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Mês

Novembro 2010

Biologia ou Cultura?





O drama de um menino canadiano criado como rapariga após perder o pénis num acidente durante uma cirurgia nos anos 1960 é o tema do documentário que a estação britânica BBC irá transmitir esta semana.
Os irmãos gémeos Bruce e Brian Reimer nasceram perfeitos, mas aos sete meses a dificuldade que ambos mostravam em urinar fez com que os seus pais os levassem ao hospital. Sob orientação médica, foi decidido que os meninos deveriam ser circuncisados, o que aconteceria no próprio dia. Mas na manhã seguinte, os pais receberam um telefonema devastador: tinha havido um acidente durante a cirurgia de Bruce.
Os médicos usaram uma agulha cauterizadora em vez de um bisturi, o equipamento eléctrico apresentou problemas e a elevação súbita da corrente elétrica queimou completamente o pénis do menino. Os pais cancelaram imediatamente a operação do irmão gémeo Brian e levaram as duas crianças para casa.
Alguns meses depois, e sem soluções para o problema, o casal Reimer conheceu um médico que haveria de mudar a vida desta família para sempre. John Money era um psicólogo especializado na mudança de sexo. Acreditava que não era a biologia que determina se somos homens ou mulheres, mas a maneira como somos criados.
“Estávamos a ver televisão”, recorda Janet, a mãe. “O doutor Money estava lá, muito carismático, parecia muito inteligente e muito confiante no que dizia.” Janet escreveu-lhe uma carta a dar conta do caso do seu filho e poucas semanas depois levaria Bruce ao seu consultório em Baltimore, nos Estados Unidos.
Para o psicólogo, o caso representava uma experiência ideal. Ali estava uma criança que ele acreditava que poderia ser criada como sendo do sexo oposto e que, ainda por cima, trazia um bónus: um irmão gémeo, que facilitaria a comparação directa. Se funcionasse, a experiência daria uma evidência irrefutável de que a criação pode sobrepor-se à biologia. E Money acreditava genuinamente que Bruce seria mais feliz como mulher do que como homem sem pénis.
Foi assim que, aos 17 meses, Bruce transformou-se em Brenda. Quatro meses depois, a 3 de Julho de 1967, foi dado o primeiro passo cirúrgico para a mudança de sexo: a castração.
Voltar a ser rapaz aos nove anos
Concluído o processo, o psicólogo avisou que se os pais quisessem garantir o sucesso da mudança de sexo, nunca deveriam contar a Brenda ou ao seu irmão gémeo que ele havia nascido como menino.
Desde então, aquele casal passou a ter uma filha e todos os anos visitava o Dr. Money para que este acompanhasse o desenvolvimento dos gémeos, o que haveria de ficar conhecido como o “caso John/Joan”. A identidade de Brenda foi mantida em segredo.
“A mãe afirmou que a sua filha Brenda é muito mais arrumada do que o irmão Brian e que, ao contrário dele, não gosta de ficar suja”, registou Money numa das primeiras consultas.Apesar disso, o médico também observou: “A menina tem muitos traços masculinos, uma energia física abundante, um alto nível de actividade, teimosia e é frequentemente a figura dominante no seu grupo de meninas.”
Em 1975, tinham as crianças nove anos quando Money publicou um artigo sobre este caso. A experiência, assegurava, foi um sucesso. “Ninguém sabe que aquela criança é a mesma cujo acidente durante a circuncisão foi alvo de noticiários”, escreveu.
“O comportamento dela é tão normal como o de uma rapariga activa e, por comparação, tão completamente diferente do comportamento do irmão gémeo, que não há margem para qualquer outro tipo de conjecturas”, escreveu.
Impulsos suicidas aos 13 anos
Em plena puberdade, quando Brenda atingiu os 13 anos, começou a sentir impulsos suicidas. “Eu via que a Brenda não era feliz como menina”, lembra ainda a mãe. “Era muito rebelde, muito masculina e eu não conseguia convencê-la a fazer nada do que era normal as meninas fazerem. Brenda quase não tinha amigos enquanto crescia. Todos a ridicularizavam, chamavam-lhe mulher das cavernas. Era uma muito solitária.”
Confrontados com a tristeza de Brenda, os pais tomaram nova decisão: parar com as consultas de Money e fazer o que o médico havia pedido para não fazerem: contar a verdade. Que Brenda tinha afinal nascido como menino.
Semanas depois, a menina escolheu voltar a ser rapaz e transformou-se em David. Fez uma cirurgia de reconstrução do pénis e até casou. Não podia ser pai, mas adorou ser padastro dos três filhos da sua mulher.
Parecia ter ficado tudo bem. Mas o que David não sabia, era que o seu caso tinha sido imortalizado como “John/Joan” em artigos médicos e académicos a respeito de mudança de sexo e que o “sucesso” da teoria de Money estava a afectar outros pacientes com problemas semelhantes ao seu.
“Ele não tinha como saber que o seu caso tinha ido parar a uma ampla série de livros de teoria médica e psicológica e que servia de base para o processo de tratar hermafroditas e pessoas que tinham perdido o pénis”, afirmou John Colapinto, jornalista do The New York Times, que descobriu a história de David. “Ele mal conseguia acreditar que o seu caso estava a ser divulgado como caso bem-sucedido e que estava afectar outras pessoas como ele.”
Depressão aos 30 anos
Quando fez 30 anos, David mergulhou numa depressão. Perdeu o emprego e divorciou-se. Na Primavera de 2002, o seu irmão Brian morreu com uma overdose de drogas. Dois anos depois, a 4 de Maio de 2004, tinha David 38 anos, os pais, Janet e Ron Reimer, voltaram a receber uma notícia devastadora: à entrada de casa, a polícia informou-os de que o seu filho tinha cometido suicídio.
“Eles pediram que nos sentássemos, disseram que tinham más notícias. David estava morto. Eu apenas chorei”, conta Janet.
Casos na sequência de um acidente como o “John/Joan” são muito raros. Mas ainda não há certezas, teorias inabaláveis sobre sobre como criar uma criança, como menino ou menina, se ela sofrer do que actualmente é conhecido como Distúrbio do Desenvolvimento Sexual.
“Agora temos equipas multidisciplinares, que funcionam bem, em todo o país. A decisão será tomada por uma ampla série de profissionais”, explicou Polly Carmichael, do Hospital Great Ormond Street, de Londres.
“Os pais ficarão muito mais envolvidos em termos do processo da tomada de decisão”, acrescentou. Carmichael afirma que, de acordo com a sua experiência, essas decisões têm sido mais bem-sucedidas para ajudar as crianças a levar uma vida feliz quando crescerem.
“Fico constantemente surpreendida como, devidamente apoiadas, essas crianças são capazes de enfrentar e lidar com o problema”, disse.
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Waking Life

