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Universos paralelos

Setembro 19, 2008 · Deixe um comentário

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Gargalhadas não são exclusivas dos humanos

Janeiro 5, 2008 · Deixe um comentário

A base do riso poderá ter surgido num primata ancestral dos humanos e dos macacos actuais, sugeriu um estudo científico publicado na revista Biology Letters.

Cientistas descobriram que os orangotangos têm o sentido de empatia e mimetismo necessários a qualquer tipo de riso. As expressões faciais, tais como a boca amplamente aberta, foram encontrados e copiados por estes grandes primatas.

A velocidade com que os orangotangos capturaram esta expressão de riso fez crer que as suas manifestações são involuntárias.

A Dr. Davila Ross, uma das especialistas responsáveis pelo estudo, estudou 25 espécimes entre os dois e 12 anos e concluiu que, de cada vez que um gorila «sorri», o seu companheiro imita o gesto em apenas meio segundo.

«Nos humanos, o comportamento mimético pode ser voluntário e involuntário. Até à nossa descoberta, não havia a mínima pista de que os animais tivessem respostas semelhantes», afirmou a cientista à BBC. «O que ficou claro é que os blocos que ergueram o contágio emocional positivo se formaram antes da humanidade».

SOL com agências

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Os macacos também sabem somar

Dezembro 25, 2007 · Deixe um comentário

Os macacos sabem fazer contas de somar de cabeça tão bem como qualquer estudante universitário – é a conclusão de um estudo de Elizabeth Brannon e Jessica Cantlon, da Universidade de Duke (nos EUA), publicado na revista online “PLoS Biology”.

A equipa testou quatro macacas “rhesus”. Quanto aos humanos, escolheram-se 14 estudantes da Universidade de Duke. Para testar as capacidades aritméticas de macacos e humanos, a equipa colocou-os em frente a um ecrã táctil, no qual ia surgindo um número variável de pontos. Em seguida, esses pontos desapareciam do ecrã, para aparecer um número diferente de pontos. Por fim, era-lhes mostrado um terceiro ecrã com duas caixas: numa estava a soma dos dois conjuntos de pontos, na noutra surgia outro número.

Se os macacos tocassem na caixa com a soma correcta, eram recompensados. Já em relação aos estudantes, foi-lhes pedido que escolhessem a soma correcta sem contar os pontos individualmente. Os humanos acertaram em 94 por cento das vezes, contra 76 por cento nos macacos, mas o tempo de resposta foi idêntico em ambas as espécies (cerca de um segundo).

Já se sabia que humanos e animais partilhavam a capacidade de representar mentalmente números e de os comparar, mas desconhecia-se se os animais também sabiam fazer operações mentais de aritmética. Quais são as origens evolutivas da aritmética?

“Sabíamos que os animais conseguem reconhecer quantidades, mas não era claro que tivessem capacidade de levar a cabo tarefas matemáticas explícitas, como a adição”, sublinha Jessica Cantlon, citada numa nota da sua universidade. “O nosso estudo mostra que sim.” Para mais, em termos evolutivos, os macacos até estão mais distantes de nós do que os chimpanzés, os nossos parentes mais próximos. Portanto, este resultado significa que humanos e macacos terão partilhado um antepassado que já possuía noções básicas de aritmética.

18.12.2007 – 08h54 Teresa Firmino

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Telemóveis e Tumores

Dezembro 9, 2007 · Deixe um comentário

Um estudo publicado hoje no American Journal of Epidemiology volta a questionar o impacto na saúde das ondas de radiação emitidas pelas antenas dos telemóveis. Um tema que tem originado vários estudos, nem sempre com resultados semelhantes.

A investigação concluiu que as radiações dos móveis aumentam o risco de cancro das glândulas salivares em cerca de 50 por cento nos utilizadores frequentes, que usem o equipamento 22 ou mais horas por mês.

O perigo é ainda mais elevado no caso dos utilizadores que têm tendência a falar sempre do mesmo lado, usando sempre a mesma a orelha, conclui o documento realizado com o apoio da Organização Mundial de Saúde.

