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Novembro 2007

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Células estaminais sem embriões

Duas equipas fazem ao mesmo tempo uma descoberta sensacional

Dois grupos de cientistas, um japonês e o outro americano, conseguiram transformar células da pele humana em células que parecem estaminais embrionárias. A descoberta abre grandes possibilidades, talvez ilimitadas, na regeneração dos tecidos humanos e de órgãos com deficiências.

Esta inovação também poderá alterar o debate político sobre as células estaminais produzidas a partir de embriões humanos. O uso e destruição destes embriões tem sido muito contestado, levando a administração Bush a travar os financiamentos públicos.

O estudo da equipa americana, liderada por James Thompson (da Universidade de Wisconsin), foi publicado pela revista Science e o japonês (a equipa chefiada por Shinya Yamanaka, da Universidade de Quioto) foi ontem anunciado, antes da sua publicação, na revista especializada Cell. Os japoneses desenvolveram uma técnica baseada numa receita química simples (apenas quatro ingredientes) cujo efeito é o de converter célula da pele em células que possuem muitas características físicas, de crescimento ou até genéticas das células embrionárias, cuja diferenciação permite produzir neurónios ou tecidos cardíacos. Não se atingiu a capacidade de diferenciação de uma célula estaminal embrionária e os japoneses sublinham ser “prematuro” pensar que estas células podem substituir as estaminais embrionárias.

Uma vez melhorada esta técnica, será possível obter células estaminais com o mesmo código genético do paciente, abrindo perspectivas ao tratamento de doenças ou de transplantes, pois serão reduzidos os riscos de rejeição. A esperança que os cientistas colocam nas células estaminais deriva da capacidade que estas têm de se diferenciarem em 220 tipos diferentes de células do corpo humano.

Citados pelas agências, vários peritos sublinham a importância destas duas investigações. “Trabalho monumental”, com “impacto na nossa capacidade de acelerar as aplicações desta tecnologia”, explicou à AFP um especialista em cardiologia. A descoberta terá prováveis aplicações no tratamento de doenças cardíacas, na luta contra o cancro, além de permitir combater Alzheimer, Parkinson, diabetes, entre muitas outras doenças. Será possível melhorar o tratamento de queimados e lesões da medula.

L. N.

E a clonagem de seres humanos?

15.11.2007

Os resultados agora divulgados sobre a clonagem em macacos apenas dizem respeito a um tipo de clonagem: a clonagem terapêutica (que apenas visa obter células geneticamente iguais às de um dador). Os cientistas norte-americanos não abordam, no seu artigo, a questão da “outra” clonagem, aquela que se salda pelo nascimento de um ser vivo idêntico ao adulto que forneceu as células do seu corpo. Mas é evidente que, tendo sido possível ultrapassar a “barreira das espécies”, realizando a clonagem inédita de embriões de primata, a clonagem de embriões humanos torna-se mais plausível. Volta assim a pairar o “espectro” da clonagem reprodutiva humana.
Shoukhrat Mitalipov, o líder do trabalho agora divulgado pela Nature, é o primeiro a ter a certeza de que o que já foi possível fazer no macaco Rhesus vai rapidamente sê-lo para o Homo sapiens: “Basicamente, penso que a nossa tecnologia é directamente aplicável aos humanos; estou convencido de que vai funcionar”, disse ontem numa conferência de imprensa telefónica. A sua equipa não tenciona ser uma das que irão aplicar a nova técnica à clonagem de embriões humanos – “apenas trabalhamos com macacos”, diz Mitalipov. Mas espera que o seu trabalho seja útil para outros. Isso não significa, porém, que vá ser possível, a curto prazo, clonar um bebé humano. Para já, no macaco Rhesus, tal coisa ainda não deu resultado – e a equipa de Mitalipov sabe-o bem, pois passou anos a tentar fazê-lo sem sucesso. Este cientista salientou que ainda não sabia como é que os embriões de macados obtidos pela nova técnica de clonagem se iriam comportar – se seriam ou não viáveis até ao termo da gravidez. Mas é um facto que tenciona experimentar clonar macacos Rhesus (e não apenas os seus embriões).
Isso permitiria obter um modelo animal muito mais próximo do humano do que os ratinhos, “para fazer experiências de transplantes, testar a segurança dos procedimentos e simular as doenças humanas, introduzindo mutações genéticas nos embriões dos macacos”. A.G.