Datada de 2001, esta animação com cerca de 100 min consiste numa série de monólogos ocasionais nos quais a personagem principal vai contactando com várias pessoas que abordam diferentes aspectos relacionados com temáticas filosóficas, desde o existencialismo à problemática da liberdade, à existência de Deus, etc…
Muito interessante para introduzir várias temáticas de Filosofia.

Zona proximal de desenvolvimento

Esta noção, introduzida por L. S. Vygotsky, traduz o facto de que, para este autor, existe uma relação estreita entre o desenvolvimento e as possibilidades de aprendizagern. Esta relação analisa-se segundo dois eixos. De um lado, existe um desenvolvimento actual da criança, tal como o podemos avaliar com a ajuda de provas, padronizados ou não. Por outro lado, existe um desenvolvimento potencial que pode ser estimado a partir do que a criança é capaz de realizar com a ajuda de um adulto, num determinado momento, e que realizará sozinha mais tarde. Esta capacidade potencial, mais ou menos de fácil acualização no decurso de uma interacção, corresponde à zona proximal de desenvolvimento. Nesta perspectiva, a aprendizagem torna-se um factor de desenvolvimento. 
M. Fayo

Portugal está a deixar cair a geração mais qualificada

Nunca houve tantos licenciados em Portugal. E nunca foi tão difícil para os jovens encontrar emprego. As centrais sindicais dizem que a greve geral também é feita em nome desta geração que se pode perder, entre a precariedade e o apelo da emigração. Num cenário de “défice democrático” no mundo laboral, os melhores são os que arriscam sair do país.
A taxa de desemprego entre os jovens mais do que duplica o índice geral. Entre os que arranjam emprego, só cerca de um terço escapa à regra dos contratos a termo, recibos verdes e outras formas de precariedade. Um em cada dez licenciados abandona o país. É o retrato de uma geração sem saída. Em tempos de greve geral, não espanta que as centrais sindicais tenham colocado os jovens na primeira linha da luta.
Sendo Portugal um país com baixa qualificação académica da sua força de trabalho – e tendo em conta a importância da formação num mundo cada vez mais competitivo -, o número crescente de licenciados a saírem das universidades deveria ser uma boa notícia. Mas não é. No actual cenário de crise, os jovens são os mais prejudicados pela extinção de postos de trabalho e, entre eles, os que investiram na formação académica são exactamente os que se deparam com mais portas fechadas.
Elísio Estanque, professor de Economia e investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, considera que este discurso das centrais sindicais é “ainda mais apropriado pelo facto de o instinto de sobrevivência e o individualismo criarem junto dos jovens alguma resistência às formas de luta colectiva”. Cabe ao sindicalismo encontrar “formas de os sensibilizar e mobilizar”.
“O individualismo assume-se em situações de desafogo, quando há oportunidades. Em situações de crise, isto muda”, diz Elísio Estanque, convicto de que “o individualismo já atingiu o seu ponto de exaustão”. “Acho natural que, por desespero ou consciencialização, os jovens comecem a organizar-se de outra forma.” Nesse sentido, “a recente invasão pacífica de um call-center pode ser um sinal dos tempos”.
Formas de luta mais imaginativas conseguem tornear as dificuldades colocadas por um sistema que os impede de “dar a cara de forma explícita”. Com contratos a prazo ou a recibos verdes, não é fácil afrontar a entidade patronal, para mais numa altura em que se vive um “défice democrático”, na opinião de Elísio Estanque: “Ser sindicalizado é ser criminoso, diabolizam-se os sindicatos de forma excessiva. E a repressão, o controlo e o despotismo acabam por privilegiar os medíocres em detrimento dos mais competentes. A fidelidade é mais importante do que a competência.”
