Washoe, a chimpanzé que sabia falar através de ameslan (american sign laguage) e cuja história vem descrita (entre muitos outros) em “A realidade é real?“, de Paul Watzlawick.

A propósito de Washoe, e não só, já Sagan se interrogava quanto tempo mais precisaríamos nós, humanos, para proceder a uma reclassificação do género humano.

Morreu primata que sabia “falar”

A chimpanzé fêmea que aprendera 250 palavras da linguagem gestual morreu ontem com 42 anos, anunciaram os cientistas que trabalharam com este animal, o primeiro a dominar uma linguagem humana.

Tinham-lhe chamado Washoe, nasceu em África e passou grande parte da sua vida na Universidade Central Washington, junto dos investigadores do Instituto do Chimpanzé e da Comunicação Humana.

Antes disso, logo a partir dos últimos anos da década de 60, ela esteve num centro de investigação da Universidade de Reno, no Estado norte-americano do Nevada. Foi aí que os primatólogos Allen Gardner e a sua mulher Beatrice iniciaram um programa que consistia em ensinar chimpanzés a comunicar através da versão americana da linguagem gestual.

O casal de investigadores Gardner praticamente adoptou Washoe, que passava uma parte do tempo a brincar no jardim da família, convivendo com seres humanos, inclusive crianças. Em algumas fases do projecto registaram-se controvérsias quer quanto ao treino a que o animal era submetido, quer quanto a uma alegada “humanização” da primata e “deshumanização” de um filho dos investigadores.

A chimpanzé aprendeu 250 palavras. Outro feito inédito que conseguiu foi o de ensinar também sinais da linguagem gestual ao seu filho adoptivo Loulis.

As experiências com Washoe foram descritas no livro “Parentesco próximo o que os chimpanzés me ensinaram sobre os humanos”. Publicada em 1997, a obra foi escrita por um dos directores do Instituto do Chimpanzé, Roger Fouts, e registou enorme sucesso. Na internet mantém-se um site de “Amigos de Washoe”, em http://www.friendsofwashoe.org/. A longevidade de Washoe excedeu em cerca de nove anos o tempo de vida médio destes primatas, que é de cerca de 33,5 anos.

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