Ao longo desta década foram emergindo dezenas de teorias da conspiração. Cinco delas ganharam maior notoriedade e ainda hoje são defendidas pelos teóricos da conspiração; mas já lá iremos.

De acordo com uma sondagem da Gfk NOP para o programa da BBC The Conspiracy Files: 9/11 – Ten Years On conclui-se que 14 por cento das pessoas inquiridas no Reino Unido e 15 por cento nos EUA não acreditam na explicação oficial de que foi a rede terrorista Al-Qaeda a responsável pelos ataques. Acreditam antes que foi uma célula avançada composta por elementos do Governo norte-americano que esteve envolvida numa larga conspiração belicista, de forma a poder justificar as acções militares posteriores no Afeganistão e Iraque.

Fora dos países anglófonos, especialmente nos países muçulmanos, as teorias da conspiração ganharam ainda mais notoriedade. Um inquérito levado a cabo em 2008 em 17 países concluiu que as pessoas inquiridas em nações do Médio Oriente eram mais propensas a referir outro responsável que não a Al-Qaeda pelos ataques terroristas de 2001.

Mesmo o Presidente Barack Obama, num discurso proferido em Junho de 2009 para o mundo árabe, disse: “Tenho noção que algumas pessoas questionam ou justificam os acontecimentos de 11 de Setembro. Mas sejamos claros: a Al-Qaeda matou cerca de 3000 pessoas nesse dia”.

Desde o 11 de Setembro que foram redigidos milhares de relatórios oficiais, foram levadas a cabo milhares de investigações por parte do Congresso e inquéritos por parte do National Institute of Standards and Technology e, até agora, não foi encontrada nenhuma prova da existência de uma conspiração com a mão do Governo americano.

Porque é que as pessoas se agarram a estas teorias da conspiração? Talvez por ser mais tranquilizador pensar que um evento desta envergadura não possa ter sido desencadeado apenas com recurso a 19 jovens que, armados com x-atos e facas, conseguiram numa manhã destruir três símbolos maiores do império americano (as duas Torres Gémeas e o Pentágono). É, efectivamente, difícil de entender como é que um grupo avançado de uma rede terrorista levou a melhor sobre um dos exércitos mais poderosos e tecnologicamente evoluídos do mundo.

O criador e produtor da série televisiva Ficheiros Secretos [The X-Files], Frank Spotnitz, ofereceu à BBC a sua própria explicação sobre a persistência das teorias da conspiração: numa era de ansiedade, em que não sabemos em quem confiar e em quem acreditar, as teorias da conspiração oferecem “a chave mágica que faz com que todas as peças se encaixem”, permitindo que o nosso mundo incerto passe a fazer sentido.

De entre todas as teorias da conspiração que foram emergindo ao longo dos anos, há cinco que ainda hoje permanecem vivas e são alimentadas pelos teóricos que acreditam que os ataques tiveram interferência americana. Resumimos agora essas teorias, com a ajuda da BBC.

1 – As Torres Gémeas foram demolidas 

Os teóricos da conspiração questionam porque é que as Torres Gémeas ruíram tão depressa, em consequência de incêndios que duraram menos de duas horas (56 minutos na Torre 2 e 102 minutos na Torre 1). Os conspiradores acreditam que, em vez de ruírem por acção do fogo, as torres foram demolidas e referem haver relatórios que indicam que se ouviram explosões pouco antes do colapso.

Os relatórios oficiais do National Institute of Standards and Technology concluíram que os aviões causaram danos irreversíveis na estrutura de suporte do edifício.

Os aviões iam carregados de combustível, que se espalhou por vários andares na altura do impacto causando incêndios generalizados que fizeram aumentar a temperatura no interior do edifício para valores superiores a 1000 graus centígrados, fazendo com que vigas e colunas começassem a dobrar-se e a ceder.

De acordo com o American Institute of Steel Construction, o aço perde cerca de 50 por cento da sua força quando sujeito a temperaturas de cerca de 600 graus centígrados e a cerca de 1000 graus centígrados a sua força é provavelmente menos de dez por cento.O peso dos pisos de cima a caírem – como um baralho de cartas – nos pisos abaixo originou sons semelhantes a explosões e gerou uma dinâmica descendente uma vez que forçou as colunas a um peso para o qual não tinham sido desenhadas.