Foram analisados na pesquisa 460 doentes, sendo que 402 desenvolveram tumores benignos e 58 desenvolveram tumores malignos, informa a agência noticiosa France Press.

in http://tek.sapo.pt/4N0/795300.html

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Células estaminais sem embriões

Novembro 21, 2007 · 3 Comentários

Duas equipas fazem ao mesmo tempo uma descoberta sensacional

Dois grupos de cientistas, um japonês e o outro americano, conseguiram transformar células da pele humana em células que parecem estaminais embrionárias. A descoberta abre grandes possibilidades, talvez ilimitadas, na regeneração dos tecidos humanos e de órgãos com deficiências.

Esta inovação também poderá alterar o debate político sobre as células estaminais produzidas a partir de embriões humanos. O uso e destruição destes embriões tem sido muito contestado, levando a administração Bush a travar os financiamentos públicos.

O estudo da equipa americana, liderada por James Thompson (da Universidade de Wisconsin), foi publicado pela revista Science e o japonês (a equipa chefiada por Shinya Yamanaka, da Universidade de Quioto) foi ontem anunciado, antes da sua publicação, na revista especializada Cell. Os japoneses desenvolveram uma técnica baseada numa receita química simples (apenas quatro ingredientes) cujo efeito é o de converter célula da pele em células que possuem muitas características físicas, de crescimento ou até genéticas das células embrionárias, cuja diferenciação permite produzir neurónios ou tecidos cardíacos. Não se atingiu a capacidade de diferenciação de uma célula estaminal embrionária e os japoneses sublinham ser “prematuro” pensar que estas células podem substituir as estaminais embrionárias.

Uma vez melhorada esta técnica, será possível obter células estaminais com o mesmo código genético do paciente, abrindo perspectivas ao tratamento de doenças ou de transplantes, pois serão reduzidos os riscos de rejeição. A esperança que os cientistas colocam nas células estaminais deriva da capacidade que estas têm de se diferenciarem em 220 tipos diferentes de células do corpo humano.

Citados pelas agências, vários peritos sublinham a importância destas duas investigações. “Trabalho monumental”, com “impacto na nossa capacidade de acelerar as aplicações desta tecnologia”, explicou à AFP um especialista em cardiologia. A descoberta terá prováveis aplicações no tratamento de doenças cardíacas, na luta contra o cancro, além de permitir combater Alzheimer, Parkinson, diabetes, entre muitas outras doenças. Será possível melhorar o tratamento de queimados e lesões da medula.

L. N.

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E a clonagem de seres humanos?

Novembro 16, 2007 · Deixe um comentário

15.11.2007

Os resultados agora divulgados sobre a clonagem em macacos apenas dizem respeito a um tipo de clonagem: a clonagem terapêutica (que apenas visa obter células geneticamente iguais às de um dador). Os cientistas norte-americanos não abordam, no seu artigo, a questão da “outra” clonagem, aquela que se salda pelo nascimento de um ser vivo idêntico ao adulto que forneceu as células do seu corpo. Mas é evidente que, tendo sido possível ultrapassar a “barreira das espécies”, realizando a clonagem inédita de embriões de primata, a clonagem de embriões humanos torna-se mais plausível. Volta assim a pairar o “espectro” da clonagem reprodutiva humana.
Shoukhrat Mitalipov, o líder do trabalho agora divulgado pela Nature, é o primeiro a ter a certeza de que o que já foi possível fazer no macaco Rhesus vai rapidamente sê-lo para o Homo sapiens: “Basicamente, penso que a nossa tecnologia é directamente aplicável aos humanos; estou convencido de que vai funcionar”, disse ontem numa conferência de imprensa telefónica. A sua equipa não tenciona ser uma das que irão aplicar a nova técnica à clonagem de embriões humanos – “apenas trabalhamos com macacos”, diz Mitalipov. Mas espera que o seu trabalho seja útil para outros. Isso não significa, porém, que vá ser possível, a curto prazo, clonar um bebé humano. Para já, no macaco Rhesus, tal coisa ainda não deu resultado – e a equipa de Mitalipov sabe-o bem, pois passou anos a tentar fazê-lo sem sucesso. Este cientista salientou que ainda não sabia como é que os embriões de macados obtidos pela nova técnica de clonagem se iriam comportar – se seriam ou não viáveis até ao termo da gravidez. Mas é um facto que tenciona experimentar clonar macacos Rhesus (e não apenas os seus embriões).
Isso permitiria obter um modelo animal muito mais próximo do humano do que os ratinhos, “para fazer experiências de transplantes, testar a segurança dos procedimentos e simular as doenças humanas, introduzindo mutações genéticas nos embriões dos macacos”. A.G.

