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Gargalhadas não são exclusivas dos humanos

Janeiro 5, 2008 · Deixe um comentário

A base do riso poderá ter surgido num primata ancestral dos humanos e dos macacos actuais, sugeriu um estudo científico publicado na revista Biology Letters.

Cientistas descobriram que os orangotangos têm o sentido de empatia e mimetismo necessários a qualquer tipo de riso. As expressões faciais, tais como a boca amplamente aberta, foram encontrados e copiados por estes grandes primatas.

A velocidade com que os orangotangos capturaram esta expressão de riso fez crer que as suas manifestações são involuntárias.

A Dr. Davila Ross, uma das especialistas responsáveis pelo estudo, estudou 25 espécimes entre os dois e 12 anos e concluiu que, de cada vez que um gorila «sorri», o seu companheiro imita o gesto em apenas meio segundo.

«Nos humanos, o comportamento mimético pode ser voluntário e involuntário. Até à nossa descoberta, não havia a mínima pista de que os animais tivessem respostas semelhantes», afirmou a cientista à BBC. «O que ficou claro é que os blocos que ergueram o contágio emocional positivo se formaram antes da humanidade».

SOL com agências

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Células estaminais sem embriões

Novembro 21, 2007 · 3 Comentários

Duas equipas fazem ao mesmo tempo uma descoberta sensacional

Dois grupos de cientistas, um japonês e o outro americano, conseguiram transformar células da pele humana em células que parecem estaminais embrionárias. A descoberta abre grandes possibilidades, talvez ilimitadas, na regeneração dos tecidos humanos e de órgãos com deficiências.

Esta inovação também poderá alterar o debate político sobre as células estaminais produzidas a partir de embriões humanos. O uso e destruição destes embriões tem sido muito contestado, levando a administração Bush a travar os financiamentos públicos.

O estudo da equipa americana, liderada por James Thompson (da Universidade de Wisconsin), foi publicado pela revista Science e o japonês (a equipa chefiada por Shinya Yamanaka, da Universidade de Quioto) foi ontem anunciado, antes da sua publicação, na revista especializada Cell. Os japoneses desenvolveram uma técnica baseada numa receita química simples (apenas quatro ingredientes) cujo efeito é o de converter célula da pele em células que possuem muitas características físicas, de crescimento ou até genéticas das células embrionárias, cuja diferenciação permite produzir neurónios ou tecidos cardíacos. Não se atingiu a capacidade de diferenciação de uma célula estaminal embrionária e os japoneses sublinham ser “prematuro” pensar que estas células podem substituir as estaminais embrionárias.

Uma vez melhorada esta técnica, será possível obter células estaminais com o mesmo código genético do paciente, abrindo perspectivas ao tratamento de doenças ou de transplantes, pois serão reduzidos os riscos de rejeição. A esperança que os cientistas colocam nas células estaminais deriva da capacidade que estas têm de se diferenciarem em 220 tipos diferentes de células do corpo humano.

Citados pelas agências, vários peritos sublinham a importância destas duas investigações. “Trabalho monumental”, com “impacto na nossa capacidade de acelerar as aplicações desta tecnologia”, explicou à AFP um especialista em cardiologia. A descoberta terá prováveis aplicações no tratamento de doenças cardíacas, na luta contra o cancro, além de permitir combater Alzheimer, Parkinson, diabetes, entre muitas outras doenças. Será possível melhorar o tratamento de queimados e lesões da medula.

L. N.

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Morreu Washoe

Novembro 2, 2007 · Deixe um comentário

 Washoe, a chimpanzé que sabia falar através de ameslan (american sign laguage) e cuja história vem descrita (entre muitos outros) em “A realidade é real?“, de Paul Watzlawick.

A propósito de Washoe, e não só, já Sagan se interrogava quanto tempo mais precisaríamos nós, humanos, para proceder a uma reclassificação do género humano.

Morreu primata que sabia “falar”

A chimpanzé fêmea que aprendera 250 palavras da linguagem gestual morreu ontem com 42 anos, anunciaram os cientistas que trabalharam com este animal, o primeiro a dominar uma linguagem humana.

Tinham-lhe chamado Washoe, nasceu em África e passou grande parte da sua vida na Universidade Central Washington, junto dos investigadores do Instituto do Chimpanzé e da Comunicação Humana.

Antes disso, logo a partir dos últimos anos da década de 60, ela esteve num centro de investigação da Universidade de Reno, no Estado norte-americano do Nevada. Foi aí que os primatólogos Allen Gardner e a sua mulher Beatrice iniciaram um programa que consistia em ensinar chimpanzés a comunicar através da versão americana da linguagem gestual.

