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Curadoria de conteúdos

Condenado por publicar fotos íntimas da ex-namorada na Internet

O Tribunal da Relação de Guimarães confirmou a condenação de um homem que publicou fotos da ex-namorada na rede social Facebook, em perfis falsos que criou com o nome dela.

O arguido foi condenado em 350 euros de multa, pelo crime de gravações e fotografias ilícitas.

Segundo o acórdão, o arguido, após o termo da relação, criou perfis falsos com o nome da ex-namorada, acrescentando-lhe a palavra “nua”.

Nos perfis, publicou duas fotos, uma em que se veem as pernas da ex-namorada e outra que mostra parcialmente o corpo dela, numa altura em que estava a tomar banho.

Depois de condenado em primeira instância, o arguido recorreu, alegando que as fotos em questão não dão para identificar a pessoa e que não se provou que elas tivessem sido tiradas contra a vontade da ex-namorada. Estes argumentos foram refutados pela Relação, que destacou que as fotos foram publicadas no Facebook “contra a vontade” da pessoa retratada.

“Uma coisa é a obtenção das imagens, que pode ser lícita, nomeadamente por ter o consentimento da pessoa retratada, outra, bem diferente, é a sua posterior utilização contra a vontade do retratado”, refere o acórdão.

Acrescenta que o direito à imagem abrange “qualquer parte do corpo”.

“Ora, no caso, sabe-se, não só, que as imagens pelo arguido divulgadas são do corpo da assistente, como, também, que o mesmo se encarregou de ampliar os efeitos da publicitação de tal identificabilidade, colocando no ‘perfil’ o nome da assistente, acrescido, inclusivamente, da menção ‘nua’, com o que, à luz da normal experiência, potenciou o apelo ao visionamento de tais imagens”, refere ainda o acórdão.

Sublinha que o direito à imagem abrange dois direitos autónomos: o direito a não ser fotografado e o direito a não ver divulgada a fotografia.

“Esta segunda faceta do direito à imagem exige a especial proteção jurídico-penal, cuja necessidade, aliás, cada vez mais se acentua perante a enorme danosidade gerada pela potencial utilização das novas tecnologias na sua afronta, como no caso concreto sucedeu”, refere a decisão dos juízes desembargadores.

A pena foi fixada em 70 dias de multa, à taxa diária de cinco euros.

O tribunal deu como provado que o arguido não tem rendimentos pessoais e que está integrado numa família de condição socioeconómica “bastante carenciada, que sobrevive em condições limite e com recurso a apoios sociais”.

Leia mais: Condenado por publicar fotos íntimas da ex-namorada na Internethttp://www.jn.pt/justica/interior/condenado-por-publicar-fotos-intimas-da-ex-namorada-na-internet-5535224.html#ixzz4S3AmygRb
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Fonte: Condenado por publicar fotos íntimas da ex-namorada na Internet

Contrataram hacker para violar contas bancárias

Um total de 24 indivíduos vão ser levados a tribunal, acusados dos crimes de associação criminosa, falsidade informática, burla informática, acesso ilegítimo, falsificação de documentos e branqueamento, num sistema criminoso que tinha por base a violação de contas bancárias. No núcleo do caso estava um hacker.

De acordo com a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa, os crimes ocorreram, entre janeiro e novembro de 2015 e no centro da atividade criminosa estava um grupo de quatro indivíduos com contas numa determinada instituição bancária.Com base nesse facto, os quatro arguidos conseguindo aceder a muitas outras contas bancárias de outros clientes do banco, contratando para tal um hacker, que através da pirataria informática conseguiu ter acesso aos elementos de segurança das contas bancárias.As vítimas foram às dezenas, que se viram assim despojadas dos dinheiros das contas, que eram enviados para o Brasil, onde se encontrava o patamar de lavagem de dinheiro.Os valores eram convertidos depois em dólares e a seguir entravam no circuito financeiro, para esconder a real proveniência criminosa.No total, os prejuízos ultrapassaram os 266 mil euros, tendo sido recuperados cerca de 12 mil euros.

