A palavra “género” está em vias de entrar no vocabulário da sociologia francófona – gender já está em uso desde há mais de dez anos na sociologia anglo-saxónica – para designar o que tem a ver com a diferenciação social entre os dois sexos. Tem a vantagem, sobre a palavra “sexo”, de sublinhar a necessidade de separar as diferenças sociais das diferenças biológicas.
Os papéis sexuais eram tradicionalmente concebidos como o resultado de uma divisão natural do trabalho que atribuía às mulheres as responsabilidades domésticas e a educação dos filhos. Para os sociólogos de orientação feminista, a divisão sexual das tarefas, longe de ser a consequência natural de diferenças biológicas, foi construída e mantida pela sociedade. A teoria feminista põe no centro das suas preocupações a distribuição do poder e dos recursos entre homens e mulheres e as imagens e símbolos associados aos dois sexos e às suas relações. Põe em questão a separação entre família e trabalho ou entre domínio privado e domínio público que fundamentou a abordagem funcionalista-estrutural dos papéis sexuais. Considera o género como uma dimensão fundamental de toda a organização social, ao mesmo título que a classe, e como uma categoria construída socialmente tanto no lugar de trabalho, na família, na escola como nas esferas económica, política e cultural.
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