O papel que, segundo A. M. Rocheblave Spenlé, é um modelo organizado de condutas relativo a uma certa posição do indivíduo num conjunto interactivo, pode ser considerado a diferentes níveis da realidade social. O papel social, tal como é definido por R. Linton, constitui um modelo normativo composto pelo conjunto das acções que um grupo ou uma sociedade espera de um indivíduo, em função do estatuto que ele ocupa. A abordagem psicológica encara a conduta e a aprendizagem dos papéis: poder desempenhar um papel supõe conhecer o papel recíproco e a interiorização dos papéis aprendidos constitui a base da identificação e do Superego. O nível psicossocial, finalmente, sublinha a importância do contexto interactivo no qual o papel prescrito é actualizado. Assim, se é verdade que os papéis desempenhados pelos indivíduos podem facilitar a comunicação no seio de um grupo, pode ser que, na inversa, esta seja afectada, quer por um desacordo quanto às expectativas relativas a um dado papel quer por conflitos individuais que nascem da necessidade de conciliar os papéis que correspondem a diferentes estatutos. É nestes elementos que se baseia a técnica psicodramática, dita jogo de papéis.
F. Askevis-Leherpeux
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