Fonte: Contrataram hacker para violar contas bancárias

Mulher raptada aparece com mensagem gravada no corpo 

Após três semanas em cativeiro, Sherri Papini foi encontrada com vida mas com uma mensagem dos raptores gravada na pele.A mulher, natural da Califórnia e mãe de duas crianças, desapareceu durante uma corrida matinal em Redding, no norte da California, e apareceu à beira de uma estrada, no condado de Yolo, a 240 quilómetros de onde tinha sido vista pela última vez. Esteve desaparecida durante 22 dias e foi encontrada na manha do Dia de Ação de Graças.As autoridades não conseguiram ainda perceber quem a raptou nem os motivos que levaram a fazê-lo. A mensagem cravada no corpo da mulher ainda não foi revelada.”Penso que foi uma forma de assumirem o seu poder e controlo ou de transmitir alguma mensagem associada a um grupo. Não é um simbolo, mas uma mensagem”, disse o Xerife Tom Bosenko.O The Sun revela que a polícia à procura de duas mulheres de nacionalidade hispânica que foram vistas numa carrinha escura, armadas e Sherri garante que são as autoras do sequestro.Acredita-se que o rapto terá sido motivado por um comentário racista, escrito por Sherri num blog. As autoridades continuam a investigar o caso.

Fonte: Mulher raptada aparece com mensagem gravada no corpo – Mundo – Correio da Manhã

Comete suicídio em frente à familia devido a bullying – Mundo – Correio da Manhã

A família de Brandy Vela tem sido acompanhada diariamente por psicólogos e pode nunca recuperar da experiência traumática. A jovem, de 18 anos, natural da cidade do Texas, nos EUA, cometeu suicídio em frente à família, após meses e meses de sofrimento com bullying nas redes sociais.Esta terça-feira, Brandy Vela chegou ao seu limite psicológico e enviou um email de despedida aos pais e avós. Explicou que estava pronta a morrer. Imediatamente os familiares correram para casa e encontraram a jovem com uma pistola apontada ao peito.O pai de Brandy, Raul Vela, contou ao canal KHOU os últimos momentos da filha e não conteve as lágrimas. “Tentámos demovê-la, pedimos-lhe para baixar a arma  mas ela estava determinada. Disse que já tinha ido demasiado longe para voltar atrás. Foi horrível ter que viver aquilo, foi um pesadelo. É muito difícil quando a tua filha te diz ‘vira-te de costas’. Senti-me incapaz.Raul Vela contou o que levou a filha a fazer um ato tão deseperado. A jovem confidenciava-lhe regularmente que era vítima de bullying. Os colegas chamavam-lhe gorda e gozavam com o peso de Grandy e, há cerca de seis meses, criaram contas falsas nas redes sociais em que se faziam passar por ela.”Chegaram a criar uma conta em que dizia que ela oferecia sexo. Foi muito assediada por causa disso”, conta entre soluços o pai de Brandy.”Apesar de ter sido feita queixa na polícia, as autoridades nada fizeram porque os suspeitos usaram uma aplicação que não permitia que fossem identificados”, conta a irmã de Grandy, Jackie Vera à CNN.Na última mensagem que enviou à irmã, logo depois de ter enviado o email aos outros familiares, pode ler-se: “Amo-te tanto. Lembra-te sempre disso. Peço desculpa por tudo”.A polícia do Texas está a investigar a morte de Brandy Vera e dos suspeitos do crime de ciber bullying.

Fonte: Comete suicídio em frente à familia devido a bullying – Mundo – Correio da Manhã

This Tool Can Help You Disappear from the Internet

Deseat.me will remind you of everything you can unplug.

Getty Images/iStockphoto

Between election bile, fake news, and just plain exhaustion, we may be entering a down cycle for social media. If you’re interested in downsizing your online footprint, a tool called Deseat.me could be a huge help – though it’s not quite a one-shot “unplug me” app.

It works best (and maybe only) if you use Gmail as your primary email account. Log in to Deseat.me through Google, and the service will do a deep dive into your records and pull up every social media site, mailing list, and online store you’ve ever signed up for. You can quickly tag the services you’d like to delete or unsubscribe from.

For a portion of them, Deseat.me will offer you direct links to the service’s unsubscribe page, though that functionality seems limited at this point.

But the exercise alone is edifying. Do you remember Klout? How about Hype Machine? Instapaper? I do, vaguely, because I used them all, once, years ago. But ever since those brief dalliances, my email address, and maybe more, have remained in those company’s databases. Then there are the mailing lists—oh, the endless, vaguely embarrassing mailing lists that I signed up for in exchange for some 20-page ebook on Twitter etiquette.