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A clonagem chega ao mundo dos primatas e desta vez não é ficção

Novembro 16, 2007 · Deixe um comentário

15.11.2007, Ana Gerschenfeld

É oficial: cientistas americanos clonaram, pela primeira vez, embriões de macacos Rhesus. Um avanço que abre a porta à clonagem humana para fins terapêuticos

Chama-se Semos, como o deus-macaco da versão mais recente do filme Planeta dos Macacos. Mas não é ficção científica: é um macaco Rhesus que vive no Centro Nacional de Investigação dos Primatas, no Oregon (EUA), e cujas células cutâneas serviram para clonar, pela primeira vez, embriões de macacos.
A partir desses embriões, Shoukhrat Mitalipov e os seus colegas geraram duas linhas de células estaminais embrionárias (CEE), que são capazes de originar todos os tecidos do organismo e cujas potencialidades terapêuticas podem ser imensas. Os resultados foram ontem divulgados on-line pela Nature e serão publicados a 22 Novembro.
Até agora, ninguém tinha conseguido semelhante feito num primata. Já tinha havido várias “falsas partidas”, tanto no macaco como no homem. Uma delas, aliás, revelar-se-ia fraudulenta, com cientistas sul-coreanos a anunciarem, em 2004, que tinham clonado embriões humanos e extraído daí linhagens de CEE humanas.
De facto, instalou-se um grande pessimismo nos anos que se seguiram ao nascimento de Dolly, em 1997. A tal ponto que, em 2003, Gerald Schatten, da Universidade de Pittsburgh, declarou, após 716 tentativas de clonar um primata, que isso talvez não fosse possível. “Com os métodos actuais”, disse, “a produção de CEE [clonagem terapêutica] em primatas não-humanos pode revelar-se difícil – e a clonagem reprodutiva impossível”.
Ao passo que a clonagem terapêutica consiste em obter CEE a partir de embriões clonados que são a seguir descartados, a clonagem reprodutiva visa a implantação dos embriões no útero de fêmeas, para obter crias. A possibilidade de se fazer o mesmo no ser humano tem suscitado grandes preocupações.
Dez anos de esforços
A equipa de Mitalipov estava há 10 anos a tentar a clonagem reprodutiva de primatas e, nesse processo, utilizaram 15 mil ovócitos. Em vão. Conta a nature.com que, “quando souberam que os resultados da Coreia do Sul eram fraudulentos, decidiram dedicar-
-se à clonagem terapêutica”.
Mas tiveram de modificar a técnica da Dolly, dita de “transferência nuclear de células somáticas”, porque havia qualquer coisa que não resultava com os primatas. A técnica de base consiste em colher células do corpo de animais adultos, introduzi-las em ovócitos de fêmeas previamente esvaziados do seu ADN e em fundir as duas células, dando origem a um embrião geneticamente idêntico ao doador das células adultas.
