detritus toxicus

Entradas categorizadas como ‘Opinião’

MRS

Março 11, 2007 · 6 Comentários

Estive uns minutos a ouvir Marcelo Rebelo de Sousa.

Além de uma série de banalidades que qualquer taxista também diria (que Sócrates vai mudar o rumo da governação para garantir um segundo mandato, blá blá blá, blá blá blá), não retirei dali uma única ideia com o mínimo de densidade.

E pensar que há por aí tanta gente com formação na área a quem não são dados ouvidos…

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Ortodoxia 1

Março 3, 2007 · 2 Comentários

Notícias que metem nojo:

http://g1.globo.com/Noticias/0,,MUL8776-5602,00.html

http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=233144&idselect=10&idCanal=10&p=200

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=61&id_news=265347

 Há uma certa esquerda que teima em manter um discurso de “tolerância” mesmo contra aquilo que é absolutamente intolerável. Defendem os “okupas”, os “toxicodependentes” e os “marginais” da sociedade; defendem o total relativismo cultural e moral, em nome não se percebe muito bem de quê, sem qualquer sustentação teórica minimamente inteligente;  defendem até a desculpabilização dos alunos que agridem professores, provavelmente por serem apenas vítimas dos grilhões da sociedade, como diza Rousseau, esse grande inimigo da liberdade.

Essa esquerda ortodoxa não interessa a mais ninguém. Como diria o Baptista Bastos, “é uma merda”.

Mas afinal, também há coisas que merecem ser lidas na net:

http://aquintadimensao.blogspot.com/2007/03/chutar-ou-parir-eis-questo.html

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Politicamente incorrecto

Fevereiro 27, 2007 · Deixe um comentário

A mim não me incomoda nada, mas mesmo nada, que a professora que ontem foi selvaticamente agredida  à saída do seu local de trabalho trate de resolver o problema à antiga portuguesa.

Chega de paninhos quentes. Inclusão e tolerância são uma coisa, violação dos direitos elementares dos cidadãos é outra.

Chega!

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A vergonha da Europa

Fevereiro 26, 2007 · 12 Comentários

Há pelo menos uma razão para a Europa inteira se envergonhar de Portugal: somos um país que ainda pratica esse acto próprio de bárbaros sub-desenvolvidos que é a tourada.

A tourada é a exibição pública da demência humana; é a demonstração de como Darwin se enganou quando afirmou que todos os seres vivos evoluem; é um espectáculo dantesco praticado por gente sem escrúpulos nem qualquer tipo de compaixão para com os animais; é um acto covarde de uns quantos amaricados de cuecas apertadas a torturar selvaticamente um animal indefeso que não pediu para estar ali.

Segundo as últimas notícias, alguns dignos portugueses envergonhados estão entre os signatários de uma moção que propõe o fim das touradas e da criação de touros de lide. Entre eles estão Assunção Esteves e Manuel dos Santos -  e não deixa de ser uma ironia deliciosamente sublime que um homem chamado Manuel dos Santos seja precisamente subscritor de uma tal declaração…

Em Espanha, Barcelona já faz parte das cidades “anti-touradas”; e vários outros municípios declararam o seu interesse em não permitir a exibição de rituais sádicos perpretados por esse tipo de incapacitados mentais.

Em Portugal, muitos municípios estão ainda na lista negra… A própria Igreja Católica, essa corja de abades pançudos e sobre-alimentados que ganha dinheiro à custa da boa-vontade de uns quantos, apoia a realização deste tipo de “espectáculos” de entretenimento. Onde está a moralidade e o sentimento de compaixão desses anti-cristos de batina?

As touradas devem acabar, e já. Os seus praticantes e todos aqueles que os apoiam, mesmo que na condição de espectadores, devem ser tratados como aquilo que são: criminosos sanguinários, para os quais não deve ser reservada nenhuma piedade.

Morte às touradas!