For more social media contrarianism, watch our video.

Now I can scrub them all. Which I probably should have done a long time ago.

But of course, some users may be looking for the real nuclear option—goodbye Facebook, goodbye Twitter, goodbye Linkedin and Instagram and Tumblr and Pinterest and Soundcloud. If so, you’re a stronger person than me, but you’ll probably end up happier for it. 

Fonte: https://flipboard.com/@flipboard/flip.it%2Fggqb2v-this-tool-can-help-you-disappear-from-t/f-8ee7efefc2%2Ffortune.com

 

 

“As redes sociais não elegem presidentes” – PÚBLICO

ENTREVISTA

“As redes sociais não elegem presidentes”

Anita Gohdes é cientista política e estuda a forma como alguns estados reprimem os cidadãos com a ajuda das “tecnologias da libertação”. É o lado negro das redes sociais.

Körber-Stiftung/David Ausserhofer

Foto
KÖRBER-STIFTUNG/DAVID AUSSERHOFER

Com a eleição de Donald Trump para a Casa Branca, ficámos todos a discutir o papel que as redes sociais tiveram na vitória de um homem que nenhuma sondagem ou analista mainstream previu.

Sem qualquer nuance, Paul Horner, o agora célebre autor de “notícias” falsas no Facebook, disse uma frase que vai fazer parte da história destas eleições: “Penso que Donald Trump está na Casa Branca por minha causa”. Se uns acharam que o humorista americano estava a exagerar ligeiramente, outros acreditam que as redes sociais vão destruir a democracia ocidental.

A cientista política alemã Anita Gohdes, professora de Relações Internacionais no departamento de Ciências Políticas da Universidade de Zurique e membro do Center for Comparative and International Studies, é taxativa: “As redes sociais não elegem Presidentes”. Mas também diz que, finalmente, estamos a perceber que “não são a ferramenta mágica que vai tornar o mundo melhor” e que “a lua-de-mel das redes sociais acabou”.

Há anos que estuda e documenta a repressão estatal e a violência política à escala global, ao mesmo tempo que investiu muitas horas a pensar como quantificar as violações de direitos humanos. O seu ensaio sobre como os governos usam a tecnologia das comunicações digitais para definir estratégias de repressão foi premiado e tornou-se uma referência. A linha de investigação de Gohdes expõe um aparente paradoxo num planeta onde há cada vez mais democracias: “A censura é uma indústria em crescimento”.

E revela outra coisa: o lado escuro das redes sociais.

Donald Trump foi eleito por causa do Facebook e do Twitter? As redes sociais têm o poder de eleger Presidentes?Não. As pessoas votam nos candidatos de que mais gostam. As redes sociais não elegem presidentes. Dito isso, o papel das empresas que têm redes sociais, os algoritmos que elas usam, e o poder que têm para criar e dar corpo ao discurso político, tem uma importância vital. E por isso é encorajador ver os políticos e os cidadãos envolvidos nesta discussão. De uma vez por todas, as empresas das redes sociais, como o Facebook, têm de assumir a sua responsabilidade — e levar esta questão muito a sério. Hoje, uma enorme fatia da população mundial recebe a maior parte das notícias que lê através do Facebook. E o Facebook vir dizer que não é uma empresa de media não muda o facto de o Facebook ter uma influência gigantesca sobre o que as pessoas lêem — e sobre o que é mantido longe da sua vista.

Estamos a acordar para o “lado escuro” das redes sociais?
Estamos seguramente a constatar que a euforia inicial em torno da ideia de as redes sociais serem forças de libertação já foi substituída por uma aceitação muito mais sóbria da ideia de que as redes sociais não são uma ferramenta mágica que fará o mundo melhor.

Em vez disso — e tal como acontece com todas as tecnologias — as redes sociais são ferramentas que podem enriquecer os processos democráticos, pois ajudam a dar voz aos que não a têm, mas que, por outro, são uma plataforma excelente para os populistas disseminarem a sua mensagem de forma muito eficaz. A lua-de-mel das redes sociais acabou.

