Noção muito geral que designa o conjunto dos processos de transformação que afectam, quer os organismos vivos, quer as instituições humanas (sociedade, cultura, economia, etc.), quer ainda as suas diferentes propriedades. Na maioria das vezes este termo é portador de conotações continuístas e finalistas, sendo, então, próximo do de evolução; o desenvolvimento conduz a entidade concernente de um estado inicial, reputado de simples ou primitivo, até um estado final considerado mais complexo, mais estável, e até mesmo definitivo. 
A filogénese pode ser interpretada em termos de desenvolvimento; pelo efeito combinado das mutações aleatórias e da adaptação às características do rneio, as espécies evoluiriam de formas simples até à forma particularmente complexa que constitui o homem. 
Em psicologia, esta noção é sobretudo utilizada para designar os factos de evolução que caracterizam a ontogénese; falar-se-à assim de desenvolvimento cognitivo, desenvolvimento afectivo, desenvolvimento da personalidade, etc, 
Um dos problemas fundamentais que se coloca neste domínio é o da identificação dos factores de desenvolvimento; ou mais precisamente do peso respectivo dos diferentes factores potenciais. É possível distinguir quatro tendências principais. 
A. Gesell inicia, em 1929, uma corrente que defende que o desenvolvimento humano é essencialmente regulado pelos factores internos, em particular pela rnaturação do equipamento biológico. Para o construtivismo piagetiano, o desenvolvimento é o produto das interacções entre organismo e meio, sendo as próprias interacções reguladas por mecanismos funcionais de carácter inato (assimilação, acomodação, equilibração). Nestas duas perspectivas, o desenvolvimento é contínuo e hierarquizado; as novas capacidades comportamentais aparecem segundo uma ordem fixa e algumas destas fases de desenvolvimento caracterizam-se por uma reorganização funcional geral . 
No seguimento de L. S. Vygotsky, o interaccionismo social postula a existência de duas fileiras de desenvolvimento, a primeira assente na acção dos factores internos, e a segunda resultando da apropriação e depois da interiorização, por parte do indivíduo, de significações sócio-históricas pré-construídas. Nesta opção, o desenvolvimento apresenta um carácter descontínuo; com a apropriação das significações do grupo, a própria natureza do desenvolvimento muda, passando do biológico ao sócio-histórico. 
Finalmente, para o behaviorismo, o desenvolvimento é o produto da aprendizagem e está, portanto, sob o efeito do meio e mais precisamente das contingências de reforço; traduz-se essencialmente por um enriquecimento do repertório comportamental. É nesta última perspectiva que podem ser estudadas as interacções dialécticas entre desenvolvimento do meio (evolução dos conhecimentos, da cultura das condições económicas) e desenvolvimento psicológico. 
Enquanto nas concepções precedentes, a idade adulta (ou maturidade) constitui, implícita ou explicitamente, o termo do desenvolvimento, uma concepção recente (life-span developmental psychology, ou «desenvolvimento vida-inteira») aplica a noção de desenvolvimento ao conjunto do ciclo de vida, incluindo portanto no seu objecto as diferentes transformações que se produzem na vida adulta, incluindo os processos de degenerescência e de morte.
Anúncios