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detritus toxicus

Curadoria de conteúdos

Mês

Maio 2007

Verdades

Nasceu no Porto mas saiu aos 23 anos, recém-licenciado pela Faculdade de Economia da cidade, para agarrar uma oportunidade de emprego que na região nunca conseguiria ter. Esteve os 25 anos seguintes fora do país, a construir uma carreira de gestor, que culminou na presidência executiva da Liberty Seguros Portugal, função que agora exerce.

José António de Sousa trabalha em Lisboa e não esconde “a dor na alma” que lhe causa ver “o estado de degradação” a que chegou o Porto. Com os políticos e agentes económicos da região, não tem complacência.
“É uma mistura explosiva de alguma parolice e falta de visão empresarial com bairrismo político e futebolístico”

O Norte teria, então, a ganhar com a regionalização?

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Criminosos

Estas Bestas deveriam ser empaladas na Antena da Rádio Vaticano. São a mais pura escória da humanidade; não passam de dejectos humanos.  E têm a cobertura  da Grande Besta, o Belzebu tornado Papa. E pregam eles o Amor? A Bondade? o Bem? Não passam de um monte de esterco!

Coisas que me incomodam

Porque é brilhante, limito-me a deixar o link.

Tragédia social

“No próximo ano lectivo prevê-se que milhares de professores fiquem no desemprego — aliás, a ministra anunciou já que 5 mil contratados ficarão sem contrato — e também se prevê, no ensino secundário, que com o aumento dos horários de trabalho, que 10 por cento dos professores fiquem numa situação extremamente vulnerável que poderá levá-los a supranumerários. Neste momento nós calculamos que possa aproximar-se dos 20 mil os professores dos quadros que podem vir a ser dispensados em Setembro fruto destas medidas globais, nomeadamente da aplicação do PRACE (Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado).”

Mário Nogueira, Secretário-geral da Fenprof, em entrevista ao “Primeiro de Janeiro”, 19 de Maio de 2007

Discriminação laboral

Apesar da legislação laboral portuguesa proteger os direitos dos portadores de VIH/sida impedindo as empresas de os despedirem é isso que acontece à maioria dos doentes que informa a entidade patronal do seu estado de saúde.

A responsabilidade social das empresas na prevenção contra a Sida esteve, ontem, em debate, no auditório do Infarmed, em Lisboa. Amílcar Soares, da Associação Positiva, alertou os empresários de que as clínicas que fazem os testes médicos pelas empresas não revelam os resultados aos trabalhadores, mesmo quando dá positivo.

Em 2006, cerca de 700 portadores do vírus procuraram Amílcar Soares. A associação “recebe diariamente pedidos de apoio jurídico por procedimentos que vão contra as normas legais”, mas são poucas as queixas que chegam a tribunal. A exposição social é o problema, explicou ao JN. Há, no entanto, excepções, sublinhou uma multinacional britânica de desparasitação e uma empresa de catering algarvia não despediram funcionários que sabem ser portadores. Antes pelo contrário: a firma nacional solicitou formação interna para saber como melhor proceder.

in JN

Falsos democratas

Os falsos democratas são assim: querem eleições livres, na condição de serem eles a ganhar. Aceitam pacificamente que as suas convicções sejam impostas aos outros – mas não toleram que as convicções dos outros sejam escolhidas democraticamente pela maioria da população.

Se eu votasse, de certeza que não o faria em Sarkozy. Mas a avaliar pela prestação de Ségolène

Repugnante

“O trabalho liberta”

Paulo Portas, sessenta anos depois

525

Mãe que agrediu professora foi condenada a 525 dias de multa.

525 dias de multa? E o que é que isso dá? 525 euros? 525 mil euros?

No tempo das chibatadas, 525 eram 525. Umas mais fortes, outras mais fracas. Mas pelo menos já se sabia ao que se ia. E como enquanto o pau levanta as costas aliviam, sempre existiam 524 momentos de puro relax pelo meio.

Construção

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado

Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir, Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair, Deus lhe pague

Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir, Deus lhe pague

 Chico Buarque

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