A socialização secundária é a interiorização de “submundos” insti¬tucionais ou baseados em instituições. O número e o tipo destes submundos é determinado pela complexidade da sociedade. A socia¬lização secundária é a aquisição do conhecimento de funções especí¬ficas, de condutas de rotina próprias às instituições.
Os submundos interiorizados na socialização secundária são geralmente parciais, em contraste com o “mundo básico” adqui¬rido na socialização primária. Contudo, eles também são realida-des mais ou menos coerentes, caracterizadas por componentes normativos e afectivos.
A socialização secundária pressupõe a socialização primária, ou seja, acontece com um indivíduo com uma personalidade já formada e um mundo já interiorizado. Isto pode ser um problema, uma vez que a realidade já interiorizada tem tendência a per¬sistir. Os novos conteúdos devem sobrepor-se à realidade já presente, e pode haver problemas de coerência entre as interiorizações primárias e as novas.

Peter L. Berger e Thomas Luckmann, Construção Social da Realidade, Vozes, 1973 (adaptado)

Anúncios