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Julho 2010

Programa de História B – 11.º Ano

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O restauracionismo na Igreja

por ANSELMO BORGES

17 Julho 2010

Penso que a autoridade moral da liderança da Igreja hoje nunca foi tão fraca. Por isso, na minha opinião, é importante que, em vez de dar uma impressão de poder, privilégio e prestígio, a autoridade da Igreja seja experienciada como humilde, procurando o ministério em conjunto com o povo, em ordem a discernir as respostas mais apropriadas e viáveis para questões complexas éticas e morais – uma liderança, portanto, que não presume ter sempre todas as respostas”. Palavras fortes e raras de um bispo católico. No caso, Kevin Dowling, de Rustenburg, África do Sul, no contexto de uma reflexão para um grupo de católicos leigos influentes e dentro de uma análise “aberta e honesta” da presente situação da Igreja.



Dowling começou por referir-se a uma celebração de uma missa em latim na Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição em Washington, na qual o bispo Edward Slattery usou a esplendente cappa magna, vermelha e com uma cauda de vários metros. Esta manifestação de triunfalismo, numa Igreja despedaçada pelo escândalo dos abusos sexuais, foi “completamente infeliz”.

Segundo o bispo de Rustenburg, o que aí aconteceu leva as marcas de uma corte real medieval, que nada tem a ver com uma liderança humilde e de serviço, segundo o modelo de Jesus. Isso é também um símbolo do que tem estado a acontecer na Igreja, especialmente desde o tempo de João Paulo II: o “restauracionismo”, “o desmantelamento cuidadosamente planeado da teologia, da eclesiologia, da visão pastoral, do Vaticano II, em ordem a ‘restaurar’ um modelo mais controlável da Igreja; uma estrutura que agora controla tudo na vida da Igreja, através de uma rede de Congregações do Vaticano, presididas por cardeais que asseguram a conformidade estrita com o que eles julgam ser ‘ortodoxo'”. Quem não está de acordo enfrenta a censura e o castigo.

Há uma tentativa de voltar atrás em relação ao Vaticano II. Esquecendo que foi um Concílio ecuménico, portanto, um exercício solene de magistério da Igreja, cujos princípios e ensinamentos devem ser seguidos e implementados por todos, pretende-se que um conjunto de decretos, pronunciamentos e decisões posteriores tenham mais força, apesar de não passarem de opiniões e interpretações de quem tem poder no Vaticano. É assim que questões como as do celibato dos padres ou da ordenação das mulheres são retiradas até da possibilidade de discussão.

O bispo percebe a existência de grupos e organizações conservadores, no quadro de uma Igreja mais receosa e mais voltada para dentro. Mas também pergunta: quem é que hoje “lá fora” ainda ouve, aprecia e se sente desafiado pela liderança da Igreja? E acusa a “mística” que rodeia a figura do Papa nos últimos 30 anos, que faz com que “a mínima crítica ou questionamento da sua política, do seu modo de pensar, do seu exercício de autoridade, etc., sejam identificados como deslealdade”.

A doutrina social católica assenta nos seguintes princípios: “o bem comum, a solidariedade, a opção pelos pobres, a subsidiariedade, o destino comum dos bens, a integridade da criação, o centramento nas pessoas”, que se baseiam e seguem o Evangelho.

Estes princípios deveriam “capacitar-nos enquanto Igreja para criticar construtivamente todos os sistemas e políticas sócio-político-económicos”, especificamente a partir dos seus efeitos sobre os mais pobres e vulneráveis. Mas, cá está: para poder criticar, a autoridade da Igreja deve estar também disposta a submeter-se à crítica e seguir ela própria os princípios que prega.

O princípio de subsidiariedade deixou de aplicar-se na vida da Igreja por causa da centralização das decisões no Vaticano e “a ortodoxia é cada vez mais identificada com opiniões e perspectivas conservadoras, seguindo-se daí que o que cheira a ‘liberal’ é suspeito e não ortodoxo”.

Como reconciliar diferentes visões e modelos de Igreja? O bispo não tem a resposta, mas sabe que “devemos encontrar uma atitude de respeito e reverência pela diferença e diversidade enquanto procuramos uma unidade viva na Igreja”.

Geração do 25 de Abril colocou futuro dos jovens sob sequestro

O post é do Ramiro Marques. Eu, que ando a dizer isto há anos e a apanhar bordoada de toda a gente por pensar que as coisas são o que são, gosto de ler outra pessoa, que não eu a  afirmar o óbvio.
Para memória futura, cá fica a transcrição:



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