Na sua acepção geral, este termo designa o conjunto dos processos pelos quais  alguns elementos do mundo exterior estão integrados no funcionamento mental de um sujeito, sob forma de representações que contribuem para a reorganização das estruturas afectivas ou cognitivas anteriores. Na psicologia desenvolvimental de]. Piaget,  este termo remete mais particularmente para os mecanismos pelos quais os produtos das actividades de assimilação e de acomodação, regulados pelos esquemas sensorimotores, são reconstruídos e coordenados no plano mental. A interiorização constitui, com a diferenciação, o principal processo que conduz à emergência da função semiótica, e ulteriormente ao desenvolvimento do pensamento representativo sob a sua forma operatória . Em L. S. Vygotsky e nos defensores do interaccionismo social, este termo designa o processo de apropriaçâo e de reconstrução das significações sócio-históricas veiculadas pela linguagern dos que estão em volta, que se traduz, de início, pelo aparecimento da linguagem interior, depois pelo desenvolvimento do pensamento verbal propriamente dito. Em psicanálise, esta noção é por vezes utilizada como sinónimo de introjecção (nomeadamente pela escola kleiniana) e por vezes como sinónimo de identificação. Ela é também utilizada, de maneira mais específica, para designar os processos de reconstrução, a nível intrapsíquico, de relações interpsíquicas (interiorização da relação de autoridade pai-criança, sob a forma da relação Superego-Ego). Tal como a representação, no seu sentido psicanalítico, este processo pressupõe que esteja realizada a diferenciação estrutural do aparelho psíquico (consciente, pré-consciente, inconsciente), que permite que as relações de conflito sejam vividas neste nível. 
I-P. Bronckart 
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