (dos dois lados, dos chefes do “Brexit” sugerindo a xenofobia e dos chefes do “Remain” negociando com Bruxelas a restrição dos direitos dos cidadãos europeus imigrados no Reino Unido).Agora, contados os votos, só se pode concluir que, no argumento e na preparação para o futuro, o Reino Unido não sabe para onde vai – mas rejeita continuar numa União que não vai para lado nenhum. Falhou a aventura de Cameron, que foi apoiada a contragosto pelas autoridades europeias, mas a Escócia pode a partir de hoje escolher ser independente e a Irlanda pode escolher unificar-se, pelo menos duas consequências merecidas. Na Europa, tudo mau: falharam os subterfúgios, falhou a interpretação dos tratados a la carte, falhou o medo dos grandes mas cresce o medo dos pequenos.A UE não tinha mais nada para oferecer se não esse medo, foi a esse ponto que caiu. E os seus líderes sempre pensaram que bastaria. Não perceberam – será desta? – que perderam todos os referendos importantes até agora: sobre a Constituição Europeia, sobre tratados, agora sobre a própria pertença e logo na segunda maior economia da União. Quando aceitam consultar os povos, momento raro, et pour cause, arriscam-se a perder e isso diz tudo sobre o que tem vindo a ser a “construção europeia”.O choque chegou hoje. Agora, liquidez para os mercados financeiros, negociação relâmpago com o Reino Unido sobre as condições de saída, quais regras de tratados (que implicariam um processo até dois anos, com votos do parlamento europeu e acordo dos outros governos) e o discurso de sempre para quem está: aguenta, aguenta.Acompanhe o “Brexit” ao minutoTerão os líderes europeus a tentação de correr em frente, nomear um ministro das finanças, esquartejar os orçamentos nacionais, fazer do euro o santo e a senha da concentração de poderes, normalizar as políticas neoliberais no mercado de trabalho e na segurança social? Hollande, um político da craveira de Cameron, acha que Paris vale bem a missa de uma proibição do direito de manifestação para impor essa visão sobre o emprego. E, se isto é Hollande, então Merkel decidirá o que quer pois quem manda, manda. E assim vai a liderança europeia na sua diversidade uniforme.Lembra-se de quando os socialistas defendiam o pleno emprego? Esqueça. Os socialistas franceses agora defendem o fim dos contratos de emprego, à FMI. Um socialista holandês dirige a fronda das sanções contra Portugal e Espanha, à Schauble. Um socialista alemão é o ajudante de Merkel, à Gabriel. E isso esclarece o que podemos vir a ter pela frente: depois da desorientação, a corrida para garantir mais poder aqueles cujo poder está a destruir a Europa.Para Portugal, mais um susto nas exportações, mas muito mais um susto político. Se e quando vierem as sanções, se a tanto atrevimento chegar a violência das instituições europeias agora imbuídas de um novo espírito de missão desesperada, só poderemos então concluir que a absoluta discricionariedade tomou conta da política europeia, que a falta de soberania se paga com a vulnerabilidade da democracia.O sonho acabou. A União Europeia é um projecto falhado.

Fonte: E a União Europeia é um projecto falhado – PÚBLICO

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