A Idalina Jorge lançou o desafio para daqui a umas semanas, mas vou antecipar-me desde já: dizer bem de alguém, dizer bem de alguma coisa na educação.

Os meus alunos são trabalhadores e estudantes . São alunos “nocturnos” e não sabem ainda que tenho este blog. São pessoas que trabalham durante todo o dia, adultos com 30, 40 ou 50 anos, cujo quotidiano é preenchido entre a escola e o emprego.

São pessoas que trabalham das 8 da manhã às 6 da tarde; que dispensam o jantar cinco dias por semana, 36 semanas por ano; que têm filhos e maridos ou esposas que só podem ver ao fim de semana; que se despedem dos filhos de manhã, ainda eles dormem, mas só chegam a casa à noite, quando eles já dormem. Que têm empregos mal pagos, motivo que os leva a fazer mais um esforço para conseguir melhores habilitações e melhores empregos. Que não estudaram quando eram “novos”, porque os respectivos pais precisaram de braços para pagar as contas. Que têm pais acamados, idosos, de quem tratam com os maiores cuidados mesmo em tempo de aulas. Os meus alunos aguentam o “balanço”, apesar das “novas oportunidades” e das falsas promessas de computadores a cento e cinquenta euros.

Os meus alunos da noite são um belíssimo exemplo para grande parte dos alunos de “dia”. Não sabem, mas são uns heróis.

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