O Papa Bento XVI aprovou ontem as conclusões de uma Comissão Teológica Internacional que põe fim ao conceito de limbo, o lugar onde as crianças mortas não baptizadas permaneciam na eternidade, sem possibilidade de comunhão com Deus.

A decisão papal conclui vários anos de estudo sobre o conceito de limbo, considerado por aquela comissão como baseado numa “concepção excessivamente restrita da salvação”, pode ler-se nas suas conclusões.

O documento assevera que Deus é misericordioso e deseja “a salvação de todos os seres humanos”, existindo “fortes bases teológicas e litúrgicas para esperar que, uma vez mortos, os bebés não baptizados são salvos”. Desde a Idade Média, ainda que não sob a forma de dogma, o limbo era apresentado na doutrina como um lugar entre o paraíso e o inferno onde permaneciam as crianças mortas sem baptismo.”

Presidida pelo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal americano William John Levada, a comissão afirma ainda não ser justo castigar as crianças pelo facto de seus pais não serem católicos praticantes ou, mais grave ainda, por lhes ter sido roubado o direito à vida pela prática do aborto.

Precisamente. Se Deus é misericordioso, então sê-lo-á para todos os seres humanos – e não apenas para os bebés. Portanto…

Resta um problema ontológico: a partir de que momento os bebés deixam de o ser e são condenados eternamente? A partir dos seis meses? Dos dois anos? Ao atingir a maioridade? Se for este o critério, é divinamente injusto, pois a maioridade atinge-se em idades diferentes nos diferentes países. E a hipótese de Deus subordinar a Lei Divina à justiça de cada país parece inteiramente absurda. Nada a que não estejamos habituados.

Convirá, pois, que a Santa Madre Igreja esclareça até que idade podem as crianças não baptizadas viver sem medo do fogo do Inferno. Esperar uns quantos séculos é desanimador.

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