Os cientistas explicam as diferenças que introduziram: luz polarizada para ver o ADN do ovócito em vez de luz ultravioleta ou um pigmento especial, como acontece na técnica convencional; e uma solução de nutrientes que permite controlar melhor a activação dos ovócitos pelos genes da célula do doador adulto – que, neste caso, eram as células da pele do macaco Semos, com 9 anos de idade. A eficiência do novo processo é ainda muito reduzida – foram precisos 150 ovócitos para gerar cada linhagem de CEE -, mas funcionou. Todavia, nada foi anunciado antes de outra equipa ter confirmado os resultados.
Numa inédita decisão, os editores da Nature resolveram ter a certeza absoluta de que não estavam perante mais um falso alarme. Por isso, o artigo principal é acompanhado por outro, da autoria de David Cram e colegas da Universidade de Monash, na Austrália, que confirma que as CEE obtidas nos EUA provêm efectivamente de embriões clonados por transferência nuclear – e não foram obtidos por fertilização in vitro convencional ou partenogénese (formação de um embrião por divisão, sem fecundação).
Ruth Francis, da Nature, disse ao PÚBLICO que isto tinha sido feito “dada a importância das implicações dos resultados para a investigação médica e para a história na área da clonagem”, acrescentando que “tais verificações não devem ser vistas como uma marca de desconfiança em relação aos cientistas, mas como uma maneira directa de resolver logo as questões que iriam ser levantadas quanto à veracidade das experiências”.
As CEE obtidas parecem ser em tudo idênticas às CEE naturais. Em particular, explicou ontem Mitalipov numa conferência telefónica, já conseguiram transformá-las, in vitro, em células cardíacas e em neurónios. “E, quando as injectamos em ratinhos, elas formam tumores que indicam que podem, de facto, dar origem a todos os tecidos do organismo.”
Os cientistas querem melhorar a eficiência da técnica: “Seria bom utilizar apenas cinco a dez ovócitos para obter uma linhagem de CEE”, diz Mitalipov. Mas o objectivo principal é utilizar os macacos Rhesus como modelo animal para testar aplicações das CEE em medicina humana, “por exemplo, na diabetes”.
150
ovócitos
foram necessários para gerar uma linhagem de células estaminais
embrionárias
No domingo, a Universidade
das Nações Unidas (UNU), um centro de estudo internacional com sede em Tóquio, no Japão, divulgou um parecer sobre a atitude que o mundo deveria adoptar face à clonagem humana. O parecer concluía que, entre as hipóteses que se colocam à comunidade internacional, a mais viável do ponto de vista político seria a proibição global da clonagem reprodutiva humana, aliada à liberdade de cada nação permitir a investigação em clonagem terapêutica, mas em moldes estritamente controlados. Basicamente, é este o sistema que vigora actualmente no Reino Unido. “Se não formos capazes de ilegalizar a clonagem reprodutiva, isso significa que, mais tarde ou mais cedo, vamos partilhar o planeta com indivíduos clonados”, declarou Brendan Tobin, advogado
do Centro Irlandês dos
Direitos Humanos e um dos
co-autores do documento,
citado por um comunicado
da UNU, acrescentando
que, se isso acontecer,
tonar-se-á indispensável
garantir a protecção dos seus direitos. A.G.