Os melhores estão a sair?
Com poucos (e maus) empregos à sua espera, não espanta que muitos jovens optem por deixar o país. O fluxo da emigração atingiu nesta década valores só comparáveis aos do êxodo dos anos 60 do século passado e os números só baixaram nos últimos dois anos porque a crise também se faz sentir lá fora. Rui Pena Pires, sociólogo e professor do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, em Lisboa, fala em 60.000 saídas por ano – eram à volta de 70.000 na década de 1960. Os números são diferentes, no entanto, porque antigamente “quase ninguém regressava no curto prazo e agora a mobilidade é maior”.
“Ainda não há estatísticas por idade, só daqui a uns seis meses. Mas a emigração concentra-se na população activa jovem… Por dedução, pensamos serem esses os que estão a sair”, explica o coordenador do projecto de investigação Atlas das Migrações. Quando chegarem, os números tratarão de confirmar o sentimento geral. “Todos nós conhecemos gente que saiu recentemente de Portugal. Os meus dois filhos, por exemplo, estão fora do país.”
Mais preparados, em muitos casos até com relacionamentos cultivados em programas de intercâmbio estudantil, os licenciados estão na primeira fila dos que olham para lá das fronteiras. O mercado de trabalho é global. O Banco Mundial calculou que um quinto dos licenciados portugueses vive fora do país e uma afinação dos números aponta para um dado ainda mais significativo: um em cada dez (11 por cento) licenciados tira o “canudo” por cá, antes de emigrar.
“Não é um número terrível. No Reino Unido, são 10 por cento os recém-licenciados que emigram. Mas, lá, as entradas de pessoas com qualificações universitárias mais do que compensam este fluxo. Em Portugal, não”, analisa Rui Pena Pires. Ou seja, neste momento, Portugal é um exportador de cérebros. Alguns saem porque as suas carreiras (na investigação científica ou em multinacionais, por exemplo) apontam nessa direcção. A maior parte sai porque não tem perspectivas de futuro. “Temos de contar com as gerações que estão a chegar, se queremos que a economia seja competitiva, que as pessoas se sintam seguras, que a democracia floresça”, lembra Elísio Estanque. “Mas, pelos indícios que temos, os mais qualificados, os mais competentes, são os mais ousados e os que assumem o risco de ir para fora…””É preciso alargar horizontes”
Bruno Cea, 24 anos, licenciado em Negócios Internacionais (Universidade do Minho)
Aconteceu a Bruno o que tantas vezes acontece a quem procura uma saída: apareceram-lhe duas. Há cinco meses, entre uma “boa proposta” de estágio numa empresa e a “oportunidade única” de estagiar no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), escolheu a segunda. “As oportunidades aparecem; é preciso é estarmos prontos para as agarrar.”
Terminada a licenciatura, trabalhou num restaurante e foi a Angola, onde percebeu que há “boas oportunidades” mas a prioridade é dada “a jovens quadros angolanos”. Regressou a Barcelos e começou a procurar trabalho. “O mercado pede coisas a um recém-licenciado, como “três anos de experiência”…”
Agora está em Lisboa e foi “muito bem recebido” no MNE, onde está apostado em “desenvolver competências”. Bruno diz que “é preciso alargar horizontes”, sejam eles geográficos (“Não podemos confinar-nos ao mercado doméstico”) ou intelectuais (“Tudo o que aprendemos faz-nos crescer enquanto pessoas.”)
A “precariedade, o desemprego, o custo de vida, as propinas elevadas e as práticas em algumas empresas” justificam o descontentamento das pessoas e elas têm o direito de se manifestar. Mas Bruno acha que a greve não é a melhor solução: “O que é importante para os jovens é que se aposte em dar-lhes competências.”
