Psicanálise dos contos de fadas

“Hoje, com em tempos idos, a mais importante e mais difícil tarefa na educação de um filho é ajudá-lo a encontrar um sentido para a vida. Para se conseguir isso são necessárias muitas experiências de crescimento. Enquanto se desenvolve, a criança tem de aprender, passo a passo, a coompreender-se melhor a si própria; com isso ficará apta a compreender os outros e, eventualmente, a relacionar-se com eles por vias mutuamente satisfatórias e significativas.”

Bruno Bettelheim, “Psicanálise dos contos de fadas“, Bertrand.

Mais sobre contos infantis:

http://tapetedesonhos.wordpress.com/

http://www.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/C/conto_fadas.htm

CONTO DE FADAS

Actualmente, o termo engloba uma variedade de narrativas, sobretudo histórias que por regra possuem elementos “atemporais” e que normalmente recorrem a heróis (ou heroínas) quase sempre jovens, corajosos e habilidosos que passam por aventuras estranhas, por vezes mágicas, que lhes servem de teste para um eventual destino feliz, e madrastas malévolas (ou padrastos) cuja função é dificultar‑lhes a vida ao longo da narrativa. Toda a história se desenrola no sentido de demonstrar um princípio moral que ou aparece em apêndice (como no caso dos contos de Perrault) ou é construído ao longo do texto (como no caso dos contos de Grimm). Exemplos de histórias como estas encontram‑se em muitos países. Apesar das suas características ditas “universais”, o conto de fadas tem sofrido alterações ao longo do tempo, de acordo com os gostos conscientes ou inconscientes de cada geração. Tal como o mito, também o conto de fadas apresenta seres e acontecimentos extraordinários, mas, em contrapartida e tal como a fábula, tende a desenrolar‑se num cenário temporal e geograficamente vago, iniciando‑se e terminando quase sempre da mesma forma: “Era uma vez…” e “Viveram felizes para sempre.” Entre os muitos exemplos destacam‑se; “A Cinderela”; “A Branca de Neve e os Sete Anões”; “A Bela Adormecida”; “O Capuchinho Vermelho”; “João e o Feijoeiro Gigante”, etc.

Em Portugal, devido ao rígido sistema religioso e de imprensa, a publicação de contos de fadas foi proibida entre o século XVII e o início do século XIX. Só após essa data, se assiste à tradução destes contos para Português e, à semelhança do que aconteceu nos outros países, também eles foram adaptados à realidade nacional, sofrendo alterações com o passar dos anos.

 

No século XX, surgiu uma tentativa por parte de alguns psicólogos, tais como Sigmund Freud, Carl Jung e Bruno Bettelheim de interpretar determinados elementos dos contos de fadas como manifestações de desejos e medos. Bettelheim, no seu livro Psicanálise dos Contos de Fadas (1975) defende que a leitura de contos de fadas não só oferece à imaginação da criança novas dimensões que seria impossível ela descobrir por si só, como também contribui para o seu crescimento interior. Para este psicólogo, os contos de fadas são verdadeiras obras de arte plenamente compreensíveis para as crianças, como nenhuma outra forma de arte o consegue ser.

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4 Comments

  1. Eu, que sou anti-eduquês, estou inteiramente de acordo!
    O mal nestas questões é que tendemos a ser ortodoxos. Não compreendemos, ou não queremos compreender, que um anti-eduquês não é necessariamente positivista, fascista, conservador, neo-liberal ou qualquer outra coisa com que os adeptos do pós-modernismo brindam todos os outros. Mas não deixa de ter a sua piada: ao mesmo tempo que apelam à relatividade, para não dizer ao relativismo (cultural, ético, epistemológico,…) os pós-modernaços adoram demonstrar a meio mundo que as SUAS verdades são rigorosamente não-relativistas e não-subjectivas. É uma espécie de absolutismo do pensamento único.
    Apetece-me citar António Sérgio.

    Um abraço para Évora e boa sorte no concurso de professores. Julgo que no próximo ano haverá melhores notícias.

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