A chanceler alemã Angela Merkel acaba de dizer que a distribuição de “notícias” falsas nas redes sociais está a contribuir para o aumento do populismo e dos extremos políticos nas democracias ocidentais. Concorda?
Devemos ter cuidado e não estabelecer relações de causa-efeito. Os estudos mostram que o que mais influencia as preferências das pessoas ainda é o que elas retiram da rede social da sua “vida real” — os que estão à nossa volta no nosso quotidiano.

Por isso, se é natural que as “notícias” falsas incitem e provoquem sentimentos populistas, essas notícias alimentam-se de descontentamento e de medo que já existe. Para além disso, se as plataformas que divulgam “notícias” falsas são um problema sério, muitas dessas histórias não são necessariamente falsas ou fabricadas. O que fazem é apresentar um ponto de vista extremamente parcial ou exclusivamente um dos lados. E é muito mais difícil lidar com estas histórias. Podemos tentar usar filtros de modo a excluir histórias falsas, mas no momento em que começarmos a apagar histórias parciais ou enviesadas, entramos no território da censura política, uma coisa que as democracias ocidentais têm orgulho em não fazer.

Qual dos lados é o mais eficaz a usar as redes sociais, o “benigno”, usado pelo cidadão comum para mobilizar a sociedade contra regimes repressivos, ou o “maligno”, usado por ditadores e governantes opressivos para esmagarem revoltas pró-democracia?
As redes sociais estão a evoluir de forma constante e nesse processo assistimos a uma luta permanente entre os que lutam para que a sua voz marginalizada seja ouvida, e os que representam interesses não-democráticos ou autocráticos.

A vontade de os governos manterem o seu poder político a todo o preço traz-lhes uma vantagem: a tendência é esses líderes controlarem o acesso à Internet nos seus países. A censura e a tecnologia de vigilância é uma indústria em expansão — uma indústria que está a ajudar os que estão no poder a espiarem os seus cidadãos e a censurar conteúdos dentro das suas fronteiras. Por outro lado, desde que os ficheiros de Edward Snowden foram tornados públicos, os cidadãos e os activistas passaram a estar muito mais atentos a este tipo de questões.

Nos últimos anos, o número de pessoas que usam ferramentas para enganar a censura explodiu. Do mesmo modo que explodiu o número de pessoas que trabalha activamente para manter as suas comunicações seguras e encriptadas.

As redes sociais estão a ajudar mais os ditadores ou os movimentos pró-democracia?
A investigação mostra-nos que, em termos globais, o aparecimento da Internet levou à consolidação do poder autocrático — o oposto do que estaríamos à espera. O que vemos é os governos não-democráticos a movimentarem-se na Internet com cada vez mais conhecimento e agilidade, ao mesmo tempo que o mercado de dispositivos para controlar a Internet vive um boom. Os movimentos sociais que lutam contra este tipo de regimes estão a adaptar-se a este novo ambiente de informação, mas os movimentos de cidadãos que têm mais sucesso são aqueles que investem em estratégias de protestos de tipos muito diversificados — usar apenas as redes sociais não muda sistemas políticos.

Vivemos a “ilusão da informação perfeita”

Governos autocráticos em todo o mundo têm sido extremamente activos a desenvolver e a afinar novas ferramentas de vigilância, manipulação e censura do fluxo digital de informação. Qual foi a ferramenta mais cruel e terrível que descobriu na sua pesquisa?
Apesar de hoje existirem formas muito mais sofisticadas de fazer censura, muitos governos já fecharam de forma absoluta o acesso à Internet dentro das suas fronteiras. Fazem-no quando sentem que a segurança nacional está em perigo. Há exemplos recentes disso no Gabão, Sudão, Síria, República Democrática do Congo, Índia, Paquistão, e muitos outros. Este tipo de censura não só é extremamente assustador — imagine não poder contactar ninguém durante dias e dias seguidos — como tem custos económicos muito elevados. A vida, os negócios e tudo à nossa volta pára se não tivermos acesso à rede global.

Ao analisar os governos que usam redes sociais para exercer violência de Estado contra os cidadãos, que país mais a chocou?
Há muitos exemplos de países que usam métodos brutais contra os seus cidadãos com base em informação recolhida nas redes sociais. Apenas alguns: o Bahrain, a Etiópia, o Vietname e, claro, a Síria.