“Gostava que a greve tivesse efeito”
Miguel Paisana, 24 anos, 12.º ano
Miguel está a trabalhar na hotelaria. Mas, apesar de este ser o seu “primeiro emprego a sério”, não é coisa para durar. “É temporário, uma maneira de ganhar algum dinheiro, até porque esta não é a minha área… O que gostava mesmo era de encontrar alguma coisa na área da saúde.” 
Tal como ele, a maior parte dos seus amigos não consegue fixar-se num emprego estável. “Andam em trabalhos temporários, call-centers, coisas assim. Estão sempre a mudar, anda toda a gente na mesma situação. Sem curso é muito difícil. Mesmo com curso…” Ele não foi para a universidade e até aproveitou para ir experimentando algumas actividades enquanto estudava. Coisas variadas, “mas só de um/dois dias, uma semana”, ao serviço de uma empresa de eventos.
Ficaram as experiências, mas o que o move realmente é a vontade de encontrar uma oportunidade para poder trabalhar na área da saúde. E também uma pequena esperança de que as coisas mudem: “A minha opinião é que as greves não têm grande impacto. Mas gostava que esta tivesse efeito.”
“Prefiro sair do que ficar frustrada”
Filipa Paciência, 24 anos, licenciada em Biologia (Universidade de Évora)
Filipa não é politicamente activa e até se classifica como “descrente”: “É do tipo “são todos iguais”… Voto sempre na oposição, para ver se mudo alguma coisa.” Mas exerce a sua cidadania sempre que pode. “Já andei a recolher assinaturas para petições, contra as touradas, contra a utilização de peles. Também tenho apoiado coisas pela Internet. Não se pode fazer muito, mas ajuda-se sempre.”
Desta vez, ela assiste de fora. Em tempos de greve geral, está em Bilbau, onde procura vaga para um estágio de seis meses no âmbito do programa Leonardo da Vinci. “Se estivesse aí, aderia! São acções necessárias, nem que seja para chamar a atenção. É claro que podem dizer: “Falas muito e depois não ajudas o país!” Mas eu prefiro sair do que estar à espera, eternamente a lutar, e a ficar frustrada.”Não foi apenas a falta de oportunidades a empurrá-la para fora do país. A possibilidade de melhorar os conhecimentos na língua espanhola, o gosto por viajar e conhecer pessoas diferentes e também o facto de “pagarem mais” pesaram na escolha de Filipa. Fez a mala e partiu. A família já estava mentalizada. “Antes de Bilbau, tinha pensado em Buenos Aires, por isso até ficaram aliviados!”
“Se quero ser independente, tenho de emigrar”
Rodrigo Gaspar, 24 anos, licenciado em Arquitectura (Universidade Autónoma)
Rodrigo vai, em breve, ter uma entrevista de trabalho. Na Suíça. “Numa low-cost não sai assim tão caro… E há soluções para passar a noite sem gastar quase nada.” É preciso fazer contas, mas esta pode ser uma oportunidade rara: apesar de estar a cumprir o estágio em Portugal, ele já se convenceu que o futuro deverá passar pela emigração.
“Encaro isso como uma necessidade. Estou na fase em que quero ser independente, sair de casa dos pais. Cá é impossível. Emigrar torna isso possível, dá-nos experiência. É preciso ter estofo, mas acho que uma mente aberta ajuda.” Para ele, essencial mesmo é terminar o estágio, única forma de ser reconhecido pela Ordem dos Arquitectos. Depois, bom, as notícias não são as melhores: “O sector da construção está a lutar pela sobrevivência e os ateliers de arquitectura estão todos aflitos.”
Não é só na arquitectura que as coisas estão más. “Consigo fazer uma lista enorme de gente que quer sair. Alguns foram mesmo para fora antes de acabarem o curso. Dos meus amigos, talvez só os advogados se estejam a safar…” E assim chegamos à greve geral: “Gostava de aderir, mas perdia um dia de trabalho… Se a greve for maciça, pode ser que mande uma mensagem aos políticos.”

