detritus toxicus

Entradas categorizadas como ‘Leituras’

Livros on-line

Março 27, 2008 · Deixe um comentário

Mais um link para livros on-line:

http://www.geocities.com/ail_br/linkscharuto.html

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Psicanálise dos contos de fadas

Novembro 1, 2007 · 3 Comentários

“Hoje, com em tempos idos, a mais importante e mais difícil tarefa na educação de um filho é ajudá-lo a encontrar um sentido para a vida. Para se conseguir isso são necessárias muitas experiências de crescimento. Enquanto se desenvolve, a criança tem de aprender, passo a passo, a coompreender-se melhor a si própria; com isso ficará apta a compreender os outros e, eventualmente, a relacionar-se com eles por vias mutuamente satisfatórias e significativas.”

Bruno Bettelheim, “Psicanálise dos contos de fadas“, Bertrand.

Mais sobre contos infantis:

http://tapetedesonhos.wordpress.com/

http://www.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/C/conto_fadas.htm

CONTO DE FADAS

Actualmente, o termo engloba uma variedade de narrativas, sobretudo histórias que por regra possuem elementos “atemporais” e que normalmente recorrem a heróis (ou heroínas) quase sempre jovens, corajosos e habilidosos que passam por aventuras estranhas, por vezes mágicas, que lhes servem de teste para um eventual destino feliz, e madrastas malévolas (ou padrastos) cuja função é dificultar‑lhes a vida ao longo da narrativa. Toda a história se desenrola no sentido de demonstrar um princípio moral que ou aparece em apêndice (como no caso dos contos de Perrault) ou é construído ao longo do texto (como no caso dos contos de Grimm). Exemplos de histórias como estas encontram‑se em muitos países. Apesar das suas características ditas “universais”, o conto de fadas tem sofrido alterações ao longo do tempo, de acordo com os gostos conscientes ou inconscientes de cada geração. Tal como o mito, também o conto de fadas apresenta seres e acontecimentos extraordinários, mas, em contrapartida e tal como a fábula, tende a desenrolar‑se num cenário temporal e geograficamente vago, iniciando‑se e terminando quase sempre da mesma forma: “Era uma vez…” e “Viveram felizes para sempre.” Entre os muitos exemplos destacam‑se; “A Cinderela”; “A Branca de Neve e os Sete Anões”; “A Bela Adormecida”; “O Capuchinho Vermelho”; “João e o Feijoeiro Gigante”, etc.

Em Portugal, devido ao rígido sistema religioso e de imprensa, a publicação de contos de fadas foi proibida entre o século XVII e o início do século XIX. Só após essa data, se assiste à tradução destes contos para Português e, à semelhança do que aconteceu nos outros países, também eles foram adaptados à realidade nacional, sofrendo alterações com o passar dos anos.

 

No século XX, surgiu uma tentativa por parte de alguns psicólogos, tais como Sigmund Freud, Carl Jung e Bruno Bettelheim de interpretar determinados elementos dos contos de fadas como manifestações de desejos e medos. Bettelheim, no seu livro Psicanálise dos Contos de Fadas (1975) defende que a leitura de contos de fadas não só oferece à imaginação da criança novas dimensões que seria impossível ela descobrir por si só, como também contribui para o seu crescimento interior. Para este psicólogo, os contos de fadas são verdadeiras obras de arte plenamente compreensíveis para as crianças, como nenhuma outra forma de arte o consegue ser.

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Carl Sagan

Setembro 11, 2007 · Deixe um comentário

A Gradiva vai proceder à reedição de todas as obras de Carl Sagan, juntando-as numa colecção específica. Para lá da aproximação estratégica do Natal, esta é uma excelente notícia para aqueles cujas vidas foram alteradas pela simples leitura de livros como “Os dragões do Éden”, “Cosmos” ou “Um Universo infestado de demónios”.

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Política

Julho 2, 2007 · 1 Comentário

“(…) Carlos lembrava a política, ocupação dos inúteis. Ega trovejou. A política! Isso tornara-se moral e fisicamente nojento, desde que o negócio atacara o constitucionalismo, como uma filoxera! Os políticos hoje eram bonecos de engonços, que faziam gestos e tomavam atitudes porque dois ou três financeiros por trás lhes puxavam pelos cordéis… Ainda assim podiam ser bonecos bem recortados, bem envernizados. Mas qual! Aí é que estava o horror. Não tinham feitio, não tinham maneiras, não se lavavam, não limpavam as unhas! Coisa extraordinária, que em país algum sucedia, nem na Roménia, nem na Bulgária! Os três ou quatro salões que em Lisboa recebem todo o mundo, seja quem for, largamente, excluem a maioria dos políticos. E porquê? Porque as senhoras têm nojo!”

Eça de Queirós, Os Maias

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Uma nova economia?