Ao tentar medir o volume de violações dos direitos humanos, o que concluiu — as redes sociais ajudaram ou pioraram os direitos humanos no mundo?
As redes sociais aumentaram de forma radical a quantidade de informação em tempo real que hoje temos sobre os conflitos no mundo. Isso é um avanço importantíssimo.

O lado negativo é aquilo a que eu chamo a “ilusão da informação perfeita”, que é acharmos que, por causa das redes sociais, sabemos rigorosamente tudo o que se está a passar no mundo.

No trabalho que fiz para tentar quantificar as violações de direitos humanos em conflitos, percebi que, apesar de sabermos hoje muito mais sobre o que está a acontecer nos conflitos no mundo, continua a haver enormes pontos cegos sobre os quais pouco ou nada é reportado. E negligenciar esses pontos cegos é tão perigoso hoje como era há 50 anos.

 

Fonte: “As redes sociais não elegem presidentes” – PÚBLICO

Condenado em 10 mil euros por vídeo sexual

O caso de um vídeo sexual de um casal de namorados que foi parar à Internet transformou-se numa batalha judicial.A mulher fez queixa contra o ex-parceiro, acusando-o de ter divulgado as imagens. Ao fim de quatro anos, com decisões distintas por parte de três tribunais, o homem foi condenado, este mês, pelo Supremo Tribunal de Justiça, a pagar uma indemnização de 10 mil euros à ex-namorada, por danos não patrimoniais.

Fonte: Condenado em 10 mil euros por vídeo sexual

Criação de perfil falso no Facebook não foi considerada crime

Foto: Dado Ruvic/REUTERS/ArquivoNELSON MORAIS

Uma mulher de Coimbra acaba de ser acusada da prática de dois crimes de gravações e fotografias ilícitas, por ter utilizado imagens de um homem e de outra mulher, sem a autorização deles, para os difamar no Facebook. Já o facto de a arguida ter criado um falso perfil, nesta rede social, com as fotografias daquele ofendido e como se a ele lhe pertencesse, não foi considerado crime.Estes factos tiveram lugar em dezembro de 2014 e foram investigados pela Diretoria do Centro da Polícia Judiciária. A arguida, hoje com 40 anos, acedeu ao Facebook e copiou pelo menos duas fotografias do homem com quem cortara relações. Depois, criou um perfil daquela rede social a que associou no perfil e capa as fotos. O apelido deste perfil era o mesmo do homem retratado e o nome próprio era diferente.Segundo a acusação do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Coimbra, a arguida enviou vários pedidos de amizade a pessoas que os aceitaram “por terem pensado que tal pedido lhes tinha sido enviado pelo ofendido”. E a seguir alterou o username do perfil para “Piça De Aço Pereira”, escreve o DIAP. Para terminar, sacou também uma foto onde aparecia outra mulher e publicou-a na mesma página de Facebook, referindo-se a essa rival em termos depreciativos.Falsidade informáticaHá jurisprudência que poderia ter levado o procurador titular do inquérito, Jorge Sabroso, a acusar também a arguida de crimes de falsidade informática. No entanto, o magistrado pôs de lado essa hipótese, subscrevendo antes as teses de autores que entendem que a lei portuguesa não prevê e, consequentemente, não sanciona quem cria e usa um endereço eletrónico ou um perfil de Facebook que pretendem parecer o de outrem.”Embora se compreendam as implicações práticas potencialmente nocivas de alguém se fazer passar por uma outra pessoa nas redes sociais (existente ou não no mundo real), o que é agravado pelo uso massificado das mesmas, entendemos que o nosso ordenamento jurídico não confere qualquer proteção à ciberidentidade neste âmbito, não existindo qualquer obrigatoriedade de haver uma correspondência entre o perfil cibernético com a personalidade real”, justifica.