A clonagem chega ao mundo dos primatas e desta vez não é ficção

15.11.2007, Ana Gerschenfeld

É oficial: cientistas americanos clonaram, pela primeira vez, embriões de macacos Rhesus. Um avanço que abre a porta à clonagem humana para fins terapêuticos

Chama-se Semos, como o deus-macaco da versão mais recente do filme Planeta dos Macacos. Mas não é ficção científica: é um macaco Rhesus que vive no Centro Nacional de Investigação dos Primatas, no Oregon (EUA), e cujas células cutâneas serviram para clonar, pela primeira vez, embriões de macacos.
A partir desses embriões, Shoukhrat Mitalipov e os seus colegas geraram duas linhas de células estaminais embrionárias (CEE), que são capazes de originar todos os tecidos do organismo e cujas potencialidades terapêuticas podem ser imensas. Os resultados foram ontem divulgados on-line pela Nature e serão publicados a 22 Novembro.
Até agora, ninguém tinha conseguido semelhante feito num primata. Já tinha havido várias “falsas partidas”, tanto no macaco como no homem. Uma delas, aliás, revelar-se-ia fraudulenta, com cientistas sul-coreanos a anunciarem, em 2004, que tinham clonado embriões humanos e extraído daí linhagens de CEE humanas.
De facto, instalou-se um grande pessimismo nos anos que se seguiram ao nascimento de Dolly, em 1997. A tal ponto que, em 2003, Gerald Schatten, da Universidade de Pittsburgh, declarou, após 716 tentativas de clonar um primata, que isso talvez não fosse possível. “Com os métodos actuais”, disse, “a produção de CEE [clonagem terapêutica] em primatas não-humanos pode revelar-se difícil – e a clonagem reprodutiva impossível”.
Ao passo que a clonagem terapêutica consiste em obter CEE a partir de embriões clonados que são a seguir descartados, a clonagem reprodutiva visa a implantação dos embriões no útero de fêmeas, para obter crias. A possibilidade de se fazer o mesmo no ser humano tem suscitado grandes preocupações.
Dez anos de esforços
A equipa de Mitalipov estava há 10 anos a tentar a clonagem reprodutiva de primatas e, nesse processo, utilizaram 15 mil ovócitos. Em vão. Conta a nature.com que, “quando souberam que os resultados da Coreia do Sul eram fraudulentos, decidiram dedicar-
-se à clonagem terapêutica”.
Mas tiveram de modificar a técnica da Dolly, dita de “transferência nuclear de células somáticas”, porque havia qualquer coisa que não resultava com os primatas. A técnica de base consiste em colher células do corpo de animais adultos, introduzi-las em ovócitos de fêmeas previamente esvaziados do seu ADN e em fundir as duas células, dando origem a um embrião geneticamente idêntico ao doador das células adultas.
Os cientistas explicam as diferenças que introduziram: luz polarizada para ver o ADN do ovócito em vez de luz ultravioleta ou um pigmento especial, como acontece na técnica convencional; e uma solução de nutrientes que permite controlar melhor a activação dos ovócitos pelos genes da célula do doador adulto – que, neste caso, eram as células da pele do macaco Semos, com 9 anos de idade. A eficiência do novo processo é ainda muito reduzida – foram precisos 150 ovócitos para gerar cada linhagem de CEE -, mas funcionou. Todavia, nada foi anunciado antes de outra equipa ter confirmado os resultados.
Numa inédita decisão, os editores da Nature resolveram ter a certeza absoluta de que não estavam perante mais um falso alarme. Por isso, o artigo principal é acompanhado por outro, da autoria de David Cram e colegas da Universidade de Monash, na Austrália, que confirma que as CEE obtidas nos EUA provêm efectivamente de embriões clonados por transferência nuclear – e não foram obtidos por fertilização in vitro convencional ou partenogénese (formação de um embrião por divisão, sem fecundação).
Ruth Francis, da Nature, disse ao PÚBLICO que isto tinha sido feito “dada a importância das implicações dos resultados para a investigação médica e para a história na área da clonagem”, acrescentando que “tais verificações não devem ser vistas como uma marca de desconfiança em relação aos cientistas, mas como uma maneira directa de resolver logo as questões que iriam ser levantadas quanto à veracidade das experiências”.
As CEE obtidas parecem ser em tudo idênticas às CEE naturais. Em particular, explicou ontem Mitalipov numa conferência telefónica, já conseguiram transformá-las, in vitro, em células cardíacas e em neurónios. “E, quando as injectamos em ratinhos, elas formam tumores que indicam que podem, de facto, dar origem a todos os tecidos do organismo.”
Os cientistas querem melhorar a eficiência da técnica: “Seria bom utilizar apenas cinco a dez ovócitos para obter uma linhagem de CEE”, diz Mitalipov. Mas o objectivo principal é utilizar os macacos Rhesus como modelo animal para testar aplicações das CEE em medicina humana, “por exemplo, na diabetes”.
150
ovócitos
foram necessários para gerar uma linhagem de células estaminais
embrionárias
No domingo, a Universidade
das Nações Unidas (UNU), um centro de estudo internacional com sede em Tóquio, no Japão, divulgou um parecer sobre a atitude que o mundo deveria adoptar face à clonagem humana. O parecer concluía que, entre as hipóteses que se colocam à comunidade internacional, a mais viável do ponto de vista político seria a proibição global da clonagem reprodutiva humana, aliada à liberdade de cada nação permitir a investigação em clonagem terapêutica, mas em moldes estritamente controlados. Basicamente, é este o sistema que vigora actualmente no Reino Unido. “Se não formos capazes de ilegalizar a clonagem reprodutiva, isso significa que, mais tarde ou mais cedo, vamos partilhar o planeta com indivíduos clonados”, declarou Brendan Tobin, advogado
do Centro Irlandês dos
Direitos Humanos e um dos
co-autores do documento,
citado por um comunicado
da UNU, acrescentando
que, se isso acontecer,
tonar-se-á indispensável
garantir a protecção dos seus direitos. A.G.