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Mundo cruel (I)

Fevereiro 22, 2007 · Deixe um comentário

Em 1960, os 20% mais ricos da população mundial dispunham de um rendimento trinta vezes superior ao rendimento dos 20%  mais pobres. Já era escandaloso. Mas, em vez de melhorar, a situação agravou-se ainda mais. Hoje, o rendimento dos mais ricos, comparado com o dos mais pobres é, não trinta, mas oitenta e duas vezes mais elevado! Dos seis mil milhões de habitantes do planeta, só quinhentos milhões vivem no desafogo, enquanto que 5,5 mil milhões continuam na pobreza.

(…)

Entre os habitantes de um país tão rico como os Estados Unidos, existem 32 milhões de pessoas cuja esperança média de vida é inferior a sessenta anos, quarenta milhões sem assistência médica, 45 milhões que vivem abaixo do limiar da pobreza, e 52 milhões de analfabetos funcionais… Da mesma forma, na opulenta União Europeia, na altura do nascimento do euro, existem cinquenta milhões de pobres e dezoito milhões de desempregados…

Ignacio Ramonet, “Guerras do Século XXI“, Campo das Letras

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Obscurantismo e pensamento crítico: o criacionismo

Fevereiro 19, 2007 · 6 Comentários

Não sou ateu. Sou apenas agnóstico. E não por uma qualquer razão de moralidade hipócrita ou interesseira — até porque os meus princípios de moralidade oscilam entre as máximas utilitaristas e o Imperativo Categórico de Kant. Simplesmente, a ausência de provas da existência de Deus junta-se à ausência de provas da inexistência de Deus. Assim sendo, não posso não ser crente na Sua existência e ser crente na Sua não-existência. Ou, como diria de uma forma sublime Carl Sagan, talvez em “Cosmos” (ou seria n’Os dragões do Éden?), “a ausência de prova não faz prova de ausência”.

Mas cultivo, tanto quanto posso, o pensamento crítico. Chamemos-lhe Filosofia, se preferirem. Para mim, é indiferente.

Ora, sucede que o pensamento crítico parece ser, cada vez mais, um alvo a abater nesta sociedade supostamente pós-moderna e relativista. Há vários casos a apontar, mas fiquemos apenas neste, para já: a discussão evolucionismo X criacionismo.

Não se trata de discutir os argumentos filosóficos de cada uma das teorias — não sei até que ponto devo chamar “filosóficos” a argumentos vindos de uma doutrina que prega o obscurantismo… Trata-se apenas de exprimir o meu desagrado pelo facto de o Criacionismo ser ensinado nas escolas públicas portuguesas e, consequentemente, ser pago com o dinheiro dos meus / nossos impostos. A coberto da disciplina de Educação Moral e Religiosa Evangélica, ensina-se às criancinhas uma pseudo teoria científica como se a explicação religiosa estivesse em pé de igualdade com a explicação científica. E não está, como é óbvio.

Naquilo que parece cada vez mais ser uma ofensiva obscurantista e anti-laicidade por parte de diversas religiões, nomeadamente a mui conservadora Igreja de Romao Criacionismo é ensinado nas escolas públicas a par das doutrinas científicas como se ambas as coisas fossem teorias – quando não o são – ou ambas fossem explicações igualmente válidas – quando não o são – acerca da origem da vida na Terra.

Cada um é livre de acreditar no que quiser: que o Homem nunca foi a Lua, que Eva teve 900 filhos de Adão, que uma Virgem engravidou de uma Pomba, que Deus disse “Fiat Lux” e depois meteu uns anitos de férias ou qualquer outra coisa. Mas não é legítimo, em nome desse relativismo cultural e do “direito à diferença”, que isto passe a ser uma república de bananas em que qualquer coisa pode ser ensinada nas escolas impunemente.

O fanático e fundamentalista religioso George Bush bem pode pretender que o Criacionismo seja colocado nos pratos da mesma balança juntamente com o Evolucionismo; mas enquanto existirem seres humanos pensantes, saberemos seguramente distinguir os domínios da fé dos da razão.

