Ao discursar no encerramento da cerimónia de tomada de posse do reeleito reitor da Universidade do Porto, José Marques dos Santos, o ministro deixou um outro desafio: “Precisamos de conseguir atingir níveis de qualificação em toda a população activa portuguesa, qualquer que seja a sua idade, níveis de qualificação que sejam compatíveis com o desenvolvimentos social e económico e com a produtividade que queremos ter no nosso país”.

E daí partiu para um exercício de comparação com os outros países que apresentam níveis de qualificação bem mais expressivos do que os de Portugal. “O número de licenciados em Portugal andará por cerca de um milhão; andará por cerca dos 600 mil aqueles que há mais de 10 anos não entram nas portas de um estabelecimento de ensino superior”, lamentou Gago, aludindo depois às transformações que se verificaram no ensino superior nos últimos anos não só em Portugal, mas também no resto da Europa. Segundo o ministro, essas alterações “vieram conferir, através do processo de Bolonha, uma mudança muito significativa que nada tem a ver com o número de anos das licenciaturas, tem a ver, decididamente, com a introdução da componente de investigação”. Sem nunca aludir ao processo fundacional pelo qual passou a Universidade do Porto, o ministro da Ciência e Tecnologia questionou: “Quantos são aqueles que já licenciados, já a trabalhar há vários anos, hoje procuram nas universidades formações pós-graduadas?” Esse número é muito reduzido ainda”. Respondeu.
Mariano Gago tem a ambição e deixa expressa que o número de licenciados duplique em Portugal, passando de um milhão para os dois milhões como acontece em outros países.
Depois referiu-se ao projecto que a Universidade do Porto tem para o novo mandato, considerando-o “ambicioso”. Falando de improviso, o ministro pediu o envolvimento de todos, das instituições do ensino superior no tecido social e económico, das autarquias, dos empresários, das instituições não governamentais para que Portugal consiga recuperar do ”atraso endémico que durante séculos nos impediu de atingir as massas críticas necessárias para fazer ciência e ter as instituições científicas capazes na variedade dos domínios que fazem um país”.
Anúncios