A perda da Filosofia

A Associação de Professores de Filosofia (APF) afirma a disciplina está a perder alunos, desde que o exame obrigatório a esta matéria acabou no 12º ano, uma preocupação que o Ministério da Educação desdramatiza, assegurando que o peso curricular da Filosofia nunca foi tão grande como agora.

Segundo João Carlos Lopes, da direcção da APF, o fim do exame nacional – decidido pelo Ministério da Educação em 2005 e aplicado este ano pela primeira vez – conduziu ao “desaparecimento” da disciplina no 12º ano, porque os alunos deixaram de a escolher. “Com o fim do exame de Filosofia, deixou praticamente de haver essa disciplina no 12º ano. O ano passado fizemos um inquérito às escolas para ver se estava a ser leccionada. Das 40 escolas de todo o país que responderam, em nenhuma estava a funcionar a disciplina, apesar de haver programa, porque agora é opcional”, afirmou João Carlos Lopes em declarações à Lusa, a propósito do Dia Internacional da Filosofia que se assinala amanhã.

O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, contrapõe, assegurando que “qualquer ideia de que há diminuição do espaço da Filosofia é completamente falsa”. De acordo com o membro do Governo, “pela primeira vez” um aluno do secundário tem oportunidade de ter a disciplina de Filosofia durante três anos, mantendo-se os dois obrigatórios. “A disciplina era obrigatória do 11º e 12º ano. Com a nova reforma passou a ser obrigatória no 10º e 11º. Manteve-se a disciplina nesses anos obrigatória e acrescentou-se no 12º como opcional. Acrescentámos tempo à Filosofia, não retirámos”, argumentou Valter Lemos.

Para o secretário de Estado, uma eventual diminuição da procura da licenciatura em Filosofia – que afirma desconhecer se existe – “não tem a ver com o problema do exame”, até porque se trata uma prova para concluir o ensino secundário e não de acesso ao ensino superior. “Para concluir o ensino secundário não existe exame de Filosofia, como não existe de Biologia, Química, História ou Física”, lembrou, afirmando que a opção de acabar com o exame é “discutível”, mas que isso não pode confundir-se com o peso da filosofia nos currículos dos alunos.

O responsável da APF reconhece que há “decisões políticas que não têm que ver com benefícios ou malefícios de filosofar” e considera que “a filosofia não corre o risco de desaparecer, pois é uma disciplina obrigatória, como muitas outras que não têm exame”. “Não achamos que tenha sido correcta a decisão, mas foi tomada. Fizemos o possível para inverter o processo, mas é uma decisão política e havia a clara necessidade de reduzir os exames”, afirmou João Carlos Lopes.

O responsável entende que tem havido uma diminuição na procura deste curso, mas que não tem a ver obrigatoriamente com o fim do exame. “Tem havido um decréscimo na procura do curso de Filosofia nos últimos anos, o que não terá a ver com o fim do exame nacional, mas com a previsão das saídas profissionais. É uma situação que se tem verificado com todas as disciplinas vocacionadas para o ensino. Há uma redução da procura dos cursos de humanidades a partir do 10º ano, ao contrário do que se passa com os cursos científicos, cujo horizonte de empregabilidade é mais garantido”, considerou o professor.

