Quem hoje recusar fraldas descartáveis não terá de voltar às antigas fraldas de pano, presas com alfinete e lavadas à mão. Entre Fevereiro e Maio deste ano, a Quercus experimentou as fraldas reutilizáveis disponíveis no mercado nacional, comercializadas por quatro empresas. Hoje contou o que se passou.
“É tudo uma questão de mentalidade porque hoje já existem soluções práticas, rápidas e engraçadas, alternativas às fraldas descartáveis”, comentou Cármen Lima ao PÚBLICO. E Cármen Lima sabe do que fala. Durante três meses experimentou tudo o que havia no mercado com a sua segunda filha, a Joana. “Com o meu primeiro bebé utilizei fraldas descartáveis mas agora com a Joana experimentei as reutilizáveis. A primeira semana pode ser confusa mas hoje já mudo as fraldas com a mesma rapidez”.
Segundo a Quercus, para as descartáveis – fabricadas com plástico, pasta de papel e com um produto químico para favorecer a absorção – ainda não existem processos de reciclagem em Portugal. Na verdade, hoje representam cinco por cento dos Resíduos Sólidos Urbanos que vão para aterro ou são queimados. Actualmente em Portugal nascem cerca de cem mil bebés por ano, o que significa que o país tem de lidar com 40 mil toneladas de lixo só em fraldas.
As reutilizáveis permitem reduzir, semanalmente, oito quilos de resíduos por bebé. Ao final de uma média de dois anos e meio – tempo durante o qual uma criança precisa de usar fralda – as contas chegam à uma tonelada. 
Além disso, as “eco-fraldas” – que podem ser dos tipos “tudo em um” ou “dois em um” – não implicam “um acréscimo de consumo de energia associado à lavagem, mas sim uma optimização da própria lavagem, uma vez que desta forma a máquina ficará com carga completa”, explica a Quercus. Cada fralda suporta cerca de 800 lavagens e pode ser reutilizada até três bebés.
Cármen Lima – que lembra também as vantagens ao nível da saúde, porque previnem o aparecimento de alergias e dermatites na zona de contacto com a pele – considera que hoje estas soluções ainda são para um nicho de mercado. Mas a ideia é facilitá-las a todos. “Ainda há pouca informação”, reconhece, adiantando que a associação está a trabalhar no sentido de que estas fraldas tenham dedução fiscal. Tudo porque as reutilizáveis têm o investimento “à cabeça” e não fica diluído ao longo dos dois anos e meio.”Concluímos que mesmo a marca mais cara das reutilizáveis fica mais barata do que a marca mais barata das descartáveis”, salienta Cármen Lima. No final, permitem poupanças que podem ir até aos 850 euros por bebé, diz a associação.
No ano passado, a Quercus lançou uma campanha de promoção para a utilização de fraldas reutilizáveis, medida prevista pelo Programa de Prevenção de Resíduos Urbanos, do Ministério do Ambiente.
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