Fonte: Criação de perfil falso no Facebook não foi considerada crime

A nudez da Joana na Internet e nos tribunais portugueses – PÚBLICO

A guarda de imagens íntimas de terceiros é uma enorme responsabilidade25 de Novembro de 2016, 3:12 Partilhar notíciaPartilhar no FacebookPartilhar no TwitterA Joana e o Miguel tiveram uma relação sentimental muito intensa e, em determinada altura dessa relação, o Miguel filmou a Joana, com o consentimento desta, numa cena íntima entre ambos. O filme, em suporte vídeo e com a duração de dez minutos, ficou guardado no computador do Miguel e destinava-se, naturalmente, a ser exclusivamente usado na intimidade do casal, e só por isso a Joana aceitara ser filmada. Tempos depois de finda a relação, o filme surgiu, acessível a toda a gente, na Internet, nele se reconhecendo, claramente e em grandes planos, a Joana.Foi um enorme drama para a Joana: vivia num meio pequeno, amigos, conhecidos e familiares visualizaram as imagens e a Joana teve de passar a viver com insinuações trocistas e jocosas, sendo confrontada com o escárnio e o menosprezo daqueles que tinham visto o filme.Joana recorreu aos tribunais. Alegando que fora o Miguel que colocara o filme no espaço virtual,  pedindo que fosse condenado a retirar o filme da Internet – onde lhe fosse possível – e a pagar-lhe uma indemnização de € 20.000 pelos danos morais. Não conseguiu provar que tinha sido o Miguel a colocar o filme na Internet, mas o tribunal de 1.ª instância, mesmo assim, responsabilizou o Miguel, condenando-o a pagar as despesas que a Joana tiveram com o processo e uma indemnização de € 10.000. Embora aceitasse não ter sido o Miguel quem disponibilizara o filme na Internet, considerou o tribunal que a sua conduta – omissão dos deveres de segurança, guarda e segurança dos dados pessoais sensíveis da Joana que tinha em seu poder – geravam uma obrigação de indemnizar, na medida em que, por acordo entre Joana e Miguel, este realizara o filme em causa e o guardara no seu computador, sendo que tal filme se destinava a ser exclusivamente usado na intimidade do casal e só por isso a Joana tinha consentido em ser filmada. O Miguel quebrara esse acordo ao deixar, voluntária ou involuntariamente, que as imagens em causa tivessem ido parar à Internet e, por isso, devia indemnizar a Joana.O Miguel recorreu para o Tribunal da Relação de Lisboa, que o absolveu por considerar que, não tendo a Joana feito prova de que fora o Miguel a divulgar o filme, nem mesmo que a única cópia existente seria a que estava no seu computador, não havia quebra de qualquer acordo ou dever, nem direito a qualquer indemnização.Recorreu a Joana para o Supremo Tribunal de Justiça, que considerou que a responsabilização ou não do Miguel dependia de se apurarem mais factos e mandou o processo voltar ao tribunal de 1.ª instância para aí se saber se, como alegara o Miguel para se desresponsabilizar, a Joana também tinha uma cópia do filme e se era prática o casal permitir que amigos passassem temporadas na sua casa e utilizassem livremente os seus computadores.Mas nenhuma destas afirmações do Miguel ficou provada e o tribunal de 1.ª instância voltou, assim, a condenar o Miguel, que recorreu, de novo, para a Relação de Lisboa, que, por sua vez, voltou a absolver o Miguel; explicaram os juízes desembargadores que, embora a situação vivida pela Joana justificasse uma total solidariedade e o mais vivo dos repúdios, nem por isso se poderia entrar na chamada “jurisprudência do sentimento”, não podendo o tribunal proceder a uma “imputação arbitrária de culpas (ao Miguel) como forma de alijar o sofrimento (da Joana)”. A Joana consentira na gravação e na guarda do filme no computador do Miguel e não podia agora culpabilizar o Miguel pelo que sucedera.O melhor do Público no emailSubscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público.Subscrever×Não desistiu a Joana e recorreu para o Supremo, onde os juízes-conselheiros Oliveira Vasconcelos, Fernando da Conceição Bento e João Trindade, no passado dia 3, decidiram condenar de novo o Miguel, uma vez que  não se tinham provado os factos que o Miguel alegara para afastar a sua responsabilidade e o Supremo já anteriormente tinha entendido que seria responsável pela divulgação do filme, caso não se provassem tais factos, nomeadamente a utilização do computador por terceiros.Trata-se de um processo judicial que, para além de constituir uma notável vitória para a Joana e para a defesa da privacidade em geral, é um sério aviso não só para ex-namorados vingativos, mas também para qualquer pessoa que tenha filmes privados de terceiros no seu computador.

Fonte: A nudez da Joana na Internet e nos tribunais portugueses – PÚBLICO

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