A adolescência aparece nas representações comuns associada a um período de agitação, irreverência e inconformismo. Com efeito, os estudos sobre as manifestações de desvio durante a adolescência tendem a revelar que cedo, por volta dos 11-12 anos, a incidência dos actos infractores começa a crescer acentuadamente e que, um pouco mais tarde, após os 16-17 anos, se regista um declínio mais ou menos acentuado e rápido.1 Existem certamente infractores mais novos e quase escusado será dizer que também os há para lá da idade dos 17 anos. Mas o que importa assinalar é o facto de em qualquer outro período de vida não se registar uma proporção tão elevada de membros de um grupo etário envolvidos em actividades infractoras. Torna-se, portanto, imperioso indagar as razões que fazem da adolescência uma idade aberta e vulnerável ao desvio.

Pedro Moura Ferreira

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