15.11.2007

Os resultados agora divulgados sobre a clonagem em macacos apenas dizem respeito a um tipo de clonagem: a clonagem terapêutica (que apenas visa obter células geneticamente iguais às de um dador). Os cientistas norte-americanos não abordam, no seu artigo, a questão da “outra” clonagem, aquela que se salda pelo nascimento de um ser vivo idêntico ao adulto que forneceu as células do seu corpo. Mas é evidente que, tendo sido possível ultrapassar a “barreira das espécies”, realizando a clonagem inédita de embriões de primata, a clonagem de embriões humanos torna-se mais plausível. Volta assim a pairar o “espectro” da clonagem reprodutiva humana.
Shoukhrat Mitalipov, o líder do trabalho agora divulgado pela Nature, é o primeiro a ter a certeza de que o que já foi possível fazer no macaco Rhesus vai rapidamente sê-lo para o Homo sapiens: “Basicamente, penso que a nossa tecnologia é directamente aplicável aos humanos; estou convencido de que vai funcionar”, disse ontem numa conferência de imprensa telefónica. A sua equipa não tenciona ser uma das que irão aplicar a nova técnica à clonagem de embriões humanos – “apenas trabalhamos com macacos”, diz Mitalipov. Mas espera que o seu trabalho seja útil para outros. Isso não significa, porém, que vá ser possível, a curto prazo, clonar um bebé humano. Para já, no macaco Rhesus, tal coisa ainda não deu resultado – e a equipa de Mitalipov sabe-o bem, pois passou anos a tentar fazê-lo sem sucesso. Este cientista salientou que ainda não sabia como é que os embriões de macados obtidos pela nova técnica de clonagem se iriam comportar – se seriam ou não viáveis até ao termo da gravidez. Mas é um facto que tenciona experimentar clonar macacos Rhesus (e não apenas os seus embriões).
Isso permitiria obter um modelo animal muito mais próximo do humano do que os ratinhos, “para fazer experiências de transplantes, testar a segurança dos procedimentos e simular as doenças humanas, introduzindo mutações genéticas nos embriões dos macacos”. A.G.

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