Abril 29, 2007 · Deixe um comentário

“Sabemos que o fosso das desigualdades se alrgou no decurso das duas décadas ultraliberais (1979-2001), mas como poderíamos imaginar chegar a tal ponto? Sabe-se que as três pessoas mais ricas do mundo possuem uma fortuna superior à soma dos produtos internos brutos dos 48 países mais pobres, ou seja, um quarto do total de Estados do planeta… Em mais de setenta países, o rendimento por habitante é inferior ao que era há vinte anos. À escala planetária, quase três mil milhões de pessoas – metade da humanidade – vivem com menos de dois euros por dia… A abundância de bens atinge níveis sem precedentes, mas onúmero dos que não têm tecto, nem trabalho nem de comer aumenta sem cessar. Cerca de um terço dos quatro mil milhões e meio de habitantes dos países em vias de desenvolvimento não têm acesso a água potável. Um quinto das crianças não acede à quantidade suficiente de calorias ou de proteínas. E
cerca de dois mil milhões de indivíduos – um terço da humanidade – sofrem de anemia.
Tal situação é forçosamente fatal? Não, absolutamente.
Segundo as Nações Unidas, para dar a toda a população do
globo o acesso às necessidades elementares (alimentação, água potável, educação, saúde) bastaria retirar, nas 225 maiores fortunas mundiais, menos de 4% da riqueza acumulada. Conseguir a satisfação universal das necessidades sanitárias e nutricionais custaria apenas treze mil milhões de euros, sensivelmente o mesmo que os habitantes dos Estados Unidos e da União Europeia gastam, por ano, no consumo de… perfumes.”

Ignacio Ramonet, Guerras do Século XXI

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A hipótese Gaia

Março 14, 2007 · 1 Comentário

James Lovelock é um pesquisador e ambientalista independente reconhecido sobretudo pela célebre Hipótese Gaia, uma teoria científica que afirma que o planeta se comporta como um ser vivo, gerando e mantendo as suas próprias condições ambientais. Ainda que a Hipótese Gaia tivesse sido usada originalmente como uma metáfora, Lovelock recolheu o desprezo da comunidade científica internacional ao mesmo tempo que foi muito bem acolhido por grupos ambientalistas.

Este mês, a Gradiva publica “A vingança de Gaia”: “Agredida e explorada durante milénios, Gaia, a Terra viva na concepção, então pioneira, de um dos gigantes do pensamento ambientalista, começou a retaliar, desenhando-se um destino de autodestruição para o qual é difícil ver saída. Mas James Lovelock vem dizer-nos, num texto apaixonado e muitas vezes poético, que ainda estamos a tempo de salvar a civilização humana.”

O livro será o número 157 da colecção “Ciência Aberta” e estará à venda ao público a partir de 22 de Março, por € 18,50

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Mundo cruel (I)

Fevereiro 22, 2007 · Deixe um comentário

Em 1960, os 20% mais ricos da população mundial dispunham de um rendimento trinta vezes superior ao rendimento dos 20%  mais pobres. Já era escandaloso. Mas, em vez de melhorar, a situação agravou-se ainda mais. Hoje, o rendimento dos mais ricos, comparado com o dos mais pobres é, não trinta, mas oitenta e duas vezes mais elevado! Dos seis mil milhões de habitantes do planeta, só quinhentos milhões vivem no desafogo, enquanto que 5,5 mil milhões continuam na pobreza.

(…)

Entre os habitantes de um país tão rico como os Estados Unidos, existem 32 milhões de pessoas cuja esperança média de vida é inferior a sessenta anos, quarenta milhões sem assistência médica, 45 milhões que vivem abaixo do limiar da pobreza, e 52 milhões de analfabetos funcionais… Da mesma forma, na opulenta União Europeia, na altura do nascimento do euro, existem cinquenta milhões de pobres e dezoito milhões de desempregados…

Ignacio Ramonet, “Guerras do Século XXI“, Campo das Letras

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A vida em democracia legitima todas as opiniões?

Fevereiro 21, 2007 · 3 Comentários

“A democracia consiste em submeter o poder político a um controle. É essa a sua característica essencial. Numa democracia não deveria existir nenhum poder político incontrolado. Ora, a televisão tornou-se hoje em dia um poder colossal; pode mesmo dizer-se que é potencialmente o mais importante de todos, como se tivesse substituído a voz de Deus. E será assim enquanto continuarmos a suportar os seus abusos. A televisão adquiriu um poder demasiado vasto no seio da democracia. Nenhuma democracia pode sobreviver se não puser cobro a esta omnipotência.  (…) O uso que se faz da televisão [na Jugoslávia e também] na Rússia é (…) abusivo. A televisão não existia no tempo de Hitler, ainda que a sua propaganda fosse organizada sistematicamente com um poderio quase comparável. Com ela, um novo Hitler disporia de um poder sem limites.

