A raciologia, ou estudo das raças, remonta em França ao séc. XVIII. (A palavra racisme só aparece em francês por volta de 1930, mas em inglês é muito mais antiga.) A raça foi primeiramente uma classificação em botânica, e depois em zoologia; aplicada ao homem, era muitas vezes sinónimo de linhagem. Teorias filosóficas e religiosas enxertam-se muito rapidamente neste estudo. Tendo Deus criado um universo completo, essa completude exige que haja um intermediário entre todos os níveis da grande cadeia dos seres. O homem branco está no topo dessa escala, o homem negro em baixo e os grandes símios no ponto mais alto da escala dos animais.
No séc. XVIII, os antropólogos opõem-se sobre a origem das raças: os monogenistas pensam que a descendência do casal original, Adão e Eva, se diferenciou por degenerescência do tipo branco original (Buffon) ou pela melhoria graças à civilização até chegar ao Branco. Os poligenistas, entre os quais Voltaire, rejeitam o relato do Génesis e crêem numa criação separada das diferentes raças. Mas, em geral, monogenistas e poligenistas todos eles aceitam a ideia de raças distintas e de uma hierarquia entre elas.
Entre 1750 e 1870, os geólogos descobrem que a teoria bíblica dos 6000 anos não resiste aos seus estudos. Os homens são muito mais antigos e contam a sua evolução em milhões de anos, e a sua própria origem perde muito do seu interesse. Doravante, prevalece apenas a necessidade de preservar a pureza da raça. P. Broca funda a Sociedade de Antropologia para estudar os cruzamentos e a suposta degenerescência dos mestiços. Gobineau teme que as raças superiores, combativas e conquistadoras, ao misturarem-se com os seus vencidos, venham a degenerar e a desaparecer. Ao longo do séc. XIX, começa a procurar-se subdivisões no interior das grandes raças: assim, os Norte-Africanos, considerados inicialmente como Brancos, tornaram-se uma raça à parte. Ainda entre os Brancos, distinguiram-se as raças nórdica, alpina e mediterrânica, tendo cada uma as suas características próprias.
As diferentes teorias racistas aparecem como formas de hereditarismo, concepção biológica e genética das diferenças, que apresenta estas como fixas, contra as quais não se pode ir e que estabelece em geral uma hierarquia de valor entre os grupos ou os indivíduos assim distinguidos. Mais recentemente, dir-se-ia que se assiste a formas não já biológicas mas culturais de diferenciação, de hierarquização e de rejeição. Os sociólogos, por seu turno, procuram compreender como é que, a partir dos critérios antropométricos ou culturais, se chegou a criar uma hierarquia, porquê e como se adere a esta concepção, mais ou menos segundo as pessoas, os grupos sociais, os lugares ou as épocas. O racismo é um aspecto do funcionamento social que se estuda como uma atitude particular e que se tentou ligar quer a personalidades particulares (por exemplo, a “personalidade autoritária” de T. W. Adorno), quer a condições de crise, quer ainda ao desejo de manter e de perpetuar a sua própria identidade.
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