O casal de investigadores Gardner praticamente adoptou Washoe, que passava uma parte do tempo a brincar no jardim da família, convivendo com seres humanos, inclusive crianças. Em algumas fases do projecto registaram-se controvérsias quer quanto ao treino a que o animal era submetido, quer quanto a uma alegada “humanização” da primata e “deshumanização” de um filho dos investigadores.

A chimpanzé aprendeu 250 palavras. Outro feito inédito que conseguiu foi o de ensinar também sinais da linguagem gestual ao seu filho adoptivo Loulis.

As experiências com Washoe foram descritas no livro “Parentesco próximo o que os chimpanzés me ensinaram sobre os humanos”. Publicada em 1997, a obra foi escrita por um dos directores do Instituto do Chimpanzé, Roger Fouts, e registou enorme sucesso. Na internet mantém-se um site de “Amigos de Washoe”, em http://www.friendsofwashoe.org/. A longevidade de Washoe excedeu em cerca de nove anos o tempo de vida médio destes primatas, que é de cerca de 33,5 anos.

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Contos infantis devem ter lobos «maus» e que morrem no fim ?

Outubro 30, 2007 · 10 Comentários

Para que as crianças aprendam a distinguir o bem do mal, o pediatra Mário Cordeiro defende que o «lobo» tem de continuar a ser «mau» nos contos de fadas e «o pau deve ser atirado ao gato» nas canções infantis  

O médico está a preparar um novo livro onde pretende contestar a forma politicamente correcta como as histórias e canções tradicionais infantis tendem a ser hoje em dia contadas e cantadas às crianças.

«Acho que deve ser como sempre foi. Não se devem suavizar as histórias. Quando se fala de lobos, reinos ou príncipes encantados nas histórias de ‘Era uma Vez’, isso significa o próprio percurso de vida», explicou em entrevista à Lusa Mário Cordeiro, que em Novembro lança O Livro da Criança, da editora Esfera dos Livros.

Na história dos «três porquinhos», as casas de palha, madeira e tijolo significam as várias etapas da vida do indivíduo, em que há uma evolução e estruturação social e pessoal, exemplifica o pediatra.

«A casa de tijolo transmite a noção de que o trabalho e a segurança são necessários à brincadeira e ao lazer», sustenta.

Mas, segundo o pediatra, essa casa deve ter sempre a chaminé e um caldeirão de água a ferver onde o lobo morre, já que a presença destes elementos na história lembram sempre a vulnerabilidade do ser humano e a sua capacidade para superar situações.

«Porque se o porquinho vivesse num ‘bunker’ sem chaminé não poderia cozinhar e, logo, morreria de fome», explica.

Da mesma forma, o lobo da história tem de morrer e não se deve contar uma versão em que a fuga é a solução, até porque isso deixa a porta aberta para a possibilidade de um regresso: «Isso sim é que provoca pesadelos às crianças», diz o pediatra.

E por mais cruel que pareça, também as várias histórias em que morre a mãe de uma personagem devem ser contadas tal e qual, para preparar os filhos para uma vida própria e autónoma.

E é também por isso que as mães, segundo Mário Cordeiro, são substituídas por madrastas más, para deixar de haver um pólo de segurança.

«Um dia vais ter de fazer a tua própria vida», esta é a mensagem, explica o pediatra.

Para Mário Cordeiro, «os adultos são arrogantes a contar histórias e contam-nas para si próprios».

«Não é por o lobo ibérico estar em extinção que não se deve matar o lobo na história. Não se pode confundir realidade com fantasia», argumentou.

A falta de definição entre o bem e o mal pode levar a um medo de crescer, que, segundo o médico, é a causa de grandes problemas na adolescência.

Para realizar este trabalho, Mário Cordeiro está a comparar várias versões de histórias e canções tradicionais e tem verificado que «estão a desajudar imenso as crianças com versões absurdas».

Neste livro, que deverá estar pronto dentro de um ano, o pediatra propõe-se explicar como se diferencia a família psicológica da família real e qual é a construção que a criança faz do seu triângulo familiar.

A partir dos 18 meses, explica o pediatra, a criança perde a noção da omnipotência e deixa de se sentir Deus para passar a perceber as fragilidades de qualquer ser humano.

«Tenta, então, refugiar-se no seu próprio triângulo e tenta projectar o seu futuro dentro de casa, perspectivando os seus próprios filhos. O primeiro sinal disso é quando uma criança começa a embalar um boneco ou um urso».

Nesta altura, a criança começa a identificar-se mais com o progenitor do sexo oposto e a rivalizar com o do mesmo sexo.

No fundo, Mário Cordeiro tentará explicar «o medo de crescer», dando aos pais ferramentas para se responsabilizarem na definição de limites para os filhos.

