Face a um acontecimento, por exemplo, um comportamento, o indivíduo procura com frequência inferir-lhe a causa. F. Heider, em primeiro lugar, insistiu na necessidade de um estudo destas inferências, que permitem conhecer os invariantes causais de um meio ambiente, que se podem então dominar. Assim, um comportamento pode ser explicado em termos de causas ou de razões, por factores situacionais ou disposicionais (causalidade externa ou interna), estáveis ou instáveis. As atribuições causais dependem do tipo de comportamento explicado (uma emoção, uma ocorrência comportamental ou uma acção intencional) e do estatuto da pessoa que o explica (o próprio actor: auto-atribuição, ou um observador: heteroatribuição). Elas implicam, ao mesmo tempo, a intervenção de esquemas causais (modelos de inferência) e de saberes prévios ou teorias implícitas. Elas equivalem com frequência a uma imputação de responsabilidade. Partida do estudo da actividade científica do homem da rua, a investigação sobre a atribuição evoluiu para uma análise dos enviesamentos e distorções do pensamento quotidiano. Finalmente, se bem que as grandes teorias da atribuição (F. Heider, E. E. Jones e K. E. Davis, H. H. Kelley) se tenham debruçado, sobretudo, sobre a explicação dos comportamentos, o conceito de atribuição refere-se também à explicação dos reforços e dos desempenhos.
O estudo da explicação dos comportamentos revelou uma tendência bastante sistemática para privilegiar as causas internas, em detrimento das causas externas (erro fundamental de atribuição, ou enviesamento de correspondência). Isto pode relevar de factores motivacionais (necessidade de autodeterminação), perceptivos (saliência do actor), normativos (utilidade social das explicações internas) ou cognitivos. Diversos modelos cognitivos recentes definem as fases do processo de atribuição, e estabelecem que uma atribuição interna é uma das primeiras fases, que ela implica poucos recursos cognitivos, se realiza de maneira mais ou menos automática, exigindo as atribuições externas um trabalho adicional mais custoso. Trata-se aí talvez de uma especificação das culturas individualistas.

Ersoc

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