Desigualdades sociais

É desigual toda a repartição de um recurso que não é uniforme. A repartição do rendimento é desigual na medida em que um ou vários indivíduos têm uma parte maior que os outros. A desigualdade é uma diferença que os indivíduos e grupos sociais julgam segundo escalas de valor. Um Negro e um Branco diferem pela pigmentação da sua pele. Esta diferença natural não implica qualquer desigualdade. No entanto, em numerosas sociedades cada um deles goza de um estatuto diferente ao qual estão ligadas vantagens e desvantagens. As desigualdades são pois, essencialmente, sociais e estão ligadas à existência de estratificações económica, política, de prestígio, etc.
Para examinar as condições em que a desigualdade por exemplo de rendimento aumenta, diminui ou permanece estável, é necessário analisar a forma de repartição do recurso em questão. Definem-se em geral duas medidas de desigualdade. A medida absoluta é igual à diferença entre o rendimento do indivíduo A (10 mil F) e o do indivíduo B (12 mil F). A medida absoluta é a mesma se A tem um rendimento de 1000 F e B um rendimento de 3000 F. Ora, é claro que esta medida não traduz correctamente a desigualdade entre os dois casos. É portanto necessário introduzir o conceito de medida relativa. No primeiro caso, B tem um salário superior em 20 por cento ao de A; no segundo, B tem um rendimento superior em 200 por cento. Os trabalhos sobre a evolução das desigualdades de certos recursos, tais como o rendimento ou o nível de instrução, estabeleceram a existência de uma tendência para a redução das desigualdades, como o predizia Tocqueville, com tempos fortes e fracos, no entanto, e diferenças consoante o tipo de recurso. Mostrou-se assim que, desde há um meio século, a desigualdade das hipóteses escolares baixou muito mais fortemente que a desigualdade dos rendimentos. Alguns propuseram explicações dessas reduções, na sua mudança respectiva, construindo modelos que combinam variáveis ligadas aos projectos individuais, aos constrangimentos do mercado e a mecanismos institucionais (por exemplo, natureza e forma da redistribuição). Quanto ao problema da origem das desigualdades, recebeu várias respostas contraditórias: além do fundamento natural, em Aristóteles, por exemplo, que se relaciona com um discurso pré-sociológico, J.-J. Rousseau e Marx viram na propriedade a origem da desigualdade; para É. Durkheim, é a divisão do trabalho; para T. Parsons, a desigualdade é um princípio necessário à manutenção de toda a estrutura social.
Raymond Boudon
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