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Morreu Washoe

Novembro 2, 2007 · Deixe um comentário

 Washoe, a chimpanzé que sabia falar através de ameslan (american sign laguage) e cuja história vem descrita (entre muitos outros) em “A realidade é real?“, de Paul Watzlawick.

A propósito de Washoe, e não só, já Sagan se interrogava quanto tempo mais precisaríamos nós, humanos, para proceder a uma reclassificação do género humano.

Morreu primata que sabia “falar”

A chimpanzé fêmea que aprendera 250 palavras da linguagem gestual morreu ontem com 42 anos, anunciaram os cientistas que trabalharam com este animal, o primeiro a dominar uma linguagem humana.

Tinham-lhe chamado Washoe, nasceu em África e passou grande parte da sua vida na Universidade Central Washington, junto dos investigadores do Instituto do Chimpanzé e da Comunicação Humana.

Antes disso, logo a partir dos últimos anos da década de 60, ela esteve num centro de investigação da Universidade de Reno, no Estado norte-americano do Nevada. Foi aí que os primatólogos Allen Gardner e a sua mulher Beatrice iniciaram um programa que consistia em ensinar chimpanzés a comunicar através da versão americana da linguagem gestual.

O casal de investigadores Gardner praticamente adoptou Washoe, que passava uma parte do tempo a brincar no jardim da família, convivendo com seres humanos, inclusive crianças. Em algumas fases do projecto registaram-se controvérsias quer quanto ao treino a que o animal era submetido, quer quanto a uma alegada “humanização” da primata e “deshumanização” de um filho dos investigadores.

A chimpanzé aprendeu 250 palavras. Outro feito inédito que conseguiu foi o de ensinar também sinais da linguagem gestual ao seu filho adoptivo Loulis.

As experiências com Washoe foram descritas no livro “Parentesco próximo o que os chimpanzés me ensinaram sobre os humanos”. Publicada em 1997, a obra foi escrita por um dos directores do Instituto do Chimpanzé, Roger Fouts, e registou enorme sucesso. Na internet mantém-se um site de “Amigos de Washoe”, em http://www.friendsofwashoe.org/. A longevidade de Washoe excedeu em cerca de nove anos o tempo de vida médio destes primatas, que é de cerca de 33,5 anos.

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Cientistas descobrem mecanismo no embrião responsável pela diferença entre espécies

Outubro 11, 2007 · Deixe um comentário

Como é que uma estrutura celular simples ao nível do embrião deu origem a uma tão grande variedade de espécies nos animais vertebrados? A pergunta é feita há mais de um século pela comunidade científica. A possível resposta ao enigma foi publicada hoje pela revista “Nature”. Uma equipa de cientistas especialistas em embriologia diz ter descoberto o mecanismo responsável pela distinção entre os verterbrados mais complexos e outros primitivos como os anfíbios ou os peixes.

Os embriologistas da Universidade de Londres utilizaram um microscópio de dois fotões para analisar o desenvolvimento dos ovos de galinhas, com um desenvolvimento semelhante ao dos mamíferos. No início, a massa indiferenciada de células que constitui o embrião movimenta-se até criar a estrutura que vai definir a formação de um corpo, num processo conhecido por gastrulação.

No estudo hoje divulgado, os cientistas revelam ter descoberto que os vertebrados mais desenvolvidos, como os mamíferos e aves, adquiriram durante a sua evolução um mecanismo de intercalação celular que posiciona a linha primitiva de células, que depois forma o eixo do embrião, no centro do embrião e não no extremo como acontece nos vertebrados primitivos. Este processo de formação da primeira estrutura embrionária visível ocorre antes e durante a gastrulação. No ser humano acontece às três semanas e é um estádio fulcral no desenvolvimento embrionário porque define quantos indivíduos vão ser formados e se vão existir mal-formações no feto.

“O nosso estudo descobriu um processo único nos grandes vertebrados, através do qual as células se organizam de uma determinada maneira, mesmo antes de ter início a gastrulação, de forma a criar a primeira estrutura visível no embrião: a linha primitiva. Esta linha marca a posição do futuro eixo do embrião”, explicou ao PUBLICO.PT o coordenador do estudo Claudio Stern.

Segundo o especialista, a descoberta da equipa tem particular importância pois é a primeira vez que os movimentos das células embrionárias são analisados ao nível do epitélio, um tecido básico do organismo em que as células estão muito próximas umas das outras, mas também porque foi possível seguir a actividade celular em embriões vivos, sem os perturbar.

“Os embriões humanos, e de outros mamíferos, têm de ser implantados no útero materno antes de se envolverem, as aves põem o ovo dentro de uma casca e os anfíbios e peixes directamente na água. Cada uma destas condições confere ao embrião características e formas únicas. No entanto, o que todos têm em comum é que antes da gastrulação o embrião é mais ou menos uma massa de células parecidas umas com as outras. É a gastrulação que inicia o processo de diferenciação e confere forma ao embrião”, disse Claudio Stern.

