É raro discordar de Manuel António Pina. Eis mais um texto que subscrevo integralmente:

http://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=1781449&opiniao=Manuel%20Ant%F3nio%20Pina

Vinhais merecia mais do que ser metida pela sua Câmara (a martelo, pois que a lamentável coisa nem sequer tem história na região) no retrógrado rol das povoações onde, em pleno século XXI, ainda há quem se divirta com o sofrimento e a tortura de animais.
O brutal e primitivo espectáculo da tourada está em decadência por todo o lado onde ainda penosamente sobrevive, especialmente em Espanha, onde, por razões éticas e civilizacionais, 73 cidades (e regiões inteiras, como a Catalunha e as Canárias) se declararam já antitouradas, e onde a própria TVE as excluiu da programação; igualmente em países para onde Espanha as “exportou”, como a Colômbia, o Equador ou a Venezuela, se multiplicam hoje as cidades antitouradas; e o mesmo em França e em Portugal. Entre nós, a primeira cidade antitouradas foi Viana do Castelo, cuja autarquia, porque “o espírito de cidade moderna e progressista deve estender-se ao respeito pelos direitos dos animais”, adquiriu a praça de touros local para aí fazer um Centro de Ciência Viva.
É neste contexto civilizacional que Vinhais, onde nunca se haviam realizado touradas antes de a actual Câmara ter promovido uma, decide andar às arrecuas e desacreditar a tradicional Feira do Fumeiro sujando-a com violência e sangue. Tudo, claro, pelos melhores e mais “culturais” motivos, designadamente a “preservação dos bovinos de raça mirandesa” (que nem são próprios para touradas…)
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