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detritus toxicus

Curadoria de conteúdos

Mês

Fevereiro 2007

O que é um ser humano?

Chimpanzés vistos a caçar com lanças de madeira

A descoberta é relatada na revista científica “Current Biology”, por Jill Pruetz, da Universidade Estadual do Iowa, nos Estados Unidos, e Paco Bertolani, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

 Já Carl Sagan, em “Dragões do Éden“, falava da necessidade de se proceder a uma reclassificação da espécie humana. O especismo tem  os dias contados…  (ver mais)

[O assunto é polémico e merece muito mais do que uma “posta” de um reles blog que remete simplesmente para um artigo de jornal diário. Mas os meus afazeres profissionais não me dão tempo suficiente para mais do que chamar a atenção para meia-dúzia de coisas interessantes que os eventuais leitores poderão consultar – caso tenham interesse. Quem quiser saber mais, pode clicar nos links respectivos.]

Basicamente, Sagan afirmava que as diferenças entre a espécie humana e os primatas superiores seriam apenas diferenças de grau, e não estruturais. E desse ponto de vista, deveríamos todos, humanos e chimpanzés, ser classificados como primatas superiores – ou, se preferirmos, diferentes tipos de humanos. Chegar a essa conclusão seria, segundo Sagan, uma questão de tempo.

A objecção óbvia contra Sagan consiste em afirmar que ele não era biólogo, mas apenas um físico – e portanto incapaz de formular hipóteses tão arrojadas em domínios que não conhece, pois muitos biólogos discordam dessa afirmação. Argumento de autoridade, não inevitavelmente falacioso. Mas Sagan desenvolveu pesquisas na área da Biologia apoiando-se em colegas efectivamente especialistas em Biologia: e submetia as suas próprias opiniões / conjecturas à análise crítica desses especialistas antes de as publicar. Portanto, a acusação de ignorância em assuntos de Biologia não me parece relevante.

Donde, duas questões: há por aí algum biólogo que nos queira explicar até que ponto a ideia de Sagan faz sentido? Ou a repugnância da ideia deve-se meramente aos tradicionais pruridos religiosos?

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Os limites da liberdade

Através do endereço www.infosoc.cu/buscador os utilizadores cubanos com acesso à Internet (funcionários públicos, estudantes e turistas) podem agora pesquisar qualquer assunto on-line mas confinados a sites cubanos. Logo na homepage, o novo motor de busca garante acesso directo às centenas de discursos proferidos por Fidel Castro desde 1959.

Registe-se que Cuba possui a taxa mais baixa de acesso à Internet de toda a América Latina, com uma média de 1.7 utilizadores por cada 100 habitantes.

Fonte: http://exameinformatica.clix.pt/

Diz que é uma espécie de democracia.

Professores geridos pelas autarquias?

Só nos faltava mais esta!

A atitude do governo em relação a esta matéria lembra-me aquela do “segurem-me, que eu mato o gajo!”: “nós até nem queremos, mas se vocês insistirem muito podemos dar um jeitinho…”

Vem aí a corrida ao cartão de militante. Sócrates faz em Portugal o mesmo que Blair fez em Inglaterra. Podemos começar já a enfiar indianos, paquistaneses e chineses em contentores e enviá-los para Portugal, quando já ninguém mais quiser ser professor?

Zeca Afonso

Há uma questão filosófica que me incomoda.

“O que é o Belo, em Música?”

Sendo a Música  uma arte, deveria ser possível recorrer à Filosofia da Arte para fornecer uma resposta suficientemente clara a esta questão. Mas tal não acontece. A generalidade dos escritos em Filosofia da Arte não versam especificamente a estética  musical. E faço notar que é muito difícil discorrer sobre estética musical sem se possuir sólidos conhecimentos musicais.

Voltarei ao tema, de forma minimamente aprofundada, logo que a oportunidade surja.

Vem isto a propósito de Zeca Afonso: faz hoje 20 anos que a sua voz se calou. Questiono-me uma vez mais: se não tivesse as conotações políticas que se sabe, seria ou não considerado um excelente músico e compositor?