«É fundamental uma criança conhecer os limites da sua relação com o outro», afirma.

A obra que o pediatra lança em Novembro, O Livro da Criança, pretende responder a algumas dúvidas e inquietações dos pais de crianças com entre um e cinco anos de idade e segue-se ao O Grande Livro do Bebé, também da Esfera dos Livros, uma obra do mesmo género sobre bebés até aos 12 meses.

Com estas obras, o autor «não pretende criar manuais de instruções», mas antes aumentar a sabedoria dos pais para que tomem decisões informadas e fundamentadas em relação aos seus filhos.

Nos planos futuros de Mário Cordeiro estão ainda mais dois livros, um para crianças em idade escolar e outro para a adolescência.

Lusa / SOL

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Esquerda do avesso

Outubro 21, 2007 · 3 Comentários

Nick Cohen, em entrevista ao semanário Sol, diz umas quantas coisas que merecem ser lidas. Pela esquerda.

“O que são estes europeus brancos e ricos que dizem ser de Esquerda? Que esquerdismo é o deles? Que significado tem, quando o socialismo – que definia o que era ser de Esquerda nos anos 80 – já não existe nem tem programa para além da democracia social? (…)

Suponho que, em Portugal, a Esquerda seja mais anticlerical do que a Direita. No entanto, (…) é muito provável que grande parte dos portugueses que dizem que não se deve ofender os clerigos muçulmanos sejam de esquerda. Não é estranho? O que é feito dos seus valores iluministas? Só os usam contra os pregadores católicos brancos?

(…) Tenho passado muito tempo a tentar perceber os filíosofos pós-modernos, que são escritores horríveis. Ao lê-los, fica-se com a impressão que é imperialismo cultural defender os melhores valores liberais, como a liberdade de expressão ou os direitos das mulheres.

(…) [Segundo a Esquerda,] é aceitável defender os direitos das mulheres brancas de Londres ou Lisboa, mas não os das mulheres de Teerão. Ou que o que é de Esquerda é ser contra Guantánamo, mas não contra o que se passa no Darfur, ou que se deve defender os direitos sindicais em Portugal, mas não na China. (…) Devia haver vigílias à porta da embaixada chinesa em Lisboa dia sim, dia não. Mas como não se pode deitar as culpas aos americanos… deixa-se passar.”

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Pobreza ameaça a classe média

Outubro 17, 2007 · Deixe um comentário

As famílias atingidas pelo desemprego e endividamento são os novos rostos dos dois milhões de pobres que existem em Portugal. A chamada classe média, esganada pelos créditos ou apanhada nas malhas do desemprego crescente, constitui uma nova forma de pobreza, que desafio os estereótipos associados a esse fenómeno.

As estatísticas do Eurostat revelam que 20% da população portuguesa vive na pobreza. Dois milhões de pessoas, portanto. Na União Europeia, a taxa de pobreza situa-se nos 16%, o que coloca Portugal no top 10 dos estados-membros mais pobres.
Ter emprego não significa estar acima do limiar de pobreza. O mito de que só quem não trabalha cai nas malhas da miséria é desmentido pelos números 14% dos portugueses que trabalham estão em risco de pobreza, de acordo com dados da Rede Europeia.
O problema é que não ganham o suficiente para pagar as contas. Isabel Jonet, directora do Banco Alimentar (BA), diz mesmo que os novos pobres são aqueles que contraíram créditos ou assumiram responsabilidades financeiras que já não conseguem honrar, seja porque perderam o emprego ou porque o custo de vida está cada vez mais elevado.

Estes novos fenómenos desafiam também as classificações tradicionais de classe média. “Se 20% dos portugueses concentram 80% da riqueza, já não há a chamada classe média”, explica o padre Jardim Moreira. As desigualdades sociais, em Portugal, são ainda mais chocantes do que no resto da Europa. Segundo dados da Eurostat, referentes a 2004, o grupo com mais rendimentos ganha sete vezes mais do que a franja mais desfavorecida.

“O que tem sido feito é gerir a pobreza, não resolvê-la”, critica o padre Jardim Moreira. Uma das formas de camuflar a real dimensão do problema é aumentar as transferências sociais (subsídios e outras prestações). Se fossem cancelados todos esses apoios, a taxa de pobreza, em Portugal, aumentaria para 38% e na Europa 40%, o que é revelador da “subsidiodependência”.
Para quebrar o ciclo da pobreza, os especialistas são unânimes na necessidade de investir na educação. Neste parâmetro, o nosso país apresenta também indicadores desoladores a taxa de abandono escolar é de 39% (quando na Europa não ultrapassa os 15%).

Helena Norte

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