Pesquisar

detritus toxicus

Curadoria de conteúdos

Mês

Setembro 2008

Texto 004 – Definição de “Comunidade”

Primeiro considerada como uma totalidade, uma entidade substancial que F. Tönnies (1887) opôs à sociedade, a comunidade é hoje encarada como um conjunto de relações sociais complexas cuja natureza e orientações são examinadas em enquadramentos específicos: religioso, económico, científico, etc.

 

Nos seus inícios, o estudo das comunidades não esteve isento de segundas intenções políticas. A intenção reformista é evidente, na França, em F. Le Play e nos seus seguidores, e de uma maneira geral na Europa (Stahl 1939); não está totalmente ausente dos trabalhos efectuados por W. L. Warner e P. S. Lunt (1941-1959), depois por W. H. Whyte nos Estados Unidos da América, onde o desenvolvimento da análise psicossociológica foi também acompanhado da procura de um ideal de integração social. Mas, quer se trate de unidades rurais ou urbanas, de aldeias ou de bairros, a sociologia das comunidades viu-se confrontada com diferentes problemas; primeiro, de definição: Hillery catalogou perto de uma centena; de método, também: dificuldade de observação-participação; e, ainda, de referência teórica: nem as comunidades camponesas nem as comunidades familiares oferecem um modelo satisfatório para explicar todos os processos de participação, de institucionalização e de organização.

 

Raymond Boudon, Dicionário de Sociologia

Anúncios

Texto 003 – O que é a Sociologia?

Uma grande diversidade caracteriza os objectivos e os métodos da sociologia. Ela apresenta-se como a própria génese da disciplina, a partir das tentativas de aritmética política de W. Petty nos sécs. XVII e XVII, dos quadros descritivos de J. P. Süssmilch, da matemática social de Condorcet. Esta diversidade é também patente entre os dois precursores, Montesquieu e J.-J. Rousseau, entre a ciência recentemente criada por A. Comte e a concepção que dela tem É. Durkheim. De chofre, a constituição da sociedade como objecto de análise provocou o aparecimento de múltiplos discursos sobre o carácter relativo, ou mesmo artificial, de enquadramentos sociais tidos até ao séc. XVIII como imutáveis e garantidos pela divina Providência.

 

A sociologia crítica, nomeadamente com a escola de Francoforte, encontra a sua origem no processo intentado pelos filósofos das Luzes à sociedade que eles intimaram a comparecer perante o tribunal da Razão. Após os abalos políticos do fim do século, a Revolução Industrial teve igualmente como efeito orientar a reflexão para a reorganização geral das disposições sociais. Este projecto “construtivista” inspirou no séc. XIX especulações de toda a espécie, umas ao lado da utopia, como em H. de Saint-Simon e sobretudo C. Fourier, outras apoiadas por uma filosofia da história do tipo da que foi formulada em 1936 por Comte na lei dos três estados.

 

A vontade de Marx de instituir uma sociedade sem classes tem igualmente a ver com esse desígnio de conjunto. Podemos, em última análise, ligar a esta visão global do social os trabalhos de Durkheim, de M. Weber e de V. Pareto. Nas suas obras, que constituem o corpus da sociologia clássica, são as grandes componentes e as principais tendências da sociedade moderna que são estudadas por vias diferentes, que se reúnem na integração sistemática de elementos tirados de todas as disciplinas constitutivas das ciências humanas: o direito, a história, a economia, a etnologia, etc.

 

Assim, num contexto duplamente marcado pelo positivismo de Comte e pelo evolucionismo de H. Spencer, os objectivos visados (a identificação de regularidades históricas, o enunciado das leis da evolução ou o estabelecimento de grandes relações funcionais) traduzem a preocupação de compreender o funcionamento da sociedade. Diferentemente das outras ciências, a sociologia não tinha de preocupar-se com delimitar o seu domínio de investigação.

 

Os trabalhos que incidem sobre questões nitidamente circunscritas não têm, no entanto, faltado no séc. XIX. Ao escolher estudar a democracia na América e depois o Antigo Regime e a Revolução, A. de Tocqueville escapava à urgência de uma “reorganização da sociedade europeia”. Numa direcção inteiramente diferente, L. A. Quetelet aplicava-se a introduzir o número e a medida na ciência do homem. F. Le Play e os seus discípulos multiplicavam as monografias sobre pequenas unidades sociais. Estas pesquisas mostram bem a heterogeneidade dos quadros em que elas se inscrevem: a filosofia política, a sociologia quantitativa, a sociografia descritiva. Por razões que têm a ver com as suas orientações metodológicas ou ideológicas, exerceram menos influência que as filosofias sociais e os estudos gerais da sociedade.

