Pesquisar

detritus toxicus

Curadoria de conteúdos

Mês

Dezembro 2008

Será música?

Será música?

Os Stomp estarão em Portugal, no Coliseu do Porto, de 18 a 21 de Fevereiro. A performance dos Stomp, no entanto, levanta um curioso problema filosófico: o que é Arte?, especificamente “o que é a Música?”

Um amigo, músico de profissão mas não iniciado nestas coisas da Filosofia, dizia-me escandalizado que “os Stomp não fazem música; são apenas um grupo de artistas folclóricos que fazem uns barulhos de que o povo gosta”.

Antes de formular uma resposta, deixo a questão: o que é a música? Como se define essa arte? Podem os Stomp ser considerados um grupo musical?
Anúncios

Aniversário

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui…
A que distância!…
(Nem o acho…)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes…
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio…

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim…
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui…
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça,
com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado—,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!…

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

ÁLVARO DE CAMPOS

Azam Ali

Azam Ali é uma descoberta recente. Azam é iraniana mas reside actualmente em Los Angeles. Já participou em algumas coisas interessantes, como o filme Matrix Revolutions. Recomendo vivamente a audição de “The Tryst”, que está disponível na secção Áudio do seu site. O resto também é para ouvir!

Música e desporto

Não é exagero dizer que Michael Phelps conquistou seus oito ouros em Pequim e estabeleceu a mais avassaladora performance da história das Olimpíadas embalado por música. Todos os dias, cada vez que apontava atrás do bloco de partida, os fones de ouvido estavam lá, companheiros inseparáveis, levando a batida do rap a seus ouvidos e a seu cérebro.
O hábito que parece banal e é repetido por muitos outros esportistas, no entanto, pode ser ingrediente importante, até decisivo, nas engrenagens que fazem do americano o maior nadador de todos os tempos.
Ouvir a música certa antes ou durante a atividade atlética pode ajudar a melhorar a performance. Estudo da Universidade de Brunel, na Inglaterra, mapeou as ações do som no corpo humano durante os exercícios e chegou a uma lista de canções que podem dar um empurrãozinho aos esportistas.
“Sincronizar os movimentos ajuda a obter uma performance melhor. Em um de nossos recentes estudos, pessoas que pedalaram no ritmo usaram 7% menos oxigênio”, diz Costas Karageorghis, professor associado de psicologia esportiva, em entrevista por e-mail.
Outro efeito da música é chamado de desassociação – capacidade de distrair a mente e alterar a percepção. “Uma música pode inibir sensação de fadiga e fazer o atleta sentir mais prazer. Pesquisas mostram que a desassociação reduz em 10% a percepção do esforço feito em uma corrida de intensidade moderada”, diz o pesquisador.
Phelps é um exemplo de como funciona a influência da música. Em Pequim, antes das provas, ouvia o rap de Young Jeezy. “Quebrei meu primeiro recorde mundial ouvindo música. Isso me deixou diferente na piscina, agitado. Não pensei em nada a não ser em nadar”, disse a uma TV americana.

Folha Online

25 de Dezembro

Por coincidência (?), na Mitologia celta este seria o dia, após o solstício de inverno, em que a Mãe Terra dá à luz a “criança Sol”, que viria para anunciar um novo tempo.

Exodus

Toquei esta maravilha há largos anos. Considero-a uma das mais belas melodias da história da humanidade.
O compositor é Ernest Gold. O filme é “Exodus“. O tema principal ganhou um Grammy. Escute-se porquê:

Outros temas de Gold podem ser ouvidos aqui.

Um desafio aos leitores

Existe uma diferença extraordinária entre os dois vídeos seguintes.

Em ambos é executado o primeiro andamento do Concerto para Clarinete de Mozart, mas há uma diferença fundamental que não passa meramente pela interpretação de cada solista. Esse é o desafio: descubra a diferença!

A

B

Mozart: Concerto para Clarinete

Andrew Marriner, um dos mais destacados clarinetistas actuais, interpreta o primeiro andamento do Concerto para Clarinete de Mozart:

1º Andamento: Allegro

Olivier Messiaen

Um dos maiores músicos do século XX, o francês Olivier Messiaen, completaria esta quarta-feira 100 anos. Este compositor, organista e ornitólogo foi também pedagogo, tendo sido professor de Boulez, Stockhausen, Xenakis, entre outros.
Olivier Messiaen nasceu em Avignon, França, a 10 de Dezembro de 1908, e faleceu a 27 de Abril de 1992. Era filho de um professor de Inglês, tradutor de Shakespeare para Francês e de uma poetisa.
Em 1931, foi nomeado organista da igreja da Trindade de Paris, função que desempenhou até à sua morte. Num episódio marcante da sua vida, em 1940 foi feito prisioneiro pelas tropas nazis que invadiram França. No cativeiro, compôs “Quarteto para o fim do tempo” para os quatro instrumentos aí disponíveis: piano, violino, violoncelo e clarinete.

A sua música respira extrema religiosidade, pois era essa a forma encontrada pelo compositor para abordar a sua fé cristã. Messiaen recorreu insistentemente a textos bíblicos para falar de Deus, do Apocalipse, da Ressureição, entre outras inquietações típicas do cristianismo.
A sua obra para órgão é a mais notável do século XX. Transmite-nos uma paz interior que é difícil de definir. Ouça-se, por exemplo, e a propósito da quadra que agora atravessamos, “O nascimento do Senhor”.
~

Estudioso do ritmo, o compositor francês bebeu inspiração em fontes diversas, desde a antiga Grécia ao hinduísmo, passando até pelo gamelão da Indonésia.
Numa das suas obras mais extraordinárias, “Turangalila”, recorreu às Ondas Martenot, instrumento electrónico com um teclado de seis oitavas.

Messiaen considerava-se tanto compositor como ornitólogo. A sua paixão pelos pássaros era tal que povoou a sua música com os seus cânticos. O músico referiu um dia que era capaz de identificar 150 cânticos de aves diferentes. E levantava-se muitas vezes às quatro da manhã para escutar os pássaros no campo.

Pedagogo com vasta erudição, foi um dos professores convidados para leccionar no célebre curso de Darmstadt para jovens compositores, que surgiu na Alemanha depois da Segunda Guerra Mundial. Entre os seus alunos estiveram Stockhausen, Boulez ou Xenakis, que viriam a tornar-se nomes incontornáveis da história da música.
Músico fervorosamente cristão, Messiaen lamentava, apenas, o facto de, nas suas obras, ter de falar de fé para ateus.

Rui Branco

Create a free website or blog at WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: