Há tempos, a Senhora Ministra da Educação deu uma entrevista na qual se referia à existência de lojas de conveniência e outras fontes de receita que as escolas poderiam explorar de forma a garantir o seu próprio financiamento. Cheira-me a que alguém se esqueceu de fazer o trabalhinho de casa, pois tal nem sequer é legal; e também me cheira a complicações graves para os professores mais avançados nos escalões, a partir do momento em que as escolas possam escolher quem são os professores com quem querem contar nos seus quadros. Mas isso são outros quinhentos. Como estou cheio de boa-vontade, aqui deixo algumas sugestões mais para ajudar a Ministra neste seu glorioso projecto de auto-financiamento escolar:
- Disponibilização à comunidade, em troca de €50 anuais, de um pedaço de jardim para sepultar os entes queridos. As flores podem ser cultivadas pelos alunos e a mármore pode ser cortada pelos professores com horário-zero ou durante horas de componente não lectiva;
- A juntar à proposta de arrendamento dos polivalentes para festas de baptizado, comunhões e casamentos, proponho a especialização das funcionárias da cantina em serviços de catering e protocolo; claro que terão de substituir a alheira e o empadão por filetes com pescada russa e bifinhos de vitela, mas isso é o menos;
- As instalações de fotografia e edição de imagem, caso existam na escola, podem ser arrendadas a editoras de revistas pornográficas. Eventualmente, agentes da comunidade educativa poderão fazer parte integrante do projecto;
- Disponibilização dos pátios para estacionamento dos utentes da comunidade. Basta falar com alguém da Bragaparques ou do actual e ainda executivo camarário de Lisboa para saber como se deve fazer avançar o negócio;
- Caso a pena de morte venha a ser reintroduzida, devem ser montados pelourinhos e cadafalsos para execução pública dos prevaricadores. Caso se proceda a queimadas de bruxas e outros seres malévolos, livros de ponto velhos podem servir de combustível. A entrada é restrita aos membros da comunidade educativa, sob pagamento simbólico;
- As alunas deverão aprender a tricotar e fazer bordados durante as aulas de Filosofia, Matemática, Português e Ciências. Dado que todas essas aulas são inúteis e representam custos ao erário público, tais disciplinas deverão ser substituídas por actividades potencialmente lucrativas;
- Proponho ainda a erradicação da figura do professor: numa perspectiva puramente construtivista, o aluno deverá fazer a própria auto-avaliação seguida de avaliação inter-pares. Eventualmente os pais e outros agentes da comunidade educativa poderão intervir no processo, se manifestarem interesse. Sempre se poupam uns bons 120 mil salários…
- Flexibilização do horário de funcionamento das escolas: a partir das 23h, todas as escolas deverão dar prioridade às actividades da Rádio-Escola e animar as noites locais. Disc-jockeys e bailarinas serão convidados para fazer da escola “um lugar onde vale a pena viver!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!” (assim com muitos pontos de interrogação, como os adolescentes gostam)
- As salas de aula não utilizadas ou em período de férias podem ser utilizadas como hotel para animais. Os elementos da comunidade educativa que pretendam deixar os seus bichanos em tranquilidade durante o período de férias podem, mediante o pagamento de uma pequena propina, deixá-los à guarda da escola. Alguns pais já praticam esta modalidade, durante o período de aulas, com os respectivos filhos;
- Utilização da piscina escolar, caso exista, para criação de salmão e outras espécies de aquicultura. Podem ser usados intensivamente na cantina aquando da realização de casamentos e baptizados.
Humildemente, deixo o meu contributo para um Portugal mais solidário e uma escola mais aberta à Comunidade.
Comentários Recentes