O que é o Belo musical?

Há uma questão filosófica que me incomoda.

“O que é o Belo, em Música?”

Sendo a Música uma arte, deveria ser possível recorrer à Filosofia da Arte para fornecer uma resposta suficientemente clara a esta questão. Mas tal não acontece. A generalidade dos escritos em Filosofia da Arte não versam especificamente a estética musical. E faço notar que é muito difícil discorrer sobre estética musical sem se possuir sólidos conhecimentos musicais.

Voltarei ao tema, de forma minimamente aprofundada, logo que a oportunidade surja.

Vem isto a propósito de Zeca Afonso: faz hoje 21 anos que a sua voz se calou. Questiono-me uma vez mais: se não tivesse as conotações políticas que se sabe, seria ou não considerado um excelente músico e compositor?

Palpita-me que sim; mas ao fazê-lo, estou a fundamentar a teoria institucional da arte.

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2 Comments

  1. Peter Kivy, Stephen Davies, Jerrold Levinson, Roger Scruton e Charles Nussbaum, entre outros, destacam-se na tradição analítica em filosofia da música.

    Recomendo em Particular o “The Fine Art of Repetition” do Peter Kivy. Tem alguns artigos sobre platonismo musical excelentes.

    Sobre a questão específica da beleza, talvez o Roger Scruton seja mais adequado, mas ainda não o li.

    A maior parte das minhas leituras tem-se centrado em ontologia musical e não propriamente na estética da música.

    Um abraço

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  2. Só uma nota relativamente à noção de “o belo”.

    O livro de Eduard Hanslick está traduzido para português com o título “Do Belo Musical” embora a tradução mais exacta fosse “Acerca da Beleza Musical” ou “Sobre a Beleza Musical”. Embora possamos usar “belo” como substantivo, este uso tem um problema: sugere implicitamente que há uma distinção relevante entre “o belo” e “a beleza”, quando não há. “Beleza” é o substantivo que usamos canonicamente pare referir a propriedade partilhada por todas as coisas belas. Quando convertemos o adjectivo “belo” em substantivo estamos potencialmente a confundir as pessoas, levando-as a pensar que a propriedade da beleza é uma coisa e que “o belo” é outra, quando na verdade estamos a falar da mesma coisa.

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