Nas palavras de outro autor do estudo, lembra o especialista, “O acontecimento mais importante na nossa vida não é o nascimento ou o casamento ou a morte mas a gastrulação”.”Desde que sabemos que até este estado, mas nunca depois, um único embrião pode gerar gémeos idênticos, percebe-se a sua importância. Se a ‘alma’ existe, de certeza que o embrião não a tem antes da gastrulação porque ainda há a hipótese de se gerar mais do que um indivíduo, senão os gémeos teriam de partilhar a mesma alma entre os dois”, acrescenta.

Além do mecanismo único que define o eixo do embrião, os cientistas identificaram as moléculas utilizadas pelo embrião para controlar os movimentos celulares. O objectivo da equipa, conclui Stern, é a aproveitar a tecnologia do novo microscópio que permite visualizar a três dimensões estruturas embrionárias ínfimas para “perceber muito mais acerca do movimento celular e das decisões ao nível do embrião”.

Público, Marta Ferreira dos Reis

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Das origens do homo sapiens até à ciência como religião

Setembro 29, 2007 · 4 Comentários

QUATRO CONFERÊNCIAS ATÉ DEZEMBRO  

Perceber as origens da nossa espécie e quais as diferenças que existem dentro da grande família que descende do homo sapiens é o que podem esperar os participantes do próximo ciclo de conferências da Fundação de Serralves, Porto. O comissário da iniciativa, o investigador António Amorim, promete “novidades e não confirmações” e que “quem aprender, não esquece”. É a partir de dia 18, com a moderação de Sobrinho Simões.

Depois da política e da educação, o ciclo “Crítica ao contemporâneo” é dedicado, desta vez, à biologia, mas também poderia dizer-se que é à genética, já que esse é o ponto de partida e em comum às quatro conferências.

O impacto das descobertas da genética na forma como cada um lê o mundo e interpreta a realidade é realçado por António Amorim. “A ciência hoje não pode viver divorciada da cultura”. E explica “As descobertas científicas estão cada vez mais incorporadas na nossa forma de pensar, tanto como a religião ou as correntes filosóficas no passado”.

Se termos como ADN e testes genéticos parecem ter-se vulgarizado no discurso popular, a verdade é que poucos se questionam sobre questões mais profundas, como a nossa origem como humanos, aquilo que nos caracteriza e nos diferencia uns dos outros ou as consequências da sequenciação do genoma.

Se há “verdades” científicas que são usadas, muitas vezes, para ancorar opções políticas, outras descobertas permanecem poucos divulgadas. No domínio da diversidade genética, por exeplo, as grandes diferenças não se encontram em populações distintas, mas, sim, dentro de cada população, explica António Amorim. Numa comparação genética entre os europeus e os africanos subsarianos, as diferenças encontradas não seriam superiores a 15% do total da diversidade presente na espécie humana. Pelo contrário, se o mesmo exercício fosse realizado com uma população demograficamente significativa, como a do Grande Porto, mais de 80% das diferenças existentes entre humanos estariam presentes.

A explicação para o facto de dois chimpanzés serem mais distintos que um esquimó e um bantu parece ter a ver com longevidade. Setenta mil anos, contados a partir das migrações de África, não são suficientes para que ocorram os “erros de cópia” dos genes que levam à diferenciação genética, explica o investigador.

Como evoluímos

Jaume Bertranpeti inaugura o ciclo de conferências, no próximo dia 18, com uma perspectiva sobre a evolução, distribuição e caracterização da diversidade genética da espécie humana.

Impacto na medicina

A sequenciação do genoma abriu caminho às terapias desenhadas à medida de cada pessoa. No futuro, a medicina deixará de se basear em médias e passará a fundamentar-se na individualidade genética. A perspectiva da medicina por Michael Krawczack abordará, a 15 de Novembro.

Origens do homo sapiens

O nascimento da espécie humana e as limitações do nosso hardware são algumas das questões que Tim Crow levantará a 29 de Novembro.

O papel dos vírus

Rosalind Harding falará, dia 13 de Dezembro, sobre a implicação das bactérias “boas” e “más” e até dos antibióticos na evolução da espécie humana.

Helena Norte

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