Debatem‑se alguns problemas que se colocam ao estudo do universo musical enquanto objecto de análise sociológica: primeiro, discutem-se possíveis delimitações do objecto; depois, equaciona-se o problema da música enquanto objecto e veículo de sentido; finalmente, alinha-se um questionamento dirigido aos universos socioculturais dos músicos.
(…)

O desenvolvimento de uma linha sociológica de questionamento em torno da música coloca alguns problemas. Um primeiro consiste em saber de que se fala quando se fala de música. É verdade que qualquer comum dicionário fornecerá uma definição aceitável, mas a questão é menos simples do que parece, por exemplo: música é uma arte que se expressa mediante a ordenação dos sons no tempo. Nesta definição, sublinha‑se a existência de som, seja ele qual for, e a sua ordenação no tempo, o que faz supor que existe algo ou alguém que ordene e a ideia de ritmo (ordem no tempo). O requisito do ritmo é, aliás, uma ideia cara a muitos autores. Por exemplo, António Victorino d’Almeida é categórico: “Porque sem ritmo não há
música, nenhuma espécie de música!” (1993: 23 ). Entretanto, fica por saber o que é o som (alguns  compêndios de acústica distinguem som de ruído, atendendo à regularidade ou não do fenómeno vibratório que está na origem de um e de outro), assim como fica por saber, porventura com maior margem de indeterminação, o que é a arte.
Anúncios