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Boas notícias

Fevereiro 13, 2007 · Deixe um comentário

O Estado começa agora a acertar o passo com uma sociedade que desde o 25 de Abril se tem secularizado rapidamente (de 1973 até 2005, os casamentos civis passaram de 18% para 45%; os nascimentos fora do casamento, de 7% para 31%; os divórcios, de 1 por cada 100 casamentos para 47 por cada 100 casamentos; os católicos praticantes passaram de 2,44 milhões em 1977 para 1,93 milhões em 2001). Se o «sim» tivesse ganho em 1998, os debates posteriores sobre a Lei da Liberdade Religiosa de 2001 e a Concordata de 2004 teriam sido diferentes.

A questão do aborto NÃO É uma questão de ética religiosa. Quem o quiser defender religiosamente, que o faça — mas que nem pense em impingir aos outros as suas convicções religiosas.

A questão do aborto é uma questão filosófica. Ética. E quanto a isso, várias perspectivas são defensáveis - e igualmente respeitáveis.

Para lá do aborto: viva a laicidade. Vergonhosamente, numa das assembleias de voto da minha área de residência existiam cruzes penduradas na parede. O mesmo local abriga, durante a semana, uma escola primária pública – por definição, laica. Quando será que nos livramos do jugo da maior empresa de marketing do planeta?

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Ira Divina

Fevereiro 12, 2007 · 3 Comentários

A terra tremeu em Portugal. Ainda vai aparecer alguém a estabelecer uma ligação entre o sismo de hoje e os resultados eleitorais de ontem. Lembram-se?

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Obrigações éticas da Humanidade

Fevereiro 12, 2007 · Deixe um comentário

Descubro, através d’A Quinta Dimensão, que já existem mais alternativas à experimentação animal. Ainda bem que assim é. Uma sociedade que se quer desenvolvida não pode tratar os animais de forma tão desumana – precisamente porque se trataria de uma demonstração de inumanidade. Recomendo vivamente a leitura de “Ética Prática” e de “Libertação Animal” (um sucesso de vendas), ambos de Peter Singer. Todos aqueles que gostam de animais ou ponderam o vegetarianismo como opção (obrigação?) ética, devem dar a conhecer a verdade sobre aquilo que chega aos nossos pratos.

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O referendo

Fevereiro 11, 2007 · Deixe um comentário

Há uma análise sobre os resultados do referendo que gostaria de ver realizada. Não a posso fazer eu: sobra-me falta de tempo, de meios e de instrumentos conceptuais para o  fazer.  Mas dentro dessas limitações, sugiro aos leitores deste blog que consultem a página oficial da Comissão Nacional de Eleições sobre o referendo  e verifiquem se concordam com a minha singela perspectiva sobre estes dados:

No Porto, a freguesia mais rica (Nevogilde) teve 39.64 de votos no SIM contra 60.36 de votos no NÃO; mas a freguesia mais pobre (Sé) teve, respectivamente, 72.06 contra 27.94.

Ainda no Porto, os concelhos de Porto, Matosinhos, Gaia, Maia, Gondomar e Valongo votaram claramente pelo SIM; mas os concelhos de Marco de Canaveses, Lousada, Baião, Felgueiras e Amarante votaram inequivocamente NÃO.

 Em Vila do Conde, as freguesias mais interiores e mais arreigadas à fé católica (Arcos, Ferreiró) votaram pelo NÃO; mas as freguesias mais urbanas (Árvore, Azurara) votaram SIM.

Em causa estão, portanto, três situações dicotómicas: ricos/pobres; interior/litoral; católicos/laicos. E nem faço referência à evidente distinção Norte/Sul – basta comparar os resultados de Braga com os de Beja, onde Ferreira do Alentejo se destaca com uns impressionantes 90-10.

Isto é capaz de querer dizer qualquer coisa.

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