Não pode haver democracia se não submetermos a televisão a um controle, ou, para falar com mais precisão, a democracia não pode subsistir de uma forma duradoura enquanto o poder da televisão não for totalmente esclarecido. De facto, os próprios inimigos da democracia apenas possuem uma débil consciência desse poder. Quando tiverem compreendido verdadeiramente o que podem fazer com ele, utilizá-lo-ão de todas as formas, inclusivamente nas situações mais perigosas. Mas então será tarde de mais. É agora que devemos tomar consciência desse risco e submeter a televisão a um controle (…).

Karl Popper, “Televisão: um perigo para a democracia”, Gradiva, 1995

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Obrigações éticas da Humanidade

Fevereiro 12, 2007 · Deixe um comentário

Descubro, através d’A Quinta Dimensão, que já existem mais alternativas à experimentação animal. Ainda bem que assim é. Uma sociedade que se quer desenvolvida não pode tratar os animais de forma tão desumana – precisamente porque se trataria de uma demonstração de inumanidade. Recomendo vivamente a leitura de “Ética Prática” e de “Libertação Animal” (um sucesso de vendas), ambos de Peter Singer. Todos aqueles que gostam de animais ou ponderam o vegetarianismo como opção (obrigação?) ética, devem dar a conhecer a verdade sobre aquilo que chega aos nossos pratos.

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Educação à portuguesa

Fevereiro 4, 2007 · 4 Comentários

[Vilaça] Quis ouvir mais o menino, e pousando o seu talher:

- E diga-me, Carlinhos, já vai adiantado nos seus estudos?

O rapaz, sem o olhar, repoltreou-se, mergulhou as mãos pelos cós das flanelas e respondeu com um tom superior:

- Já faço ladear a “Brígida”.

Então o avô, sem se conter, largou a rir, caído para o espaldar da cadeira:

- Essa é boa! Eh! Eh! Já faz ladear a “Brígida”! É verdade, Vilaça, já a faz ladear…

(…)

O bom Vilaça, no entanto, dando estalinhos aos dedos, preparava uma observação. Não se podia decerto ter melhor prenda que montar a cavalo com as regras… Mas ele queria dizer se o Carlinhos já entrava com o seu Fedro, o seu Tito Liviozinho…

O abade (…) escolhendo no molho rico os bons pedaços de ave, ia murmurando:

- Deve-se começar pelo latinzinho, deve-se começar por lá… É a base: é a basezinha!

- Não! Latim mais tarde! – exclamou o Brown, com um gesto possante. – Prrimeirro forrça! Forrça! Músculo…

Afonso apoiava-o, gravemente.  O latim era um luxo de erudito…

(…)

[O Eusebiozinho] Ainda gatinhava e já a sua alegria era estar a um canto, sobre uma esteira, embrulhado num cobertor, folheando in-fólios, com o craniozinho calvo de sábio curvado sobre as letras garrafais da boa doutrina; e depois de crescidinho tinha tal propósito que permanecia horas imóvel numa cadeira, de perninhas bambas, esfuracando o nariz. (…)

O sr. Vilaça naturalmente não sabia, mas aquela educação do Carlinhos nunca fora aprovada pelos amigos da casa. Já a presença do Brown, um herético, um protestante, como preceptor na família dos Maias, causara desgosto em Resende.Sobretudo quando o sr. Afonso tinha aquele santo do abade Custódio, tão estimado, homem de tanto saber… Não ensinaria à criança habilidades de acrobata; mas havia de lhe dar uma educação de fidalgo, prepará-lo para fazer boa figura em Coimbra.

Nesse momento, o abade, suspeitando de uma corrente de ar, ergueu-se da mesa de jogo a fechar o reposteiro: então, como Afonso já não podia ouvir, D. Ana ergueu a sua voz:

- E olhe que o Custódio teve desgosto, sr. Vilaça. Que o Carlinhos, coitadinho, nem uma palavra sabe de doutrina…

(…)

Afonso da Maia, no entanto, recomeçara a falar do Silveirinha. Tinha três ou quatro meses mais que Carlos, mas estava enfezado, estiolado por uma educação à portuguesa: daquela idade ainda dormia no choco com as criadas, nunca o lavavam para o não constiparem, andava couraçado de rolos de flanelas! Passava os dias nas saias da titi a decorar versos, páginas inteiras do “Catecismo de Perseverança”. Ele por curiosidade abrira este livreco e vira lá “que o Sol é que anda em volta da Terra (como antes de Galileu), e que Nosso Senhor todas as manhãs dá as ordens ao Sol, para onde há-de ir e onde há-de parar, etc., etc.” E assim lhe estavam arranjando uma almazinha de bacharel…

Eça de Queiroz, “Os Maias

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