Os problemas de integração social, as dificuldades de adaptação relacionais e institucionais podem ser considerados perturbações do processo de socialização. Estas perturbações, frequentes na adolescência, podem ser associadas a factores internos ou externos, mas emergem com a maior frequência da articulação destas diversas causas e concomitâncias. Internos, estes factores parecem-se com a psicologia, ou seja, a psicopatologia individual: rearranjo das pulsões e das defesas medo da passividade que, remetendo para a infância e para as suas submissões, conduz a negá-la pela passagem à acção, por exemplo.
Alguns são desenvolvimentais e ambientais como a passagem da infância à idade adulta, a natureza do estatuto de adolescente, a mudança de meio de vida, os estereótipos sociais, os comportamentos rígidos dos que estão em volta, etc. À diversidade das influências, responde a das formas de passagem ao acto: cóleras, roubos, agressões, fugas, suicídios, toxicomanias, etc. É difícil distinguir o limite onde começam as perturbações nos adolescentes, parecendo que a dificuldade maior está no facto de se tratar de seres jovens, em devir e em situação de passagem. Os factores externos podem ser sociais e culturais. O desenvolvimento económico e as suas diversas incidências – mobilidades geográfica, profissional, técnica e
social -, mas também o mal-estar da sociedade contemporânea, prejudicam a estabilidade dos grupos de vida, influenciando a coesão das famílias e perturbando a inserção da criança na vida e no trabalho escolares. A sociedade de consumo veicula valores que provocam uma generalização das necessidades individuais acentuadas pelos media. A complexificação da vida activa e a subida dos limiares de adaptação acarretam o aumento do número dos que, julgando-se incapazes de atingir o nível requerido, se vêem então rejeitados e desenvolvem sentimentos de injustiça, vectores de passagem ao acto. Estas dificuldades são acentuadas nos que se encontram à margem de duas culturas, sem pertencerem plenamente a uma ou à outra, e estão na fronteira de vários sistemas de referência, cujas normas e valores diferem sensivelmente. O consumo de drogas ilícitas e o abuso das bebidas alcoólicas manifestam finalmente a existência de um mal-estar de viver cada vez mais frequente. O notável aumento do consumo regular de bebidas alcoólicas pelos adolescentes e o aumento do número anual das suas bebedeiras são igualmente de salientar, apresentando estes jovens uma alcoolização de dois tipos: um relativamente tradicional, o outro, mais inquietante, que diz respeito a ingestões esporádicas, onde o álcool é utilizado enquanto produto que permite chegar à bebedeira, não sendo mais a embriaguez fortuita, mas procurada pelo que ela permite fazer ou ser ilusoriamente.
P. G. Coslin
Anúncios