Atrasos de desenvolvimento

Numerosos estudos ligados aos desenvolvimentos cognitivo, afectivo, motor, etc., permitiram estabelecer uma cronologia média das fases de aquisição de comportamentos ou de competências” . Estes dados podem ser utilizados como normas” de avaliação” dos diversos aspectos do desenvolvimento individual. Os desvios à norma são de diversos tipos; podem consistir numa aceleração ou numa lentificação geral do processo: fenómenos de precocidade ou de atraso propriamente dito; podem também traduzir-se pela fixação num determinado estádio” ou por fenómenos de regressão” . 

Infortúnios multiculturais

“Acredite se quiser” era o título genérico de um “cartoon” (chamo-lhe “cartoon” porque, como diria o taoista, não sei que nome dar-lhe) de curiosidades “inacreditáveis” que, há uns anos, os jornais publicavam nas páginas e suplementos dominicais.
A notícia revelada na passada segunda-feira pela BBC de que em dezenas de escolas inglesas se ensina hoje que a homossexualidade deve ser punida com a morte por apedrejamento (ou lançando fogo ao “criminoso”, ou atirando-o de um penhasco) e os ladrões punidos cortando-se-lhes mãos e pés (com figura junta a explicar como se faz) tem que ser antecedida do mesmo “Acredite se quiser”.
A coisa passa-se numa rede de 40 escolas privadas onde as liberais e multiculturais leis britânicas permitem que sejam ministrados os curricula escolares sauditas. Segundo a BBC, além de na homofobia, os 5 mil jovens, crianças e adolescentes entre os 6 e os 18 anos, na sua grande maioria provavelmente de nacionalidade inglesa, que frequentam tais escolas, são igualmente educados no anti-semitismo (lê-se-lhes “Os protocolos dos sábios do Sião” e ensina-se-lhes que os judeus pretendem dominar o Mundo) e na intolerância religiosa (num manual destinado a alunos de 6 anos condena-se ao “fogo do Inferno” quem não acredita no Islão).
“Acredite se quiser”que, ouvido em Londres sobre o caso, o secretário da Educação se limitou a dizer umas frases politicamente correctas.