De acordo com João Carlos Lopes a decisão da Unesco de decretar, em 2002, o Dia Internacional da filosofia tem que ver precisamente com um reconhecimento de que esta disciplina tem vindo a perder peso.

in Público

Nota: convirá esclarecer o senhor Secretário de Estado que a disciplina não era obrigatória no 11º e 12º anos, mas sim nos 10º e 11º, coisa que se mantém; não é a primeira vez que os alunos a podem ter durante três anos, pois isso já acontecia; que não foram acrescentados espaços para a disciplina, mas retirados, dado que a Filosofia não faz parte do currículo dos cursos profissionais, sendo substituída por Área de Integração; e que as disciplinas de Biologia, Química, História ou Física continuam a ser utilizadas como Provas Específicas para acesso ao Ensino Superior, ao contrário do que acontece com a Filosofia.

Acabou a investigação para o crime organizado

Está na altura de mudar de profissão? 

Em declarações proferidas, ontem à noite, no colóquio ‘Temas do Novo Processo Penal’, na Universidade do Algarve, em Faro, Cândida Almeida argumentou que com as alterações feitas “acabou a investigação para o crime organizado” em Portugal. E, acrescentou: “Toda a investigação se tornou burocrática e parada.”

A directora do DCIAP insurgiu-se, em particular, contra a alteração feita ao artigo 86, onde no n.º 1 “se passou a dizer que todo o processo penal é público sob pena de nulidade”, explicou. O Ministério Público pode pedir segredo de justiça mas, continua Cândida Almeida, “mesmo que o juiz concorde, a defesa pode pedir recurso.”

Com a investigação a ter oito meses para se realizar, os prazos são impossíveis de cumprir. Com a agravante de que qualquer arguido poderá pedir, constantemente, o levantamento do segredo de justiça aplicado a cada caso. “Está no seu direito e deve ser feito porque os advogados devem tentar defender os clientes da melhor maneira que a lei permite”, diz.

Na prática, a procuradora-geral adjunta acredita que o segredo de justiça passou a ser “uma falácia” e, assim, a possibilidade de se investigar o crime organizado acabou, pois os criminosos terão acesso a todas as diligências da investigação. “Não faz sentido pedir uma escuta, uma vigilância, uma carta rogatória, se o alvo tem conhecimento desse pedido através do processo”, explicou Cândida Almeida. “A única safa seria não colocar todas as coisas no processo mas isso não é legítimo e o Ministério Público tem de acatar a lei.”

Perante este cenário, Cândida Almeida prevê “a possibilidade exponencial do aumento do crime, nomeadamente do crime mais complexo, do organizado, do que tem uma dimensão internacional.” Da mesma forma que, acredita, as polícias internacionais “deixarão de partilhar informações de crimes internacionais com as polícias portuguesas, uma vez que aqui há acesso aos processos.”

No colóquio, organizado pelo Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, participaram também o presidente do Conselho Distrital da Ordem dos Advogados no Algarve, António Cabrita; o procurador-adjunto Carlos Casimiro; e o candidato a bastonário Magalhães e Silva.

Puro veneno

Conforme os ventos sopram de feição, é ver os eduqueses a virar o bico ao prego e a elegerem como figuras de referência os mesmos que, semanas antes, eram os seus ódios de estimação.

Assim são os “eduqueses”: sem coluna vertebral, seriam capazes de lamber o esgoto para assegurarem um lugar ao sol.

Morreu Washoe

 Washoe, a chimpanzé que sabia falar através de ameslan (american sign laguage) e cuja história vem descrita (entre muitos outros) em “A realidade é real?“, de Paul Watzlawick.

A propósito de Washoe, e não só, já Sagan se interrogava quanto tempo mais precisaríamos nós, humanos, para proceder a uma reclassificação do género humano.

Morreu primata que sabia “falar”

A chimpanzé fêmea que aprendera 250 palavras da linguagem gestual morreu ontem com 42 anos, anunciaram os cientistas que trabalharam com este animal, o primeiro a dominar uma linguagem humana.

Tinham-lhe chamado Washoe, nasceu em África e passou grande parte da sua vida na Universidade Central Washington, junto dos investigadores do Instituto do Chimpanzé e da Comunicação Humana.

