Texto 004 – Definição de “Comunidade”

Primeiro considerada como uma totalidade, uma entidade substancial que F. Tönnies (1887) opôs à sociedade, a comunidade é hoje encarada como um conjunto de relações sociais complexas cuja natureza e orientações são examinadas em enquadramentos específicos: religioso, económico, científico, etc.

 

Nos seus inícios, o estudo das comunidades não esteve isento de segundas intenções políticas. A intenção reformista é evidente, na França, em F. Le Play e nos seus seguidores, e de uma maneira geral na Europa (Stahl 1939); não está totalmente ausente dos trabalhos efectuados por W. L. Warner e P. S. Lunt (1941-1959), depois por W. H. Whyte nos Estados Unidos da América, onde o desenvolvimento da análise psicossociológica foi também acompanhado da procura de um ideal de integração social. Mas, quer se trate de unidades rurais ou urbanas, de aldeias ou de bairros, a sociologia das comunidades viu-se confrontada com diferentes problemas; primeiro, de definição: Hillery catalogou perto de uma centena; de método, também: dificuldade de observação-participação; e, ainda, de referência teórica: nem as comunidades camponesas nem as comunidades familiares oferecem um modelo satisfatório para explicar todos os processos de participação, de institucionalização e de organização.

 

Raymond Boudon, Dicionário de Sociologia

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