Genética versus Socialização?

Mais um curioso caso que reabre o debate sobre, afinal, quem dita as regras no que toca à assunção da sexualidade humana: a genética ou a socialização? Pode alguém crescer num corpo do sexo x com um cérebro do sexo y? Até que ponto a educação pode interferir no desenvolvimento da nossa identidade sexual? Esta notícia, publicada hoje no JN, pode ser um excelente ponto de partida para abordar não só as questões anteriormente colocadas, como também para servir de base de discussão sobre a possibilidade de casais homossexuais criarem crianças.

Interaccionismo

Perspectiva epistemológica, que considera que todo o conhecimento deve ser analisado no quadro de uma relação de inter-dependência entre o sujeito que conhece e o objecto a conhecer. Para o interaccionismo, o comportamento não é uma simples reacção ao meio (esquema estímulo-resposta), nem um fenómeno de ernergência das capacidades intrínsecas do sujeito (inatismo), mas um processo interactivo de construção. Numa tal perspectiva, a acção do sujeito sobre o meio é fundamental. No seguimento de autores como L. S. Vygotsky, A. N. Léontiev e H. Wallon, desenvolveu-se o interaccionismo social, que considera a acção recíproca dos membros do grupo e os sistemas de comunicação que a tornam possível, como o principal fenómeno na elaboração dos conhecimentos.

Faço greve

Hoje faço greve. Porque me angustia o rumo que o país leva, a deterioração crescente do nível de vida dos portugueses. O crescimento do desemprego, a manutenção de salários de miséria, a par do aumento de impostos, transformaram a vida dos mais necessitados num inferno. Há frigoríficos vazios em muitas casas, rendas por pagar, famílias insolventes. Centenas de milhar estão numa agonia, reféns dos malfadados créditos ao consumo a taxas de 30 por cento. Aumentam os sem-abrigo nas ruas das áreas metropolitanas, cresce o consumo e tráfico de droga. Com mais assaltos e até mais suicídios, o ambiente social é explosivo. Só por isto faria greve.
Mas também porque estou revoltado com os partidos políticos que capturaram o regime e transformaram a actividade política numa megacentral de negócios. A corrupção instalou-se, o tráfico de influências é a regra, com uma promiscuidade permanente entre os maiores escritórios de advogados e os gabinetes governamentais, entre o Parlamento e os grandes grupos económicos. Neste panorama pantanoso, a maioria dos políticos tem hoje apenas três objectivos: manter os mandatos, bem como os privilégios que estes lhes conferem, obter negócios para os seus financiadores e apoiantes à custa dos recursos públicos e, por último, distribuir empregos e “tachos” pelos seus apaniguados. A política é hoje a “porca em que quase todos mamam” de que falava Bordalo Pinheiro.
Finalmente, faço greve porque as medidas recentemente anunciadas são contrárias às que o país precisa. Sem qualquer estratégia coerente, o intuito do governo português parece ser apenas aumentar a dívida pública, acautelando rentabilidades obscenas a quem a financia; a par da teimosia nas parcerias público-privadas que garantem aos privados todos os lucros e socializam todos os prejuízos. Para pagar estes desmandos, reduzem-se salários e aumentam-se impostos uma vez mais. Assim se irá liquidar a pouca actividade económica que heroicamente subsiste. Por isso, também pelo futuro da nossa economia, adiro à greve.
E faço greve, enfim, porque não posso fazer a revolução.

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