 

O desenvolvimento destas últimas foi acompanhado de uma exigência de positividade e de objectividade que se viu satisfeita pelo recurso às ciências físicas ou biológicas para explicar os fenómenos sociais; daí derivam as metáforas mecanicistas e organicistas que abundam nas sociologias gerais. Por outro lado, a obsessão de afirmar a especificidade do social contra a singularidade subjectiva levou Durkheim a construir a sociologia fora de toda a referência à psicologia, tapando deliberadamente as vias fecundas abertas por G. de Tarde para a psicologia social. As vicissitudes, os falsos debates (indivíduo/sociedade) e as falsas querelas (qualitativo/quantitativo) que a sociologia conheceu, nomeadamente na França, devem relacionar-se com essas orientações primeiras. Devem sem dúvida ser tomadas em consideração, como fez P. Lazarsfeld, “as variações nacionais das acções sociológicas”, assim como os constrangimentos institucionais e materiais a que estas últimas estão sujeitas. Mas nota-se em toda a parte uma partilha entre sociologia crítica e sociologia empírica, filosofia social e sociografia, pontos de vista especulativos e trabalhos descritivos. Também por todo o lado, ensaios e pesquisas distinguem-se pelo nível privilegiado – macrossociológico ou microssociológico -, o tipo de observação escolhido, a natureza dos indicadores retidos… Por todo o lado, enfim, o recorte, quer horizontal (por exemplo, a sociologia urbana) quer vertical (por exemplo, a mobilidade social), do terreno do sociólogo deu lugar a estudos especializados, sem que desapareça a procura de uma teoria geral, como testemunham T. Parsons e G. Gurvitch, etc. Numa época em que os media difundem informações que dão a cada indivíduo a ilusão de conhecer a sociedade em que vive, uma dupla advertência, histórica e metodológica, sobre o que é a sociologia se impõe.

 

Começou com a recapitulação dos contributos anteriores que integram as contribuições a que não se tinha prestado suficiente atenção (as de Tarde, de G. Simmel, de G. Mosca, por exemplo) e com a implementação de princípios explicativos claramente definidos, como os do individualismo metodológico conceptualizado por R. Boudon.

 

Raymond Boudon, Dicionário de Sociologia

 

 

Texto 002 – A diversidade cultural

DIVERSIDADE CULTURAL

A diversidade das culturas [e comunidades] humanas é extraordinária. As formas aceites de compor­tamento variam grandemente de cultura para cultura, contrastando frequentemente de um modo radical com o que as pessoas das sociedades ocidentais consideram «normal». Por exemplo, no Ocidente moderno a matança deliberada de recém-nascidos e bebés é conside­rada como um dos crimes mais horrendos. No entanto, na cultura chinesa tradicional, as crianças de sexo feminino eram frequentemente estranguladas à nascença, uma vez que eram vistas como um encargo para a família e não como um património.

No Ocidente, comemos ostras, mas não comemos gatinhos e cachorros, e tanto uns como os outros são considerados, em algumas partes do mundo, iguarias gastronómicas. Os Judeus não comem carne de porco, enquanto os Hindus, embora comam porco, evitam a carne de vaca. Os Ocidentais consideram o acto de beijar uma parte natural do comporta­mento sexual, mas em muitas outras culturas esse acto é ou desconhecido ou considerado de mau-gosto. Todos estes diferentes tipos de comportamento são aspectos das grandes diferen­ças culturais que distinguem as sociedades umas das outras.

As sociedades de pequena dimensão (como as sociedades de «caçadores-recolecto­res») tendem a ser culturalmente uniformes, mas as sociedades industrializadas, pelo contrário, são culturalmente diversificadas, envolvendo numerosas subculturas diferentes. Nas cidades modernas, por exemplo, muitas comunidades subcultu­rais vivem lado a lado — negros oriundos das índias Ocidentais, paquistaneses, indianos, italianos, gregos e chineses habitam, hoje em dia, algumas zonas centrais de Londres. Todas elas têm o seu próprio território e modos de vida.

Anthony Giddens, “Sociologia”, Fundação Calouste Gulbenkian

Charles Darwin

Alguns vídeos, disponíveis no Youtube, sobre Darwin:

Menos superficiais, mas em inglês, este excelente documentário, com Richard Dawkins e Edward Wilson:

Charles Darwin Legacy, 1, 2, 3, 4, 5

Em castelhano, uma síntese da Teoria da Evolução:

Texto 001 – A evolução

A ESPÉCIE HUMANA

Charles Darwin, um presbítero ordenado pela Igreja Anglicana, publicou em 1851 a sua obra A Origem das Espécies, após duas viagens à volta do mundo a bordo do navio Beagle. Acumulando meticulosamente observações sobre as diferentes espécies animais, Darwin definiu uma perspectiva sobre a evolução dos animais e dos seres humanos bastante diferente de qualquer outra anteriormente defendida. Embora em tempos mais remotos fosse comum as pessoas acreditarem em seres que fossem meio animais, meio humanos, com as descobertas de Darwin tais possibilidades foram completamente postas de parte. Darwin reivindicuou a descoberta de uma continuidade na evolução dos seres humanos a partir dos animais. As nossas características humanas, segundo ele. são o resultado de um processo de mudança biológica que pode fazer remontar às origens da vida na Terra, há mais de três biliões de anos atrás. A opinião de Darwin sobre os animais e humanos foi, para muitos, muito mais difícil de aceitar do que as tais criaturas semi-humanas e fantásticas. Ele iniciou uma das mais debatidas teorias da ciência moderna, embora convincente – a teoria da evolução.