De acordo com os relatórios oficiais, nunca foram encontrados vestígios de cargas explosivas nem colunas pré-cortadas que pudessem indicar ter-se tratado de uma implosão controlada.

2 – O Pentágono foi atingido por um míssil

Como é que um piloto amador aos comandos de um avião comercial poderia ter levado a cabo a complicada manobra de chocar contra o mais poderoso edifício militar do mundo deixando pouquíssimos vestígios de fuselagem? Os teóricos da conspiração acreditam que não foi um Boeing 757 mas antes um míssil ou um aparelho não pilotado (um drone, semelhante àqueles que os EUA usam no Afeganistão) que atingiu o edifício.

Os relatórios oficiais dão conta, porém, que foram encontradas as caixas negras do voo 77 da American Airlines no local e que estas foram catalogadas pelo FBI. Testemunhas afirmam também terem visto o avião a embater contra o edifício e foram identificadas amostras de ADN de alguns passageiros e de membros da tripulação que viajavam a bordo desse voo.

3 – Porque ruiu o edifício 7 do World Trade Center?

Os teóricos da conspiração questionam: porque é que ruiu um arranha-céus que não foi atingido por nenhum avião e que nem sequer era um dos edifícios imediatamente adjacente às Torres Gémeas? Porque é que ruiu esse em particular e mais nenhum outro (à excepção das torres atingidas)? Os conspiradores argumentam que este edifício foi estrategicamente demolido porque nele estavam instaladas unidades governamentais sensíveis.

Os relatórios indicam que o edifício 7 do World Trade Center sofreu dois tipos de danos que, separadamente, não causariam a destruição do edifício mas que, em conjunto, causaram o seu colapso. O primeiro dano foi causado pelos imensos estragos causados na fachada sul do prédio, tal como foi mostrado pelas imagens captadas pelo helicóptero de trânsito da ABC no próprio dia, e que causou a destruição de inúmeros pilares. O segundo dano, maior, foi causado pelos incêndios que estiveram activos durante sete horas, por causa de falhas de pressão de água no combate aos fogos. Estes dois factores acabaram por contribuir para o enfraquecimento das restantes colunas, originando a derrocada do arranha-céus.

4 – O avião que se despenhou na Pensilvânia foi abatido

Os teóricos da conspiração acreditam que o voo 93 da United Airlines foi pulverizado em pleno ar por um míssil americano uma vez que a disposição dos destroços em terra não era compatível com uma queda “normal”.

Os conspiradores acreditam que este avião foi abatido porque os passageiros teriam descoberto a verdade sobre a alegada conspiração americana.

Uma mulher que, logo após o acidente, tirou uma fotografia à nuvem em forma de cogumelo em resultado da queda do aparelho queixou-se de ter sido assediada pelos teóricos da conspiração, que argumentam que ela forjou a fotografia. O FBI, o Smithsonian e o National Park Service’s Flight 93 National Memorial consideram a fotografia autêntica.

Hoje mesmo, quase uma década depois da tragédia, foi divulgado um vídeo amador que mostra a coluna de fumo que se formou após a queda do voo 93 que teria como alvo o Capitólio, em Washington D.C.

Os relatórios concluíram – após escuta de várias mensagens gravadas no cockpit – que houve uma revolta de passageiros a bordo e que os piratas do ar despenharam deliberadamente o aparelho contra o solo.

5 – O Exército não travou os ataquesOutra pergunta apresentada pelos conspiradores é a seguinte: porque é que um dos exércitos mais poderosos do mundo não conseguiu interceptar nenhum dos quatro aviões que foram desviados? Os teóricos da conspiração argumentam que foi o próprio vice-presidente de então, Dick Cheney, que ordenou ao Exército que não interceptasse os aparelhos.

Soube-se depois que, nesse dia 11 de Setembro, decorria um exercício militar de rotina e que houve falhas de comunicação entre o controlo aéreo civil (da responsabilidade da Federal Aviation Administration) e o controlo aéreo militar.

De acordo com a BBC, o equipamento militar estava igualmente desactualizado, mais virado ainda para uma ameaça do tempo da Guerra Fria do que para uma ameaça oriunda de uma rede terrorista islâmica.

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