Palpita-me que sim; mas ao fazê-lo, estou a fundamentar a teoria institucional da arte.

Vergonha civilizacional

São mortos aos milhares.

E os donos? Escapam impunes?

A paixão pela Educação

Um artigo de Francisco José Viegas, no JN, indecentemente roubado n’O Cartel.

Mundo cruel (I)

Em 1960, os 20% mais ricos da população mundial dispunham de um rendimento trinta vezes superior ao rendimento dos 20%  mais pobres. Já era escandaloso. Mas, em vez de melhorar, a situação agravou-se ainda mais. Hoje, o rendimento dos mais ricos, comparado com o dos mais pobres é, não trinta, mas oitenta e duas vezes mais elevado! Dos seis mil milhões de habitantes do planeta, só quinhentos milhões vivem no desafogo, enquanto que 5,5 mil milhões continuam na pobreza.

(…)

Entre os habitantes de um país tão rico como os Estados Unidos, existem 32 milhões de pessoas cuja esperança média de vida é inferior a sessenta anos, quarenta milhões sem assistência médica, 45 milhões que vivem abaixo do limiar da pobreza, e 52 milhões de analfabetos funcionais… Da mesma forma, na opulenta União Europeia, na altura do nascimento do euro, existem cinquenta milhões de pobres e dezoito milhões de desempregados…

Ignacio Ramonet, “Guerras do Século XXI“, Campo das Letras

A vida em democracia legitima todas as opiniões?

“A democracia consiste em submeter o poder político a um controle. É essa a sua característica essencial. Numa democracia não deveria existir nenhum poder político incontrolado. Ora, a televisão tornou-se hoje em dia um poder colossal; pode mesmo dizer-se que é potencialmente o mais importante de todos, como se tivesse substituído a voz de Deus. E será assim enquanto continuarmos a suportar os seus abusos. A televisão adquiriu um poder demasiado vasto no seio da democracia. Nenhuma democracia pode sobreviver se não puser cobro a esta omnipotência.  (…) O uso que se faz da televisão [na Jugoslávia e também] na Rússia é (…) abusivo. A televisão não existia no tempo de Hitler, ainda que a sua propaganda fosse organizada sistematicamente com um poderio quase comparável. Com ela, um novo Hitler disporia de um poder sem limites.

Não pode haver democracia se não submetermos a televisão a um controle, ou, para falar com mais precisão, a democracia não pode subsistir de uma forma duradoura enquanto o poder da televisão não for totalmente esclarecido. De facto, os próprios inimigos da democracia apenas possuem uma débil consciência desse poder. Quando tiverem compreendido verdadeiramente o que podem fazer com ele, utilizá-lo-ão de todas as formas, inclusivamente nas situações mais perigosas. Mas então será tarde de mais. É agora que devemos tomar consciência desse risco e submeter a televisão a um controle (…).

Karl Popper, “Televisão: um perigo para a democracia”, Gradiva, 1995

Futebol de saias

O Vaticano vai ter o seu próprio campeonato de futebol.

“Detritus Toxicus” tem, no entanto, algumas dúvidas sobre a forma como o campeonato se realizará:

1. Onde realizarão as equipas os seus estágios de pré-época? Em Lourdes? No Santuário de Fátima?

2. Há um problema relacionado com o doping. Sendo a hóstia uma representação sagrada, deverão os atletas praticar abstinência na comunhão para evitar análises positivas? Constituirá a hóstia uma forma de doping?

3. Durante os jogos os jogadores não poderão fazer entradas “de carrinho”, sob pena de isso ser considerado assédio sexual. Até onde é suportável a virilidade num jogo entre clérigos?

4. Em caso de derrota, será que os treinadores punirão os seus jogadores com o uso do cilício? E é isso um castigo ou um prémio para purificar a carne?

5. Como deverão as claques fazer sentir o seu apoio? Irão rezar Avé-Marias e Padre-Nossos durante os jogos?

6.  Tendo em conta os últimos casos de pedofilia envolvendo membros da Igreja, existirão meninos “apanha-bolas”?

7. E nos balneários? Poderão os jogadores tomar banho todos juntos?

8. Qual será o prémio final? O Santo Graal?

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