Antes disso, logo a partir dos últimos anos da década de 60, ela esteve num centro de investigação da Universidade de Reno, no Estado norte-americano do Nevada. Foi aí que os primatólogos Allen Gardner e a sua mulher Beatrice iniciaram um programa que consistia em ensinar chimpanzés a comunicar através da versão americana da linguagem gestual.

O casal de investigadores Gardner praticamente adoptou Washoe, que passava uma parte do tempo a brincar no jardim da família, convivendo com seres humanos, inclusive crianças. Em algumas fases do projecto registaram-se controvérsias quer quanto ao treino a que o animal era submetido, quer quanto a uma alegada “humanização” da primata e “deshumanização” de um filho dos investigadores.

A chimpanzé aprendeu 250 palavras. Outro feito inédito que conseguiu foi o de ensinar também sinais da linguagem gestual ao seu filho adoptivo Loulis.

As experiências com Washoe foram descritas no livro “Parentesco próximo o que os chimpanzés me ensinaram sobre os humanos”. Publicada em 1997, a obra foi escrita por um dos directores do Instituto do Chimpanzé, Roger Fouts, e registou enorme sucesso. Na internet mantém-se um site de “Amigos de Washoe”, em http://www.friendsofwashoe.org/. A longevidade de Washoe excedeu em cerca de nove anos o tempo de vida médio destes primatas, que é de cerca de 33,5 anos.

Psicanálise dos contos de fadas

“Hoje, com em tempos idos, a mais importante e mais difícil tarefa na educação de um filho é ajudá-lo a encontrar um sentido para a vida. Para se conseguir isso são necessárias muitas experiências de crescimento. Enquanto se desenvolve, a criança tem de aprender, passo a passo, a coompreender-se melhor a si própria; com isso ficará apta a compreender os outros e, eventualmente, a relacionar-se com eles por vias mutuamente satisfatórias e significativas.”

Bruno Bettelheim, “Psicanálise dos contos de fadas“, Bertrand.

Mais sobre contos infantis:

http://tapetedesonhos.wordpress.com/

http://www.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/C/conto_fadas.htm

CONTO DE FADAS

Actualmente, o termo engloba uma variedade de narrativas, sobretudo histórias que por regra possuem elementos “atemporais” e que normalmente recorrem a heróis (ou heroínas) quase sempre jovens, corajosos e habilidosos que passam por aventuras estranhas, por vezes mágicas, que lhes servem de teste para um eventual destino feliz, e madrastas malévolas (ou padrastos) cuja função é dificultar‑lhes a vida ao longo da narrativa. Toda a história se desenrola no sentido de demonstrar um princípio moral que ou aparece em apêndice (como no caso dos contos de Perrault) ou é construído ao longo do texto (como no caso dos contos de Grimm). Exemplos de histórias como estas encontram‑se em muitos países. Apesar das suas características ditas “universais”, o conto de fadas tem sofrido alterações ao longo do tempo, de acordo com os gostos conscientes ou inconscientes de cada geração. Tal como o mito, também o conto de fadas apresenta seres e acontecimentos extraordinários, mas, em contrapartida e tal como a fábula, tende a desenrolar‑se num cenário temporal e geograficamente vago, iniciando‑se e terminando quase sempre da mesma forma: “Era uma vez…” e “Viveram felizes para sempre.” Entre os muitos exemplos destacam‑se; “A Cinderela”; “A Branca de Neve e os Sete Anões”; “A Bela Adormecida”; “O Capuchinho Vermelho”; “João e o Feijoeiro Gigante”, etc.

Em Portugal, devido ao rígido sistema religioso e de imprensa, a publicação de contos de fadas foi proibida entre o século XVII e o início do século XIX. Só após essa data, se assiste à tradução destes contos para Português e, à semelhança do que aconteceu nos outros países, também eles foram adaptados à realidade nacional, sofrendo alterações com o passar dos anos.

 

No século XX, surgiu uma tentativa por parte de alguns psicólogos, tais como Sigmund Freud, Carl Jung e Bruno Bettelheim de interpretar determinados elementos dos contos de fadas como manifestações de desejos e medos. Bettelheim, no seu livro Psicanálise dos Contos de Fadas (1975) defende que a leitura de contos de fadas não só oferece à imaginação da criança novas dimensões que seria impossível ela descobrir por si só, como também contribui para o seu crescimento interior. Para este psicólogo, os contos de fadas são verdadeiras obras de arte plenamente compreensíveis para as crianças, como nenhuma outra forma de arte o consegue ser.

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