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O matemático Roger Penrose afirmou, depois de ler o livro de Lorenz Puntel, que a teoria deste filósofo brasileiro é a primeira filosofia que lhe dá toda a liberdade para ele fazer o que quiser enquanto cientista. De facto, Puntel separa bem os objectos de estudo da filosofia e da ciência: a filosofia estuda as estruturas universais e a ciência as particulares. Esta foi apenas uma das afirmações surpreendentes com que Puntel foi pontuando uma conferência onde explicou a sua teoria compreensiva do ser. No entremeio, alertou para a necessidade do pensamento cristão actual pensar Deus na sua dimensão universal, até porque não há outra diz

“Quando ouço pensadores cristãos a dizer que Deus é algo distante de nós, que é absolutamente outro, fico espantado e chocado”. Foi com esta frase que Lorenz Puntel agarrou as pessoas que o ouviam na passada sexta-feira, na Faculdade de Filosofia de Braga. Puntel é um filósofo brasileiro, cuja aparência nos faria pensar que a sua nacionalidade só poderia ser alemã. E, de facto, é na Alemanha que Puntel tem ensinado, mais concretamente na Universidade de Munique.

Mas voltemos à sua visão de Deus. “Pensar que Deus á algo distante de nós, distante do nosso «eu», é criar um empecilho para que uma pessoa possa admitir esse Deus”. E insiste: “se Deus não nos engloba, Deus é um fantoche. Ele só é um outro a partir do que nós dizemos”.

Este é apenas um dos argumento abrangidos pela tese que Puntel tem vindo a explicar em vários pontos do globo desde há dois anos, altura em que publicou o seu livro: Struktur und Sein: Ein Theorierahmen für systematische Philosophie. Tübingen: Mohr Siebeck, 2006 (título em alemão), onde explicita a sua tese.

Que tese é essa? Para o filósofo, “só faz sentido falar de Deus (cristão) se se pressupõe, explícita ou implicitamente, uma visão global da realidade total”. É por isso que o autor propõe uma “teoria compreensiva do ser”.

É por isso que diz rejeitar todos os argumentos a favor da existência de Deus porque todos o reduzem a uma parte do mundo: “se Deus não abrange tudo o que existe, ele é apenas um ídolo”. É por isso também que, alerta, “uma das tarefas actuais do pensamento cristão é pensar Deus na sua dimensão universal”.

“A filosofia não tem nada a dizer sobre o que estuda a ciência”

Na sua teoria estrutural- sistemática do ser, Puntel admite a existência de dois tipos de estruturas: as universais e as particulares. As estruturas particulares são aquelas que a Ciência estuda. “Entendo que a filosofia não tem nada a dizer sobre o que são as estruturas físicas. Nessas, só a Ciência tem uma palavra a dizer”.

Esta posição defendida por Puntel, e explicitada no seu livro, valeu-lhe um grande elogio do reputado matemático Roger Penrose que lhe disse o seguinte: “Pela primeira vez encontro uma filosofia que, como filosofia, me deixa totalmente descansado porque me dá toda a liberdade para eu fazer o que quero enquanto cientista”.

Convém, pois, frisar que para Puntel, a filosofia é “a teoria das estruturas universais do universo do discurso”, sendo que o universo do discurso é tudo sobre o qual se pode falar. É por isso que, nota, “quando se diz que não se pode falar de Deus, já se está a falar. E é preciso aceitar isso com humildade, embora perceba que falar hoje sobre este assunto seja difícil por causa da evolução do pensamento”.

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