 

A evolução

Segundo Darwin, a evolução da espécie humana surgiu como resultado de um processo aleatório. Em muitas religiões, incluindo o Cristianismo, animais e seres humanos são vistos como criação da intervenção divina. A teoria evolucionista, pelo contrário. encara a evolução das espécies animais e humana como algo desprovido de intencionalidade. A evolução é o resultado do que Darwin chamou selecção natural. A ideia de selecção natu­ral é simples. Todos os seres orgânicos necessitam de alimento e de outros recursos, como a protecção face a extremos climáticos, de modo a permitira sobrevivência; mas não há recur­sos suficientes que sustentem todos os tipos de animais que existem num determinado período, na medida em que eles produzem mais descendência do que a alimentação disponível. As espécies mais bem adaptadas ao meio ambiente são as que sobrevivem, enquanto outras espécies, menos capazes de lidar com as suas exigências, morrem. Alguns animais são mais inteligentes, movem-se mais rapidamente e têm uma melhor visão do que outros. Na luta pela sobrevivência, estão em vantagem sobre os menos dotados.Vivem mais tempo e são capazes de se reproduzir, passando as suas características às gerações subsequentes. São os ((seleccionados>> para sobreviver e reproduzir-se.

Existe um processo contínuo de selecção natural em virtude do mecanismo biológico da mutação. Uma mutação é um conjunto de mudanças genéticas aleatórias que alteram as características biológicas de alguns indivíduos de uma espécie. Grande parte das mutações são ou inúteis ou prejudiciais, em termos do seu valor para a sobrevivência, mas algumas dão a um animal vantagem competitiva sobre os outros: indivíduos que possuem genes mutantes têm tendência para sobreviver à custa de outros que não os têm. Este processo explica tanto as mudanças sem grande significado que ocorrem numa dada espécie como as mais significativas que levam à extinção de espécies inteiras. Por exemplo, há muitos milhões de anos atrás, prosperavam répteis gigantes em várias regiões do mundo. O seu tamanho tornou-se um óbice à medida que as mutações que ocorriam em outras espécies mais peque­nas lhes davam capacidades superiores de adaptação. Os primeiros antepassados dos homens encontram-se entre estas espécies com melhores capacidades de adaptação.

Embora a teoria da evolução tenha vindo a ser aperfeiçoada desde o tempo de Darwin, a essência da posição de Darwin sobre a evolução é ainda hoje largamente aceite.

Anthony Giddens, “Sociologia”, Fundação Calouste Gulbenkian

SOS – Professores colocados

Cidadania e Profissionalidade: NG3

Fontes interessantes disponíveis na internet para o Núcleo Gerador 3, “Reflexividade e Pensamento Crítico”:

Eis o documentário analisado na aula/sessão:

Restantes partes do documentário:

2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12

A utilização destas fontes deverá adequar-se às orientações definidas pela equipa pedagógica na disciplina correspondente da plataforma Moodle do CNO.

É fundamental ter em conta que estes são materiais meramente introdutórios, pois a consecução das actividades integradoras implica a existência de outros materiais, disponibilizados nas sessões de formação.

 

 

Político honesto

1 – Entra no Google: www.google.com

2 – digita o seguinte: ‘politico honesto’

3 – prime em ‘Sinto-me com sorte’ e não em ‘Pesquisa do Google’

4 – vê o resultado (lê com atenção)!

Guerra Junqueiro

Texto escrito em 1896 por Guerra Junqueiro in "Pátria".

" Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e
sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos
de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de
dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz
de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se
lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo,
enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da
sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional,
reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta (…)

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta ate à medula, não
descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem
carácter, havendo homens que, honrados (?) na vida intima, descambam
na vida publica em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a
veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao
roubo, donde provém que na politica portuguesa sucedam, entre a
indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis
no Limoeiro (…)

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este
criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto
pela abdicação unânime do pais, e exercido ao acaso da herança, pelo
primeiro que sai dum ventre, como da roda duma lotaria.

A justiça ao arbítrio da Politica, torcendo-lhe a vara ao
ponto de fazer dela saca-rolhas;

Dois partidos (….), sem ideias, sem planos, sem convicções,
incapazes (…) vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e
pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao
outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgando e fundindo,
apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, - de não
caberem todos duma vez na mesma sala de jantar (…)"

Create a free website or blog at WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: